MoodleMoot07

Sexta e sábado, 19 e 20 de Outubro, participei do MoodleMoot07 no Mackenzie, o primeiro realizado no Brasil. O evento foi organizado pela Comunidade Moodle Brasileira (aliás, acabei de me cadastrar) e apoiado pela Fundação Bradesco.

Terminei o post, assim vocês já podem acompanhar como foi o evento, e nos próximos dias vou apenas fazer uma revisão geral.

Abaixo, o simpaticíssimo Marcos Telles (coordenador do evento), que conheci pessoalmente no Congresso do ICDE no ano passado no Rio, e a Regina, secretária:

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Os dois, e mais um grupo muito eficiente, garantiram um evento de muito sucesso, que já faz parte da minha lista de eventos anuais obrigatórios.

Na inscrição, talvez a melhor pasta que ganhei até agora em eventos, que continha: Carta de Princípios 2007 Universidade e Ecologia, do Mackenzie; um bloquinho de notas com o logo do moodlemoot 07; o programa impresso; uma brochura dos 50 anos da Fundação Bradesco; o número 39 da Revista Mackenzie; e os Anais do evento, muito bem impresso e organizado.

Das 09:00 às 09:30 a abertura, com uma mesa de peso:

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É possível assistir ao vídeo da abertura no site do evento.

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A seguir, pausa para o networking com café.

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Em seguida, assisti ao tutorial “Introdução ao Moodle”, com Solange Giardino, cujos slides de powerpoint podem ser acessados pelo site do evento.

Ela começou ressaltando o abismo que existe entre o que oferecemos nas universidades e o universo dos alunos que entram no ensino superior, principalmente do ponto de vista do uso de tecnologia.

Falou então do Moodle, que começou a ser desenvolvido em 1999 e foi disponibilizado em 2002, e hoje está traduzido para várias línguas. No Brasil, muitas instituições estão migrando para o Moodle, que inclusive é utilizado na UAB – Universidade Aberta do Brasil.

Ela falou então das ferramentas da Web 2.0, e mostrou um slide muito interessante, montado com as marcas das empresas de destaque na Web 2.0:

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Em seguida, foi passada uma gravação de vídeo do criador do Moodle, Martin Dougiamas, preparada especialmente para o evento no Brasil e legendada, na qual ele afirma que existe um código oficial do Moodle, que é sempre modificado em função de desenvolvimentos propostos por profissionais do mundo todo, e existem também códigos produzidos por terceiros, mas que não estão incorporados ao código oficial do programa.

A versão 1.8 funciona para celulares e para deficientes visuais, os formulários são mais consistentes e é possível customizar campos no perfil, apesar de que sites que contêm muitos cursos têm apresentado lentidão, o que deve ser corrigido pela versão 1.9, a ser lançada em algumas semanas, que conterá também um novo painel de avaliações, que funcionará como uma planilha, e também novos tipos de plug-ins, como de avaliações e lista de competências. Já a versão 2.0, a ser lançada em 2008, possibilitará maior comunicação entre professores, como por exemplo os que ministram uma mesma disciplina.

Ele indicou o Moodle Tracker, onde os programadores podem participar do desenvolvimento do software.

E disse, ainda, que está tentando segurar os desenvolvedores para que se dediquem a aperfeiçoar as ferramentas que já existem, e não criar novas funções nas próximas versões, pois alguns usuários estariam reclamando da inserção constante de novas funções nas versões novas.

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Em seguida, falou Paula de Waal, cujo vídeo (com parte da apresentação) pode ser assistido no site do evento.

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Ela afirmou inicialmente que a Comunidade Moodle no Brasil congrega as pessoas que estão se iniciando no uso do programa, além de desenvolvedores e tradutores. O Brasil é um dos poucos países em que se podem encontrar cursos grátis de como utilizar o software.

Ela lembrou também que hoje, em comparação com o momento em que o software foi lançado, é preciso estudar para instalar o Moodle sozinho, assim como o custo de manutenção é maior. Mas o software mantém seu espírito original, ou seja, de uma sala de aula administrada pelo professor.

Por isso, existe a rede MoodlePartners, que funcionaria como um mecanismo comercial para sustentar a operação open source.

Lembrou que o Moodle tem se integrado com vários softwares importantes, através da seção módulos e plug-ins, e que existem ainda os códigos desenvolvidos por terceiros, que são compartilhados mas ainda não foram testados com o código principal, por isso devem ser testados cuidadosamente por todos os usuários.

Lembrou que o momento em que a Open University britânica passou a utilizar o Moodle foi decisiva para que muitas universidades se convencessem de que o produto era estável.

Ela apontou ainda uma nova onda no mundo, de open source, em que se fala de conteúdo aberto e serviços para conteúdo aberto, em que os conteúdos podem ser modificados.

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Para terminar a manhã, uma teleconferência (gravada no dia anterior) com Alexandra Okada, da Open University.

Ela destacou três ferramentas desenvolvidas pelo KMi – Knowledge Media institute, da Open University:

a) FlashMeeting, que possibilita a realização de vídeo-conferências pela Web – é só fazer uma reserva, para a qual será fornecido um endereço na Net, e qualquer um pode participar; no final, é possível acessar informações como o número de participantes;

b) Compendium, que trabalha com mapas mentais de conceitos e mapas de conhecimento;

c) MSG, para mensagens instantâneas.

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No almoço, como estava pertinho, aproveitei para visitar meu ex-aluno Leo Botto no La Frontera.

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Após o almoço, 14:30-15:00, assisti à primeira apresentação: “A Utilização do Moodle como Proposta de Aprendizagem Colaborativa e Metacognição: uma experiência diferenciada num curso de pos graduação”, Autora: M. Dolores Pena Jimenez, Co-autora: Alicia Sanchez. Elas ressaltaram o uso dos recursos da Web 2.0 e a possibilidade de aprender a mexer no instrumento (o Moodle) utilizando o próprio instrumento. Um dos trabalhos citados foi o da Rita de Cássia Boldarine, que acabou criando o perfil VirtualLearning no Orkut, trabalho que eu comentei na página sobre o Congresso da ABED em Curitiba – ela preferiu sair do ambiente de aprendizagem e realizar seu trabalho em uma ferramenta informal de tutoria, o que tenho defendido bastante por aqui neste blog.

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Das 15:00 às 15:30, assisti à apresentação: “A Experiência da Utilização do Moodle na Universidade Estadual de Maringá: um estudo preliminar”, Autora: Maria Luisa Furlan Costa, Co-autores: José Luiz Ferreira, Regina Maria Zanatta, cujos slides estão disponíveis no site do evento.

A UEM utilizava o portal e-proinfo, por obrigação do MEC, e então elas fizeram uma comparação entre as duas plataformas.

A Biblioteca do e-portfolio teria uma cara melhor, mas na maioria dos outros pontos o Moodle a superaria.

Elas destacaram o uso intensivo do Moodle em Instituições de Ensino Superior públicas, como as Universidades Federais. Ressaltaram os recursos de grupos e relatórios de atividades disponíveis no Moodle.

Elas lembraram que a informação sobre quantidade de acesso dos alunos não pode ser considerada isoladamente, e deram como exemplo uma aluna que utilizava conexão discada, que caía sempre, e por isso parecia acessar o ambiente muito mais que seus colegas.

Elas chamaram a atenção para o problema da remuneração dos professores em EaD, e alguém na platéia informou que para 20 horas semanais, um tutor da UAB recebe R$ 600,00.

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Das 15:30 às 16:00, assisti à apresentação: “Atelier Virtual na FAU-Mackenzie”, Autor: Eduardo Sampaio Nardelli, Co-autor: Charles Vincent (que foi quem apresentou o trabalho), cujos slides estão disponíveis no site do evento.

Ele destacou o uso da ferramenta NetMeeting, da Microsoft, no Moodle, e ressaltou que o compartilhamento de telas e controles de programas representaria um grande salto para a EaD. Criticou a interface gráfica limitadora do Moodle, e lembrou que a linguagem gráfica dos blogs seria mais agradável que a dos fóruns, e por isso geraria mais participação.

Ele destacou ainda o uso do Hamachi, que permite acesso remoto de diversas pessoas a uma área de um computador, como se estivessem ligados em rede, transformando aquela área em um drive local de seus computadores. Ele permitiria um trabalho verdadeiramente síncrono a várias mãos, elevando assim a produtividade, quando alunos poderiam acessar parte do computador do professor, por exemplo.

Destacou a importância das ferramentas que permitem trabalhar em tempo real em um arquivo, cada parte sendo trabalhada por uma pessoa diferente, com feedback para o outro, associado ao uso de vídeoconferência, permitindo assim um trabalho verdadeiramente síncrono.

Falou ainda da ferramenta PersonalBrain, que cria diagramas, sendo que a palavra clicada vai para o centro, tendo seus links ressaltados. Alguém na platéia lembro de outro software, o Nestor.

Ele defendeu ainda que o futuro está não no uso de ferramentas, mas na sua produção, e por isso os próprios designers estariam cada vez mais se interessando em aprender códigos.

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Aí, novamente o networking com café.

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Das 17:00 às 17:30, escolhi a apresentação: “Cyber Pesquisa: utilização do Moodle para ensino de competências do pesquisar no Ensino Fundamental II”, Autora: Heloísa Argento, Co-autoras: Laura Coutinho, Heloisa M.F. Padilha, cujo material pode ser acessado pelo site do evento.

As autoras ressaltaram que a educação perdeu o controle do caminho que o aluno percorre para adquirir o conhecimento, com o crescente uso das tecnologias da informação pelas crianças.

As autoras prestaram consultoria ao Colégio São Bento, no Rio de Janeiro. Pensei, durante a apresentação, como seria interessante uma consultoria para escolas ter, em sua equipe de trabalho, crianças!

Foi implementada a pesquisa na Internet para alunos de História e Geografia da 6 série. Foi utilizado o fórum para a coleta dos dados e um ambiente wiki para a construção em grupo dos textos. No final, os alunos apresentaram os trabalhos em bancas, para 3 professores.

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O processo todo teria despertado muito interesse e interação entre os alunos.

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Das 17:30 às 18:00, assisti: “Quem Mexeu no Meu Texto? – uma experiência de produção de matérias jornalísticas com o wiki do Moodle”, Autor: Marcelo J.A. Lopes, cujos slides de powerpoint podem ser acessados no site do evento.

Marcelo defendeu que textos são por natureza produções colaborativas. Ele trabalha com produção de textos jornalísticos, em que ficaria clara a dicotomia: direitos autorais x direito à informação do cidadão (e hoje já se falaria em direito à informação de qualidade).

A Revista Paradoxo seria desenvolvida em ambiente wiki.

Ele avaliou a experiência dos alunos no desenvolvimento de textos jornalísticos, que acabam fazendo um acordo: você não mexe no meu texto, e eu não mexo no seu! Existiria, portanto, resistência ao processo do wiki. Há, segundo o autor, uma contradição entre a preocupação com a autoria e a vontade de anonimato.

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Aí, um merecido descanso para todos. Eu fui prestigiar o concurso boteco Bohemia, no Pirajá – experimentei a cabritada e dei 7! E tinha Bohemia Confraria!!

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No sábado, perdi a sessão das 09:00 que a queria assistir: “Relato de Experiência Tutorial com Moodle em Curso de Extensão de Filosofia com Crianças”, Autora: Ivone F. C. Baldan, Co-autor: Leandro B. Guimarães.

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Às 09:30, assisti à apresentação dos meus queridos colegas: “O Ambiente Moodle na Universidade de São Paulo: a experiência do Grupo Alpha de estudos e pesquisa em tecnologia e educação da Faculdade de Educação”, Autor: Paulo Quadros, Co-autoras: Silvana A.P. Leodoro, Wanderlucy A.A. Czeszak, cujo arquivo de powerpoint está disponível no site do evento.

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O grupo Grupo Alpha, que faz parte do NEA – Núcleo de Estudos em Educação de Jovens e Adultos e Formação de Professores (Ensino Presencial e Educação a Distância), da Faculdade de Educação da USP, foi fundado em 1998 e é coordenado pela professora Profa. Stela Conceição Bertholo Piconez, tendo em 2002 sido cadastrado como grupo de pesquisa no CNPQ. Dentre outras coisas, o grupo realiza eventos, estudos, investigações, reuniões presenciais, pesquisa coletiva e atividades individuais. É um grupo aberto, ou seja, não restrito a professores e alunos da USP.

Antes do Moodle, era utilizada outra plataforma – o portal NEA. Hospedado pelo Centro de Computação da USP, que administra também outros sistemas, como o Teleduc e o Call, o Moodle é agora utilizado pelo grupo para intensificar a produção científica, como um ambiente de mediação tecnológica e um instrumento metacientífico. Como explicou Paulo Quadros, meu ex-companheiro de UVB, pode-se dizer que os fóruns acabam se transformando em uma enciclopédia.

Este é um resuminho do trabalho, espero que o Paulo, a Wanderlucy e/ou a Silvana me enviem um texto para que eu publique como um post separado.

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Das 10:00 às 10:30, assisti a uma apresentação muito interessante: “Moodle, Games e TV: uma metodologia desafiadora para os jovens do Curso de Aprendizagem Industrial Básico do SENAI da Bahia”, Autor: Leonardo Costa Leão, Co-autores: Diego O. Potapczuk, Kariene S.S Santos.

No SENAI da Bahia foi desenvolvido um programa de capacitação de jovens para dar manutenção nos computadores, que durou de 10/2006 a 05/2007. A interface do Moodle que eles desenvolveram ficou 10. O programa, extremamente criativo, utilizou videonconferência, programa de televisão (Cai TV) e jogo eletrônico (a turma do Claudinho, desenvolvido em Flash, com os mesmos personagens do vídeo).

Foi organizada uma equipe com programadores PHP (para alterar parte do código do Moodle) e flash, professores conteudistas, roteiristas, designers, pedagogos, monitores e tutores online.

Dentre as atividades, foi utilizada uma gincana: os grupos das cidades que acertavam mais ganhavam mais pontos.

Parabéns pelo trabalho, Leonardo e equipe!

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Depois da pausa para o networking com café, assisti das 11:30 às 12:00: “Entre Fadas e Gnomos: Moodle e encantamento”, Autora: Vânia Dohme.

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Vânia é autora do livro Atividades lúdicas na educação: o caminho de tijolos amarelos do aprendizado, publicado pela Vozes em 2003 e focado no ensino fundamental.

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Ela discutiu técnicas de contar histórias, que assim como jogos e brincadeiras, também educam. O ambiente lúdico contribui para o encantamento, o que ajuda no processo educacional. Ela apresentou também atividades envolvendo histórias que são inicialmente contadas, mas depois os alunos, em grupo, precisam devem terminá-las.

Algumas de suas referências teóricas são Piaget, Vygotsky, Huizinga e Jung.

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Às 12:00 foi a vez da minha apresentação: “Círculo Interativo: o conceito de congresso como um ambiente contínuo de aprendizagem, utilizando o Second Life, o Moodle e outras ferramentas”, Autor:Carlos A. Valente, Co-autor: João Mattar, cujos slides de Powerpoint estão disponíveis no site do evento.

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O professor Valente estava doente, então eu fiz a apresentação.

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O conceito do Círculo Interativo, utilizando o Moodle como agregador (como bem pontuou a Solange durante a apresentação), continua em desenvolvimento, então vamos falar mais dele aqui neste blog em outras ocasiões. Como apontou o Marcos Telles durante a apresentação, o importante não é pensar no Moodle como uma escolha, em detrimento de outras: o Moodle funciona muito mais (e muito bem) como um programa que, por ter o código aberto e ser desenvolvido mundialmente por uma comunidade, acaba servindo para agregar as diversas ferramentas disponíveis atualmente na Web 2.0. E, pelas mesmas características citadas, o Moodle responde muito rápida e eficientemente às constantes inovações nessas ferramentas, pois tudo pode ser customizado rapidamente. O professor Valente já fica convidado a falar um pouco mais sobre a idéia por aqui.

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Despertaram bastante interesse na platéia as aulas que darei no Second Life (a primeira será em 01/12), em diversas instituições (do Brasil e do mundo), assim que a programação estiver com todos os detalhes fechados informarei a todos aqui no blog.

Comentei também sobre o dilema pelo qual estou passando com o nome do meu avatar no Second Life, Erectus Amat. Alguém brincou que sou um professor virtual pervertido, e eu expliquei que o objetivo foi associar a imagem com o Homo Erectus, como se a linearidade e horizontalidade de um chat de textos se levantasse para o mundo 3D. Estou passando por uma crise de identidade virtual, então, vou criar uma enquete para checar se é melhor eu trocar o nome do meu avatar ou não.

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Às 12:30, assisti: “O Uso de Técnicas de RPG no Moodle”, Autora: Paula Carolei, de quem eu já tinha assistido uma palestra no Congresso da ABED em Curitiba.

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Seu tema desta vez foram os ambientes imersivos. Para ela, ambientes de Realidade Virtual seriam apenas sensoriais, mas uma narrativa poderia ser altamente imersivas, ou seja, há outras técnicas, além da RV, para trazer a pessoa para dentro de um texto. Textos por si só podem ser muito frios, então é necessário utilizar técnicas imersivas para fazer com que os alunos entrem nos textos.

Ela contou a experiência em que mediou um jogo de RPG a distância, por um chat, em que os personagens não sabiam quem era a pessoa verdadeira por trás.

Em uma delas, o Moodle caiu quase no final do chat, o que teria levado à perda do efeito imersivo.

Ela utiliza como referencial teórico as funções do Jung: sensação, sentimento, intuição e pensamento (a única que efetivamente privilegiaríamos na escola).

Para Paula, a educação pode ir além do construtivismo, pois o construtivismo trabalha ainda no nível cognitivo, mas é preciso trabalhar também no nível do simbólico.

Ela lembrou ainda que não basta apenas a imersão, é preciso um movimento que inclua a passagem constante pelos estágios da imersão e da emersão.

Ela indicou também a leitura do livro A construção amorosa do saber: o fundamento e a finalidade da pedagogia junguiana, de Carlos Amadeu B. Byington, publicado em 2004 pela editora Religare.

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Então, pausa para o almoço, desta vez na Praça da Alimentação do Mackenzie.

Na volta, conversei com o Carlos Alberto, do grupo Web Pró-Ativa, que já tinha demonstrado sua revolta com as condições de trabalho a que muitos tutores têm sido submetidos em EaD.

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Às 14:30, assisti: “PortalEducar.com: a criação de uma empresa especializada em hospedagem Moodle com apoio técnico-pedagógico para professores”, Autor: Anderson F. Mariano, cujo material está disponível no site do evento.

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O tema nos interessa muito, principalmente como alimento para o conceito de aututor, que temos discutido bastante por aqui.

Ele começou afirmando que as palestras do evento centravam-se na utilização do Moodle em instituições, e que seu trabalho discutiria o Moodle como plataforma do professor. Até poucos anos atrás, era difícil ter um site pessoal e necessário programar em html, php ou ASP, além do tempo necessário para a atualização. Assim, o aluno achava seus colegas e familiares na Internet, mas nunca achava o professor.

Hoje, é necessário que o professor tenha seu espaço na web, e quem está de fora da rede é reconhecido pelos alunos como professor múmia.

Ele utiliza em seu site algumas técnicas, como desafios semanais e enquetes mensais. A partir de sua experiência pessoal, ele decidiu abrir o Portal Educar.com, para que outros professores pudessem hospedar seus sites com apoio técnico e pedagógico. O portal utiliza o Moodle. O custo para o professor é de R$ 10,00 por mês, além do custo anual do registro do domínio, R$ 30,00.

Ao final, eu provoquei a discussão dizendo que as instituições poderiam ficar com medo, porque espaços como este poderiam ser utilizados não apenas para sites pessoais, mas para os sites pedagógicos dos professores, que obviamente prefeririam levar seus alunos para seus sites, que poderiam manipular e modificar com mais facilidade, em vez de ficarem presos aos espaços limitadores dos ambientes de aprendizagem das universidades. Daí para os conceitos de aututor, de docente online independente etc. é um pulinho cada vez menor. Alguém disse durante a discussão: conhecimento é um espaço de compartilhamento do conhecimento, não de certificação. As instituições que não entendem o que está acontecendo, e que continuam insistindo na centralização e no controle, estão perdidas.

Mais um elemento para a construção da revolução contra o que tem sido feito com os tutores em EaD.

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Às 15:00: “Ambiente Moodle na Experiência de uma Disciplina Presencial do Curso de Pedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie”, Autora: Doralice Inocêncio, cujos slides de powerpoint estão disponíveis no site do evento.

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Eu já tinha assistido a uma apresentação da Doralice no Congresso da ABED em Curitiba, e ela também coordenou uma mesa da qual participei no Mackenzie, há algumas semanas, da qual inclusive ainda estou devendo um post por aqui.

Desta vez, ela discutiu a resistência dos alunos de pedagogia a utilizar as tecnologias, e as técnicas que utiliza para enfrentar essa resistência. Falou da disciplina que ministra, Educação e Novas Tecnologias, e as técnicas que utiliza, por exemplo, para coordenar fóruns. Por exemplo, ela já coloca a nota das atividades no próprio fórum, em resposta aos comentários dos alunos.

Discutiu também outra disciplina, em que faz análise dos softwares educativos e sites infantis.

E atividades em que os alunos devem produzir sites, vídeos, filmes e rádios.

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Às 15:30: “Comparação do Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle com Tipos mais Comuns de Web Sites”, Autor: Felipe Stanque Machado Junior, cujo material está disponível no site do evento, e o artigo completo publicado nos anais.

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Seu trabalho faz uma comparação interessante entre o Moodle e diversos outros modelos de sites, como blogs, sites de e-commerce etc. O Moodle permitiria mais interabilidade.

O problema desse tipo de comparação é que as fronteiras entre esses tipos de sites começam a se dissolver, por exemplo com os mashups, como o Netvibes e o iGoogle. Hoje é possível transformar facilmente blogs em espaços de chats, como fiz aqui com o Meebo, e existem também blogs acadêmicos, em que são discutidas questões pedagógicas (o que, na avaliação dele, seria uma desvantagem dos blogs). A diferença entre blogs e sites começa também a se desfazer – mais de uma pessoa, quando entrou pela primeira vez neste blog, me disse: na verdade é um site, né?

Ele lembrou de posts em fóruns que ficam esquecidos por um ano, são depois reativados e voltam depois a funcionar. E da falta de FAQs nos blogs.

Por fim, ele conclamou a platéia a publicar um livro colaborativo sobre o Moodle.

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Para terminar a festa, 16:00: “Pedagogia Universitária: capacitação docente em EAD”, Autor: Paulo R. Wagner, Co-autores: Adriana Beiler, Lucia M. M. Giraffa, Elaine T. Faria, cujo material está disponível no site do evento.

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Paulo lembrou que na PUC-RS, por exemplo, o Moodle não está integrado com o sistema acadêmico, problema que muitas IES enfrentam, com o Moodle ou outro ambiente de aprendizagem.

A PUC-RS virtual possui estúdios para gravação de vídeos, que têm sido utilizados como pílulas (de 5 a 15 minutos) que são lançadas no ambiente, com bastante sucesso. Produz também aulas em MP3, que os alunos podem ouvir, por exemplo, no ônibus. Eles utilizaram satélite antes, mas o custo era muito alto e era mais difícil editar o material, então agora migraram para a web. Disse também que, por questões trabalhistas, os tutores não são mais chamados de tutores, e sim de ATEDs (Auxiliares Técnicos em EaD), e não podem dar aula. Seriam mais próximos do que entendemos por monitores, penso eu.

Eles oferecem curso de capacitação: Formação Docente em EaD, de 60 horas, e Oficina Moodle, 20 horas. Já são mais de 950 alunos capacitados. Na PUC-RS, só pode utilizar o Moodle quem fez o curso e foi capacitado. Um trabalho muito bonito.

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Aí terminou a brincadeira!

Agora, é se preparar para o MoodleMoot2008.

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15 respostas a MoodleMoot07

  1. Pingback: De Mattar » moodlemoot 07

  2. Luiz Matos disse:

    De Mattar,
    valeu pela cobertura muito boa do evento.
    Não pude ir.. mas ja estou com todos os links abertos e os arquivos devidamente baixados.

    Tks!!

  3. João Mattar disse:

    Luis, realmente há muitos links, tanto para o material utilizado pelos palestrantes nas apresentações quanto para indicações durante as palestras.

    Aliás, há mais material das palestras a que assisti publicados no site do evento, mas em todos os arquivos de powerpoint (ou outros) que tinham caracteres especiais (como ç, acentos etc.) é impossível não é possível baixar, por isso não coloquei os links. Vou checar novamente mais para a frente, para ver se eles corrigiram o problema.

  4. Mauricio Lopes disse:

    De Mattar

    Parabéns pelo trabalho de descrição das palestras do evento, o quel, infelizmente mnão participei. Muitas pessoas vão a eventos e guardam para si as descobertas novas que fazem pois muitas vezes não interessam diretamente a elas, mas pode interessar a outros. E vc fez uma ótima síntese, deixando quem não foi com água na boca :-)

  5. João Mattar disse:

    Mauricio, para mim tem sido realmente uma descoberta compartilhar não apenas os eventos, mas as leituras, as reflexões etc. Temos mesmo o costume de guardar tudo para nós, inclusive porque dá muito trabalho escrever, resumir tudo etc. Mas o trabalho acaba valendo a pena, pois sempre surgem comentários, podemos discutir idéias que ficariam esquecidas etc. Valeu, apareça sempre por aqui!

  6. De Mattar:

    Adorei os relatos sobre o MoodleMoot 2007, especialmente por comentar o estudo que apresentei. Realmente, hoje está tudo se fundindo, convergindo em um interfaces únicas, como comunidades virtuais, serviços de e-mail e fóruns… E realmente, tudo é “site” para os usuários, o Moodle e tudo mais, hehehe!
    Grande abraço! Um ótimo 2008!

  7. João Mattar disse:

    Legal encontrá-lo por aqui, Felipe. E nos atualize sobre as suas pesquisas com o Moodle e o livro, ok? Abração e feliz 2008 para você também!
    João Mattar

  8. Pingback: De Mattar » 2007 - Retrospectiva

  9. Pingback: De Mattar » ABC da EaD no SL (2007) - Reflexões

  10. Kariene Santos disse:

    Olá professor.

    É uma prazer ler seu blog e vê o nosso trabalho (meu e de meus colegas do Senai-Ba) comentado aqui. Refiro-me ao Projeto CAI-Bas, inspiração para a escrita do resumo Moodlemoot-2008 – Moodle, Games e TV: uma metodologia desafiadora para os jovens do Curso de Aprendizagem Industrial Básico do SENAI da Bahia”

    Esse foi um projeto do qual me orgulho muito. A beleza do layout do Moodle e suas funcionalidades customizadas, a dinâmica e interativdade do programa de Tv através da videoconferência (que não reproduziu somente cabeças), a magia do jogo A turma do Claudinho, a gincana que nos fez perceber, mais uma vez, do que o aluno é capaz de fazer “com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”, o uso de blogs individuais e coletivos criados pelos alunos (não necessariamente dentro do Moodle), …enfim…é um projeto fascinante pela sua metodologia e originalidade, que para nós, deu muto certo.

    Muito obrigada pelos sues elogios ao nosso trabalho e pela tão fiel reprodução do Moodlemoot.
    Toda a equipe do projeto ficou lisonjeada com seus comentários, ouvindo o que contei de nossa conversa.

    Eu sou blogueira, mas ainda não me arrisco a divulgar meu endereço aqui…rs. Foi um prazer conhecê-lo no seminário de jogos em Salvador e será um prazer recebê-lo, no Senai/Ba para uma visita informal, através da qual poderá conhecer melhor o projeto referido e tantos outros que desenvolvemos.

    Até breve,
    Um abraço, Kariene Santos

  11. Kariene Santos disse:

    Escrevi muito e ainda estou 1 ano atrasada nos agradecimentos…rs.
    Muito boa noite, Kariene

  12. Pingback: De Mattar » Blog Archive » Sloodle no MoodleMoot

  13. Pingback: De Mattar » Blog Archive » Continuando a conversa com Laura Coutinho

  14. Pingback: De Mattar » Blog Archive » MoodleMoot 2009

  15. Pingback: De Mattar » Blog Archive » Moodle Moot Brasil

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