13 CIAED

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Nesta página incluí as fotos que tirei no 13º Congresso Internacional da ABED e também comentei as palestras a que assisti, assim como alguns trabalhos publicados nos Anais do Congresso a que eu não tive a oportunidade de assistir. Pretendo também continuar a atualizar esta página, conforme for lendo os trabalhos nos Anais do evento. Se você assistiu a alguma palestra que não está indicada por aqui, tirou fotos, tem slides etc., pode adicionar um comentário ou me envie um e-mail que eu publicarei seu texto.

Um grupo de voluntários, coordenado a distância pelo professor Wilson Azevedo, cobriu também o evento, confiram!

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Antes do Congresso da ABED, conheci a cidade de Maringá e dei uma palestra no CESUMAR.

02/09/2007

Hoje começaram os mini-cursos, com duração média de 6 horas. Havia muitas opções interessantes: Moodle, produção de material didático para EaD, gestão, formação de autores e tutores, webrádio, work-based learning… foi muito difícil escolher! Um mini-curso especialmente me interessava muito, e só ouvi elogios de quem o fez:

MC07 – “ECoDI: A Criação de um Espaço de Convivência Digital Virtual para a Aprendizagem, utilizando mundos virtuais em 3D (Active Worlds e Second Life)”, coordenado por professores da Unisinos (para variar, de lá só sai coisa séria e de ponta): Eliane Schlemmer, Luciana Backes, Helena Soares e Bruno de Faria Bandeira. O Emílio participou desse mini-curso e escreveu um post a respeito.

Assisti ao minicurso: M-learning: o uso pedagógico de dispositivos tecnológicos para soluções móveis, ministrado por Adriano Sóstenis e Silvia Fernanda Correa, do SENAC-SP. Eles falaram de EaD produzida para celulares, smartphones, pendrives, PDAs/pocket PCs e Ipods.

Para Adriano, o futuro do m-learning não está nos celulares, pelas restrições de custo e do desenvolvimento de Flash para esses aparelhos. Eu insisti mais de uma vez na capacidade da nova versão do Flash para produzir conteúdo para mobiles, mas não obtive uma resposta convincente.

Ele dividiu os PDAs em Palm (que é uma marca) e Pocket PCs (que utilizam tecnologia Microsoft e teriam maior poder de processamento). Citou o caso de uma instituição de ensino que utiliza PDAs para chamadas e registro de notas, e depois os professores atualizam o sistema em quiosques. Segundo Adriano, os profissionais que desenvolvem sistemas para PDAs custariam menos, enquanto os que desenvolvem sistemas para Palms e outros dispositivos, e trabalham com Java, seriam mais caros.

Esses programadores trabalham basicamente na conectitivade e no sincronismo entre dispositivos e sistemas.

Os smartphones estariam entre os celulares e os PDAs, mas sua produção estaria caindo e seu uso não seria mais amplo por problemas de segurança.

Já os iPhones, da Apple, seriam parecidos com os PDAs e estariam em pleno crescimento.

Ele destacou também o potencial do uso de pendrives para o m-learning.

Adriano demonstrou-se decepcionado com os iPods, pois eles possibilitariam apenas o uso de MP3 e vídeos, o que outros dispositivos móveis fariam bem. Além disso, haveria problemas na transmissão de conteúdos para computadores. Entretanto, ele destacou o potencial promissor do MP5.

Após o almoço, Silvia abordou brevemente questões pedagógicas da aprendizagem por mobilidade.

Deveríamos perguntar: quais recursos nos interessam nos dispositivos móveis? O m-learning substituiria ou complementaria o e-learning?

Para Silvia, o m-learning não seria apenas uma miniaturização do e-learning, com telas menores e limitação tecnológica. Ele complementaria a educação, proporcionando novas maneiras de colaborar e perceber o ambiente educacional.

Em seguida, foi proposta uma dinâmica de grupo com os participantes, para estudos de casos.

Penso que faltaram ser abordados 3 pontos importantes no workshop:

a) idéias sobre design instrucional para dispositivos móveis;

b) potencial do Flash para produção de material para dispositivos móveis;

c) mapeamento dos casos, no Brasil e no mundo, que já têm utilizado m-learning.

No sorteio, ganhei o Investigando textos com Sherlock!, um software do David Carraher, que assim que testar vou comentar em um post separado.

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**

À noite houve a Sessão de abertura – abaixo, a fala do professor Lito:

premiação e palestra de Ronaldo Mota, tudo coberto pelo blog coordenado pelo professor Wilson Azevedo.

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03/09/2007

No auditório, pela manhã, ocorreu a primeira Sessão Plenária, com:

a) Santiago Castello Arrendondo, da UNED – Espanha, que destacou a necessidade de darmos respostas às exigências da educação contemporânea, para o que a EaD poderia contribuir. Ele lembrou que a EaD exige outra forma de ensinar, e por isso também uma metodologia específica. Nesse sentido, deveríamos perguntar: para que serve a EaD? Ele ainda destacou a importância de se formar o material humano em EaD, antes mesmo que se pense em tecnologia. Houve uma confusão na apresentação dos slides que atrapalhou um pouco sua fala.

A palestra está também coberta no blog coordenado pelo professor Wilson Azevedo.

b) Michael G. Moore, dos EUA, deu a palestra “Web 2.0: Miracle or Metamorphosis?”, em que lembrou que o livro que ele autografaria no dia seguinte já tinha sido traduzido para o chinês e o coreano, dentre outras línguas! Ao iniciar a palestra, ele se referiu a um artigo publicado no AJDE.

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Moore destacou a necessidade de princípios pedagógicos, assim como de organizações instituicionais específicas, para a EaD. Para um dos ícones da EaD contemporânea, não é possível fazer educação a distância com antigas estruturas organizacionais, pois em geral as instituições não estão organizadas para tirar proveito das mudanças tecnológicas. Portanto, as organizações precisam ser modificadas. Isso eu tenho defendido intensamente neste blog e, agora, também, no recém-publicado ABC da EaD.

Moore defendeu que o Brasil seria um líder em flexibilidade nas políticas públicas para EaD, pois teríamos bons pensadores, e citou o exemplo do programa Proformação do MEC, para formação de professores, do qual participou.

Ele lembrou também que as tecnologias da Web 2.0 são por enquanto principalmente usadas para lazer por adolescentes, mas do ponto de vista pedagógico são apenas um potencial, não agentes de mudanças. Em muitos casos, são responsáveis apenas pela produção de vídeos medíocres, textos não legíveis etc., do ponto de vista da informação. Nesse sentido, a própria idéia da wikipedia poderia ser criticada.

Entretanto, Moore propôs que, como educadores, temos a função de assumir a responsabilidade de conhecer o campo para construir o material para os alunos, e não simplesmente lançá-los para se perderem na confusão de informação da Web 2.0. Nesse sentido, disse que no seu próximo curso utilizará o MySpace, Adobe Connect, wikis, Second Life etc.

Nesse sentido, ele questionou também se a Web 2.0 alteraria a necessidade de suporte para os alunos de EaD.

Ele defendeu também que a tecnologia requer a divisão de trabalho, especialmente entre os designers de cursos e os instrutores. Algo que, entretanto, tenho desafiado com a idéia do aututor.

Ele destacou também a importância das produções dos próprios alunos em EaD.

Defendeu ainda que áudio e vídeo conferências, que teriam se tornado obsoletos em EaD com o surgimento da Internet, deveriam ser agora recuperados.

Por fim, apontou o que acredita sejam as tendências da EaD em função da Web 2.0: redes sociais, sistemas de busca inteligentes e realidade virtual. Mas ressaltou mais uma vez que, sozinha, a tecnologia não muda nada: são necessárias também alterações nas políticas.

A palestra do professor Moore foi também coberta no blog coordenado pelo professor Wilson Azevedo em duas partes: I e II.

c) Antonio Freitas ressaltou que a educação básica brasileira é de péssima qualidade, uma pequena parcela vai para o ensino médio, e menor ainda para o ensino superior. Nesse sentido, para ele a única forma de atingir esses alunos seria pela EaD. Lembrou ainda que os professores universitários fazem mestrado e doutorado, mas não têm formação específica para ministrar aulas. Ele mostrou vários gráficos com dados da educação no Brasil e afirmou que a educação superior no nosso país é elitista.

A Lucicleide cobriu também a palestra do professor Freitas no blog coordenado pelo professor Wilson Azevedo.

d) Por fim, Celso José Costa, coordenador geral da Universidade Aberta do Brasil, discutiu modelos de EaD e apontou alguns de sucesso na EaD nacional: o curso de pedagogia da UFMT (1995), o CEDERJ (2000, hoje com várias graduações e pólos, e milhares de alunos) e o Projeto Piloto realizado no Banco do Brasil em conjunto com o MEC (2006).

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Após o almoço, participei do VIII Encontro Estratégico dos Fornecedores de Produtos e Serviços para EaD.

Havia poucos participantes, dentre eles Marcos Resende Vieira, Diretor Executivo do WebAula, e Carlos Morales, da Faros Tecnologia aplicada à Educação.

Inicialmente, foram discutidas questões gerais relacionadas ao mercado, como a elaboração de editais para EaD. Em função da facilidade como a intangibilidade da contratação de serviços pode ser manipulada para favorecimento de algumas empresas, principalmente no caso de pregões eletrônicos, foi sugerido pelos participantes que se organizasse uma instituição para representar os fornecedores de produtos e serviços para EaD, para que ela possa atuar tanto na elaboração de padrões para as licitações quanto interferir na avaliação e mesmo na proposição de mandados de segurança, quando necesssário, para suspender ou cancelar editais inadequados ou tendenciosos.

Foram também discutidas as situações em que empresas não estruturadas adequadamente participam de licitações, vencem os certames mas acabam não entregando adequadamente os serviços prometidos, ou mesmo não entregando nada, o que acaba depondo contra os fornecedores sérios e inclusive contra a própria EaD.

Discutiram-se também possíveis estratégias de parcerias entre desenvolvedores de conteúdo, de ambientes e de tutoria.

Num segundo momento, todos os participantes se apresentaram, expondo os produtos e serviços em que trabalham e as demandas que possuem.

Num terceiro momento, Marcos Resende Vieira apresentou uma proposta bastante interessante da WebAula para padronização do cadastro e da avaliação de fornecedores para empresas que se utilizam de diversos serviços terceirizados, como animações de flash, locuções, revisão de textos etc.

Por fim, Marcos Resende apresentou o Cartão WebAula, utilizado inicialmente pelo governo de Minas Gerais em projetos de inclusão digital. O aluno recebe o cartão com uma senha, pode acessar cursos da WebAula pelos pólos de inclusão criados pelo governo, ou de qualquer outro lugar, pode testar todos os cursos até definir aqueles que lhe interessam, e então pode fazer os cursos, recebendo tutoria e ao final, caso tenha cumprido os requisitos necessários, imprime o certificado. Um projeto que, como Marcos diz, dá orgulho de sermos brasileiros.

Ao final do encontro, Marcos distribuiu um interessante catálogo da WebAula, muito bem produzido, que informa sobre os produtos e serviços oferecidos pela empresa: fábrica de conteúdos, gestão do conhecimento, LMSs, e-commerce, help center, webAula Live, webAula Builder (para autoria de cursos on-line), webAula offline, webAula SPI, webAula Mobile, webAula Scenario, webAula Simple e o cartão webAula. Realmente impressionante.

*

Aí veio a hora do lançamento do ABC da EaD, e no stand da Pearson a Sônia e a Natália trabalharam duro para organizar tudo!

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O stand ficou bastante movimentado e os livros levados para o evento esgotaram! Mas haverá outros lançamentos!

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Recebemos visitas ilustres, como a da Susane Garrido, da Unisinos, que contribuiu com um precioso depoimento que consta do livro.

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Ao nosso lado, o professor Moore também autografava seu livro.

*

Por causa dos autógrafos, perdi algumas palestras a que queria assistir. Então foi a vez da minha apresentação com a Carmem Maia, para a qual criei um post separado: “Second Life da EAD & Vida Nova para o Professor Virtual: Caixa de Ferramentas 2.0 para o Aututor”.

*

Das 18:30 às 18:55, assisti à interessnate apresentação: “Orkut na Escola Pública Uma Nova Proposta para o Ensino de Língua Inglesa”, da Rita de Cássia Boldarine, mestranda do Mackenzie.

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Ela mostrou como tem utilizado o orkut para o ensino voluntário de língua inglesa para alunos de escolas públicas em São Paulo, e o incrível é que ela não criou uma comunidade, apenas um perfil: Virtual Learning!

*

Terminando o dia, assisti a: “A Prática de Orientação a Distância na Elaboração de TCCs”, de Cassandra Ribeiro de Oliveira e Silva (CEFET) e Lane Primo (Senac-CE), em que foram avaliados os resultados da orientação a distância a TCCs em duas turmas de especialização no SENAC-CE. Eu já tenho utilizado há mais de 10 anos ferramentas para orientação de TCCs a distância, e inclusive tenho desempenhado a função de orientador a distância (ou semipresencial) para TCCs justamente neste semestre, então foi muito interessante poder participar de uma discussão sobre o papel da tutoria em EaD, principalmente porque os palestrantes destacaram os problemas, como sobrecarga e estresse, que surgem para o tutor e mesmo os orientandos. O trabalho terminou com recomendações para a prática da orientação a distância, como: capacitação específica do tutor-orientador em diversos pontos, como tecnologia e educação emocional; planejamento adequado do curso, com a criação de um banco de idéias para facilitar a escolha dos temas pelos estudantes, e o estabelecimento de conexões entre os módulos, e entre os módulos e o TCC; estabelecimento de cronogramas adequados etc.

***

04/09/2007

Novamente no auditório, das 10:00 às 12:00 ocorreu a segunda Sessão Plenária, Reaching New Learners Through the Use of Emerging Technologies, com:

a) Mohamed Ally, do Canadá, que começou defendendo que a educação é um direito humano e insistindo na importância do uso da tecnologia sem fio para conectar pessoas. Ele apresentou uma breve história da EaD e se referiu à importância de ferramentas pequenas (do tamanho de simples canetas) que projetam um teclado virtual e um monitor virtual, possibilitando que a educação se realize em ambientes antes inimagináveis, como as costas de uma pessoa em um trem. Defendeu também a estruturação de currículos em pequenos pedaços (chunks) e a importância da linguagem xml, e expôs então alguns desafios da EaD: a conversão de material para as tecnologias emergentes, uma cultura para essas tecnologias e as mudanças rápidas. Ele encerrou propondo uma provocação: como desenhar cursos para aprendizes em movimento? Com o m-learning, novas interfaces nos fazem pensar em novos estilos de aprendizagem. Para Ally, uma tendência importante é o fato de os próprios estudantes construírem seus objetos de aprendizagem.

Palestra também coberta no blog coordenado pelo professor Wilson Azevedo.

b) Michael Eraut , da Inglaterra, falou em inglês sobre work-based learning mas simpaticamente apresentou seus slides traduzidos para o português.

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Ele afirmou que enquanto o conhecimento tem um lado prático, as universidades estariam mais preocupadas com o conhecimento codificado. Ele fez inicilamente uma longa avaliação de como aprendemos e conhecemos. Sua preocupação é com o conhecimento que podemos utilizar, que permite que as pessoas façam coisas, e não com uma epistemologia que definisse o que seria ou não a verdade. Quanto mais conhecemos, passamos das formas de cognição mais analíticas para as mais instantâneas, o que diminui o conflito cognitivo e economiza tempo, num processo de rotinização. Um dos problemas ocorreria justamente quando somos obrigados, por pressão, a fazer rápido algo que ainda não dominamos. Eraut interessa-se também pela maneira como transferimos conhecimentos entre diferentes contextos. Ele pesquisa os tipos de aprendizagem que ocorrem no ambiente de trabalho. Ressaltou também que existe um nível de conhecimento nos próprios artefatos, ou nas conversas que temos ao redor dos artefatos. Nesse sentido, definiu reified knowledge como o conhecimento tratado como uma coisa concreta.

A palestra foi também coberta no blog coordenado pelo professor Wilson Azevedo.

c) Sugata Mitra, da Índia, fez uma apresentação bastante interessante e aplaudida, que decidi explorar em um post separado. Não deixem de dar uma olhada, é bastante interessante!

**

Ainda bati um papinho rápido com o Michael Moore e consegui um autógrafo no livro Educação a Distância: uma visão integrada, que todos os participantes do Congresso ganharam, e do qual logo espero postar uma resenha por aqui. Ele diz:

“To João
With best wishes for your success
in distance education.”

*

Daí por diante, assisti a tudo isso (e vou atualizando durante os próximos dias):

[13:00-14:00]
Mesa Redonda: “Comunidade Internacional de Aprendizagem Lusófona – Avanços e Dificuldades“.
A conversa foi coordenada por Alfredo Eurico Rodrigues da Matta e Penildon Silva Filho, do IAT – Instituto Anísio Teixeira.
Eles lembraram a Lei 10.639, que inclui no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e apresentaram as associações que têm sido realizadas entre a Universidade Aberta de Portugal e o IAT na Bahia, assim como o calendário com os próximos eventos de interesse da comunidade.
Eu lembrei da importância do grupo da ABED manter contato com a ampla AIL – Associação Internacional dos Lusitanistas, cujo próximo IX Congresso será realizado de 04 a 09 de Agosto na Universidade de Madeira (Funchal), e com a MLA – Modern Language Association, que tem uma divisão de Luso-Brazilian Language and Literature, e um grupo de discussões Lusophone Literatures and Cultures outside Portugal and Brazil, ambos pequenos mas ativos.

*

[14:30-14:55]
A Representação Social de Um Médico Gestor Acerca da Educação a Distância na Área de Saúde
Doralice Inocêncio e Gina Strozzi , ambas do Mackenzie.

Doralice apresentou as peculiaridades do treinamento de médicos a distâncias e da formação de tutor em saúde, refletindo sobre a utilização da EaD para formação continuada dos médicos.

Em alguns momentos da apresentação, ele mostrou slides com longos textos, dando um tempo para a platéia ler os slides, o que me soou bastante interessante.

Ao final, eu perguntei se não seria natural esperar a resistência à formação a distância de um médico que deveria ser mais humano, e ainda como poderíamos imaginar que seria aceito o tratamento de pacientes a distância, justamente em um momento em que se fala muito na maior humanização do tratamento médico.

Encontrarei de novo com as duas logo mais no I Congresso Nacional das Licenciaturas, no Mackenzie, para o qual elas gentilmente me convidaram a participar de uma mesa-redonda.

*

[16:00-16:25]
Por uma Política de Direitos Autorais para a EAD
Aline Sueli de Salles Santos – UNITINS e UFT
Graziela Tavares de Souza Reis – ULBRA e CEULP

A palestra foi bastante disputada e a discussão bem longa, inclusive porque foi a única que abordou diretamente o tema durante o Congresso. O assunto é realmente importantíssimo para os profissionais de EaD, todos, tanto que eu já o abordo desde o meu Metodologia Científica na Era da Informática, e mereceu um capítulo especial no nosso ABC da EaD.

A EaD se utiliza intensamente de tecnologias da comunicação e da informação, o que gera uma série de dúvidas em relação aos direitos autorais. Entram em choque, de um lado, os direitos à propriedade intelectual, e de outro, o direito à informação. E nós, profissionais de EaD, nos perdemos no meio dessa confusão e profusão de leis. Daí porque as autoras defendem, com muita propriedade, a necessidade de códigos de práticas e políticas relativas à propriedade intelectual, em especial em relação aos direitos autorais.

A palestra seguiu basicamente a estrutura do capítulo.

Em primeiro lugar, essa contradição entre direito à propriedade e livre fluxo da informação foi abordada. Foram então introduzidos alguns problemas em relação à EaD e os direitos autorais, e apresentadas noções de direito referentes à propriedade intelectual, o que, aliás, deveria ser assumido com uma obrigação pela própria ABED, em relação a seus associados: a atualização contínua em relação a esses problemas, com o acompanhamento dos novos casos que têm surgido a todo momento.

Ao fim, as autoras defendem a necessidade de uma definição clara, por parte das instituições que lidam com EaD, das regras que todos os protagonistas devem adotar em relação aos direitos autorais.

Eu não tive tempo de comentar, mas as autoras disseram que os problemas da EaD ocorrem principalmente no caso de direitos autorais. Na verdade, há também vários problemas relacionados a patentes, como o caso da recente patente do Blackboard para LMS. Além de que, é claro, marcas são também uma fonte de tensão para a EaD, assim como para qualquer área.

*

[16:30-16:55]
M-Learning ou Aprendizagem com Mobilidade: Casos no Contexto Brasileiro
Eliane Schlemmer , Amarolinda Zanela Saccol e Jorge Barbosa , da UNISINOS, e Nicolau Reinhard , da USP.

Os autores apresentaram, em slides que conectavam círculos conceituais a círculos conceituais continuamente, um estudo exploratório de casos brasileiros de Aprendizagem com Mobilidade – mobile learning, ou m-learning, que vem sendo adotado de maneira experimental no ambiente acadêmico, e estaria ainda em um estado emergente. Existem desafios em diversos níveis: contextual/social, didático-pedagógico, tecnológico, econômico etc.

Já abordei por aqui, em um post, um número de um importante jornal internacional dedicado exclusivamente ao tema.

Os autores exploraram a possibilidade de os “tempos mortos” no trabalho, como o utilizado em deslocamentos, possam ser preenchidos com aprendizado, através do m-learning e da noção de aprendizagem pervasiva. Entretanto, ainda bem que eles lembraram também o perigo da sobrecarga da informação, em um cérebro submetido continuamente ao tecnostress, em que as fronteiras entre a vida profissional e pessoal acabam sendo rompidas, ocorre invasão de privacidade etc. Uma boa leitura de resistência é o livro Devagar.

Com o m-learning, poderíamos pensar em aprendizado ou apenas em transmissão de informações? E em inclusão digital? É importante que pensemos em diferentes tipos de mobilidade: física, temporal e contextual, e que sejam desenvolvidos ambientes de aprendizagem para m-learning. Mas, é sempre bom lembrar, a tecnologia não deve se colocar à frente da pedagogia.

O grupo da Unisinos tem cadastrado casos de uso do m-learning no nosso país, então enviem seu caso para eles!

*

[17:00-17:25]
Graduação Tecnológica 100% On-Line: Relato da Implantação de Projeto em uma Universidade de Grande Porte
Prestigiei a palestra de minhas colegas de Anhembi Morumbi, Andrea Filatro e Cristiane Alperstedt , que apresentaram a instituição, hoje parte do grupo internacional Laureate (o que, é interessante, a maioria das pessoas ainda não sabe nem compreende). Começando com a apresentação da instituição, elas avaliaram a experiência dos cursos de graduação totalmente on-line (com exceção das provas, é claro) oferecidos pela Anhembi.

*

[17:00-18:00]
Mesa Redonda: “Algo de Novo no E-Learning: Educação pelo Trabalho
Carmem Maia - Universidade de Londres
Mirela Luiza Malvestiti - SEBRAE-DF
Cheguei no meio da palestra para prestigiar minha outra colega de Anhembi, e também co-autora do ABC, a Carmem Maia, onde aliás estão brevemente registradas suas visões para o futuro da EaD em função do work-based learning, no último capítulo, “O Futuro da Educação a Distância”. O SEBRAE tem desenvolvido a metodologia do work-based learning e vou convidar a Carmem para aparecer por aqui e nos manter atualizados sobre o andamento da experiência. Ela tem assumido a dianteira na teoria e prática da Educação pelo Trabalho em nosso país, e vale a pena acompanhar seus passos.

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[19:00-19:25]
WEB 2.0, E-LEARNING 2.0, EAD 2.0: Para Onde Caminha a Educação a Distância?
Emilio Voigt – Faculdades EST

A palestra foi tão legal, e interessa tanto às discussões que temos tido neste blog, que criei um post separado. Não deixem de ler!

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[19:30-19:55]
Abordagens Pedagógicas do Design Instrucional
Paula Carolei - USP

Paula apresentou diferentes abordagens para o design instrucional: abordagem sistêmica, abordagem da diferença (baseada nas idéias de Nietzsche, Foucault, Deleuze e Guatarri) e abordagem simbólica (baseada nas idéias de Jung).

Deu um interessante exemplo, de um fórum em que os alunos só podiam conversar por imagens.

***

05/09/2007

Não assisti à sessão e cerimônia de encerramento, mas os voluntários coordenados pelo professor Wilson Azevedo cobriram, em seu blog, vale a pena dar uma olhada.

Gostaria apenas de mencionar dois pôsteres que avaliei com mais atenção.

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Critérios e Indicadores para a Escolha de Materiais Didáticos em Cursos On-Line
Fátima Cristina Nóbrega da Silva – UFRJ
Izabella Saadi Cerutti – PUC-RJ (e que já foi minha colega na UVB e na Anhembi)
Janaina Nascimento Menezes da Silva – UERJ
Marta Lontra – UVA

Foram apresentados diferentes tipos de material didático, como livros, apostilas etc., e discutidos critérios para a seleção de cada material em função do público e do tipo de curso. O poster estava bem ilustrado, o que facilitava muito a leitura e a compreensão de um assunto tão importante para todos nós, que trabalhamos com EaD.

*

Formação Continuada e a Distância do Professor: Novos Tempos
Wanderlucy A. Alves Corrêa Czeszak - USP

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Sobre este eu não vou falar nada, pois ela escreveu um texto sobre o poster, que eu publiquei como um post separado.

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Cabe ainda falar rapidamente sobre os expositores e os stands, bastante visitados durante o evento. Aliás, a exposição estava muito maior e mais interessante do que a do Congresso do ICDE, no ano passado no Rio de Janeiro.

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A SEED – Secretaria de Educação a Distância, com um stand no evento, distribuiu um catálogo muito interessante, trilíngüe, falando de sua história e atuação, seus Departamentos (como o DPCEAD – Departamento de Produção e Capacitação em Programas de Educação a Distância, DITEC – Departamento de Infra-Estrutura em EaD, e DPEAD – Departamento de Políticas em EaD), a UAB, a TV Escola, programas como o e-ProInfo, o ProInfo, o ProFormação, o ProInfantil, o Pró-Letramento, o Pró-Licenciatura, Libras, Paped, Mídia Escola, Mídias na Educação e Formação pela Escola, o Portal Domínio Público, o Rived e o Projeto Articulação.

A editora Pearson também distribuiu vários folders, muito bem produzidos, sobre diversos produtos e serviços voltados para o Ensino Superior e a EaD: consultorias (editorial, em técnicas andragógicas etc.), Biblioteca Virtual e livros customizados, CD-Book, certificações internacionais, conteúdo para EaD e on-demand, etc.

O Positivo também distribuiu um material impresso de excelente qualidade, apresentando diversas soluções: hardware (notebooks e desktops), lousa interativa, max câmera, portal educacional, o Mobile Classmate, o dicionário e corretor Aurélio, a mesa educacional e-blocks, e-blocks matemática e alfabeto.

A empresa Quick Lessons (da minha simpática e genial sombra Alessandra – nos encontrávamos em todas as apresentações!) expôs o produto QuicKMind, que cai como uma luva dentro do nosso conceito do aututor. É uma ferramenta 100% on-line para desenvolver cursos de maneira rápida e prática, com qualidade flash. Inclui imagens, personagens, modelos de interface, exercícios etc. Ou seja, mais um motivo para questionar a cruel divisão entre professor autor e tutor. Vou testar o programa assim que possível, e compartilhar meus resultados com vocês por aqui.

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Ufa, missão cumprida!!

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Caso você tenha assistido a alguma palestra que não foi comentada por aqui, tem fotos, slides, vídeos etc., adicione um comentário ou me envie um e-mail que eu publicarei por aqui.

Mas não foi somente estudo, teve também a parte da farra!

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28 respostas a 13 CIAED

  1. Joao

    Tambem estamos cobrindo o congresso da ABED. Incluimos um link no nosso blog para este seu blog aqui. Por favor, inclua nosso link no seu.

    Quanto mais gente cobrindo o evento, melhor. Sao outros pontos-de-vista, mais observadores, mais comunicacoes sintetizadas para todos.

  2. Joao Mattar disse:

    Claro, Wilson, será um prazer. Por favor apenas me confirme o link para a página em que vocês estão cobrindo o Congresso.

  3. Pingback: De Mattar » The Hole in the Wall

  4. wanderlucy disse:

    João,
    Está ficando muito bom seu relatório de sua participação do congresso. Ótima oportunidade para quem não pôde estar presente ou para quem, como eu, participou do evento mas não pôde acompanhar muitas apresentações que aconteciam concomitantemente.
    Em breve disponibizarei no blog não oficial da ABED alguns relatórios de apresentações a que assisti.
    Uma pergunta: não teria como você criar atalhos para que pudéssemos acessar direto outros textos do seu blog no local onde eles são citados como, por exemplo, sobre a palestra do indiano Sumatra Mitra? Seria também interessante inserir um pequeno comentário com um atalho para o evento da ABED na página inicial do seu blog. Para muitos talvez o link do evento no topo da página passe despercebido.
    abçs a todos!
    Wanderlucy

  5. Joao Mattar disse:

    Wanderlucy:
    Você pode também disponibilizar por aqui alguns resumos das palestras a que assistiu.
    Aliás, daqui a pouco chego no seu poster, e vou justamente abrir um espaço para você explicá-lo um pouco por aqui, ok?
    Não tinha ainda criado o link para o texto sobre o Mitra porque ainda não tinha acabado, agora já criei.
    Não entendi sua última observação, sobre o link para o evento da ABED.

  6. Pingback: De Mattar » Web 2.0, e-learning 2.0, EaD 2.0: para onde caminha a educação a distância?

  7. Pingback: De Mattar » QuicKMind

  8. Pingback: De Mattar » Second Life da EAD & Vida Nova para o Professor Virtual: Caixa de Ferramentas 2.0 para o Aututor

  9. Wanderlucy disse:

    Agora que você já postou textos que falam do congresso na página inicial do seu blog, minha sugestão não faz mais sentido.

  10. Mauricio Garcia disse:

    Caro João
    Parabéns por sua participação e pelo lançamento do livro. Uma pergunta: como você sabe, estou dedicando ultimamente boa parte de meu tempo em um projeto no Second Life. Qual foi sua impressão pessoal sobre esse assunto no evento? Você viu/ouviu algo concreto? Ou apenas idéias?
    Abs
    Maurício

  11. Joao Mattar disse:

    Maurício, teve sim coisas interessantes sobre o uso educacional do Second Life, especialmente do pessoal da Unisinos. Vou ler os trabalhos que tocam no Second Life e resumir em um post separado, nos próximos dias.

  12. Pingback: De Mattar » Feliz Aniversário!

  13. Prezado João,
    parabéns pelo resumo instrutivo do evento da ABED 13o CIED. Estou repassando seu link para conhecidos e colaboradores, pois a leitura é bem prazerosa.

    abraços

  14. Rogério de Jesus disse:

    Parabens prof.

    Legal mesmo, o empenho que você dispoe para uma causa que entre aspas, não é direcionada para você e sim para nós que estamos estudando. Principalmente em um País que a maioria dos prof. não se preocupam e acabam não fazendo esse tipo de coisa. Parabens mesmo, principalmente pelo relatorio, sem contar a parte da informação, que ta muito bom, da uma noção ampla pra quem nao esteve no envento, mais direciono meu parabens novamente pelo empenho, por saber que este relatório não é para o senhor pois vc esteva la. E sim para nos alunos, ou ate mesmo prof. que nao tiveram chance de ir, e tudo isso de graça..rsrs

    PARABENS PROF.

    Forte abraço.

  15. Pingback: De Mattar » A Educação a Distância: uma visão integrada

  16. Pingback: De Mattar » Docência on-line independente

  17. Pingback: De Mattar » Curitiba

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  19. Eddie Mendes disse:

    Caro JM. Achei muito boa a sua preocupaçao sobre a EaD, onde o Sr. se preocupa com os alunos, uma vez que nem todos possam sair do local na qual se encontra para estar indo ate um local de estudo. isso nos mostra a sua inteligencia, onde todos possam estudar poupando tempo, dinheiro e outras coisas, na maioria das vezes, muitas pessoas acabam nao estudando por nao ter locomoçao ate o local ou tambem na falta de tempo em horarios fixos, onde que na EaD os alunos possam estar realizado seus estudos nas horas que mais se apropria a ele. Por isso parabem pelo lancamento tenho certeza que vai ser um grande sucesso.

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