Gostar de Platão

Tive uma longa discussão, pelo MSN, com Paulo Ghiraldelli ontem e hoje.

Ele provavelmente vai espalhar por aí que eu não gosto de Platão e que não acho Platão essencial na filosofia. Se fizer isso, estará faltando com a verdade.

Discordamos mesmo no seguinte ponto: ele acha que um filósofo, para ser considerado parte do time, tem que gostar de Platão. Se não gostar de Platão, não é filósofo.

Eu discordo.

Está aberta a discussão!

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24 respostas a Gostar de Platão

  1. Odele Souza disse:

    João,
    Comentei este seu texto dias atrás, mas acho que por uma imperícia minha, o send não funcionou. Eu dizia mais ou menos isso: Penso que para uma pessoa gostar de filosofia ela não tem necessariamente que gostar de Platão. É como dizer que para gostar de literatura eu teria que gostar de todos os escritores. – Gosto de literatura mas não gosto do escritor Paulo Coelho. Portanto, posso gostar de Filosofia e não gostar de determinado Filósofo.

  2. João Mattar disse:

    Odele, pode ter certeza de que não foi censura!

  3. Jorge Surian disse:

    Tive aula com um dos professores de Física que vieram para o Brasil para fundar o que hoje é a USP. Ele estava bem no final de sua carreira e naquela época era um dos autores de física mais publicados no Brasil. Seu nome, Tore Nils Olof Folmer Johnson.
    Acho que não conheci ninguém que entendesse de física, desde a mecânica clássica até a quântica que tratasse do tema com tanta simplicidade, embora diferentemente da maioria dos físicos o prof. Johnson.
    Pois bem, para ele Aristóteles não passava de um idiota que se não tivesse nascido, talvez a humanidade estivesse uns mil anos a frente.
    Será que para ser físico precisamos achar essa ou aquela teoria essenciais?
    Para um mecânico de automóvel Newton é bem mais importante que Einstein. E para alguém que goste de criatividade, Poincaré é bem melhor que Einstein.

  4. Jorge Surian disse:

    Ops…
    Pensei mas não escrevi…
    Diferentemente da maioria dos físicos ele era muito bom em matemática e em filosofia. Algo raro, pois física, matemática e filosofia tem menos em comum do que se pensa.

  5. Paulo disse:

    Quem não gosta de Platão não é filósofo do mesmo modo que quem não gosta de jogar basquete não é jogador de basquete.
    Todo mundo que diz que sou filósofo, mas não gosto de Platão, simplesmente não é filósofo, pois, na verdade, nunca leu Platão. Pode ter folheado, mas não leu junto com outros filósofos, não pertence ao mundo filosófico.
    A pessoa pode dizer “leio Platão, mas não é meu favorito”. Essa pessoa é uma leitora de filosofia, pode até ser professor de filosofia, mas não é filósofo. Pois ao dizer que Platão não é seu favorito ela não está dizendo outra coisa que não isso: não gosto de Sócrates, dos gregos e de toda a filosofia Ocidental. Sem Platão, não há filosofia ocidental. Ou então, o que há, é pseudo conhecimento: o cara quer re-inventar a roda, o sabichão.
    Vamos sempre encontrar gente que finge que leu, que até debate, mas não leu e, por isso, diz não gostar. Mas existe gente que leu e realmente não gosta. Mas, nesse caso, não é filósofo. Aqueles filósofos que não leram nada, e que são filósofos, leram Platão e ficaram com os problemas da filosofia por causa disso. Platão coloca é o início da nossa filosofia. Quem quer começar a gostar da filosofia, tem de gostar do início. Você pode, depois de ler Platão, adorar outro filósofo e trocar, mas só vai saber trocar por causa de que ama Platão, pois o outro filósofo nada será que um adversário ou amigo de Platão. Em ambos os casos, esse filósofo que você adora, ama Platão.
    O resto é conversa de não especialista em filosofia.
    Paulo Ghiraldelli Jr.

  6. Joao Mattar disse:

    Paulo, concordo com você. MSN é interessante, né, mas não tem comparação com um texto escrito com mais calma. A questão no fundo não é gostar ou não de Platão, mas a importância dele para a filosofia ocidental. Dos pré-socráticos temos alguns fragmentos, Sócrates não escreveu e Platão escreveu muito muito. E é tudo muito interessante. Gostando mais ou menos, é um leitura imprescindível, aliás não apenas para quem é filósofo. É um prazer tê-lo por aqui.

  7. adalberto disse:

    Penso que Platão não iria gostar desta parte do blog. Para quem não chega a conhecer as coisas mesmas é muita pretensão ser dogmático. Colocá-lo (Platão) como divisor de águas é ufanar-se que saiu da caverna e se iluminou.

  8. vagner rossi disse:

    Platão foi o primeiro ditador da históoria, o que queria expulsar os poetas da Grécia. É preciso lê-lo com Nietzsche do lado. A discussão é ridicula.Sou filósofo sim e não gosto dele. O princípio da filosofia é a liberdade, inclusive a de expressão.

  9. vagner rossi disse:

    Não preciso tecer, aqui, ateia de críticas que tenho contra esse velho dogmático grego. Basta citar as palavras do genial Nietzsche.”Platão é enfadonho. – Por último,minha desconfiança, com Platão, vai até o fundo: acho-o tão extraviado de todos os instintos fundamentais dos helenos, tão moralizado, tão preexistentemente cristão – ele já tem o conceito”bom” como conceito supremo -, que, sobre o inteiro fenômeno Platão, eu usaria antes a dura palavra “trapaça”.” – Crepúsculo dos Ídolos.

    “Platão é um covarde diante da realidade” – Idem.

    Quanto a discussão sobre gostar ou não de Platão, simplesmente ridícula… Filosofia é liberdade de pensar e expressar idéias, antidogmatismo por natureza. Aceitação das diferenças. Dialética.Quer dizer que, por não gostar do referido filósofo, serei expulso da República? Não, fora Platão antes!

  10. João Mattar disse:

    Vagner, legal que você apareceu por aqui. Você deu um colorido novo para a discussão. Estávamos na verdade avaliando a importância de gostar de Platão, para ser considerado um filósofo, e você lembrou muito bem dos comentários negativos do Nietzsche em relação ao filósofo grego. Eu li muito Nietzsche, li também Platão, mas no fundo hoje considero os dois importantes. O prazer de ler Platão não vem apenas de ler a sua filosofia, mas também apreciar o estilo literário dos diálogos, conhecer personagens da Grécia Antiga, conviver com o Sócrates etc. Nietzsche está muito mais próximo de nós, e assim consegue conversar mais diretamente conosco. Enfim, são duas leituras fascinantes. Obrigado por sua valiosa contribuição.

  11. Sílvia Morgan disse:

    Conheci bem o Professor Tore Nils Olof Folmer-Johnson: ele é meu pai. Fiquei emocionada ao vê-lo mais uma vez lembrado como um sábio, que verdadeiramente era. Era não apenas muito inteligente e incrivelmente culto (lia sobre tudo e se informava em diversos idiomas, incluindo não somente Alemão, Inglês, Italiano, Francês, Espanhol, incursões ao Latim e Grego, como também Sueco e outros), mas – principalmente – reflexivo, analítico. Não arquivava sem digerir. Usava da dúvida sistemática como método de investigação. Relacionava dados, confrontava… Tinha mente científica muito aberta, mas não inconsequente.

    Nós, os filhos, o ouvíamos com grande interesse a prazer.

    O Prof. Johnson dizia que a verdade tinha que ser conquistada, que todas “as verdades” científicas eram provisórias: valiam até que fossem cabalmente contestadas por novas descobertas. “Para isso, há um prêmio Nobel permanentemente à espera”, afirmava.

    O que me lembro de papai comentar sobre Aristóteles é que foi certamente uma grande mente, cuja influência foi imprópria e nefastamente imposta, na Idade Média (especiamente no que tange ao geocentrismo), para além de sua legítima aplicação. E isso teria atrasado a Física uns mil anos.

    “Traduzindo” livremente, eu diria que “não gostar de Aristóteles” é como “não gostar do mês de maio”; não faz sentido, pois é caminho, é passagem, é História do aprendizado humano. O que se pode fazer é refutar suas teorias, com base em novos dados (assim como junho sucede a maio).

    • RUI SILVA DE OLIVEIRA disse:

      Prezada Sílvia:
      fui aluno do seu pai de março à junho de 1.977 na F.E.I. em São Bernardo do Campo quando fazia Engenharia Mecânica Automobilística como Engenheiro Operacional; tenho muito orgulho de ter sido aluno do seu pai e foi uma grande honra ter aprendido muito sobre física e vida com ele, de quem ganhei um livro de sua autoria sobre Estática que guardo até hoje; seu pai é um dos pouquíssimos SERES HUMANOS que me trazem orgulho da existência da raça humana neste planeta, pessoa do bem e extremamente inteligente, brilhante, nos ensinando como fazer uso inteligente dos seus preciosíssimos ensinamentos sobre a ciência e a vida como já comentei !!!
      O Maior e Melhor Exemplo que conheço de QUEM NÃO VIVE PARA SERVIR NÃO SERVE PARA VIVER !!!

    • Paulo Zensei Heshiki disse:

      Tive a honra de ser aluno do Prof. Johnson, grande e exemplar mestre. Devo a ele minha formação e caráter.

  12. João Mattar disse:

    Silvia, fiquei emocionado de ler suas palavras sobre seu pai por aqui!

  13. Maurício disse:

    Silvia nos anos 70 fui aluno do prof. Johnson, que foi uma das pessoas mais cultas que conheci até hoje. Não localizei nenhum site registrando a sua vida, que seria uma forma de reverenciar o “Mestre”, como o chamávamos habitualmente. Se existe peço que informe.

  14. Ricardo Cabalhero disse:

    Boa tarde Silvia Morgan. Desconheço se esta mensagem chegará a voce, mas não pude resistir a render uma homenagem a seu pai, meu professor, no início da década de 80. Tenho a humildade de declarar minha ignorancia na área da Física aonde o conheci, mas fiquei impressionado com seu caráter e cultura de forma marcante. De tudo o que foi dito por ele guardo uma frase nada inserida neste contexto do blog, mas dizia algo sobre ser o melhor no que propuser a ser na vida. Creio não ter a felicidade de seguir seu preceito na realidade, mas a semente ficou. Sou grato por existirem pessoas com esse grau de comprometimento com seus semelhantes. Deixo a voce e também ã imagem de seu pai meus sinceros agradecimentos por esta centelha que até hoje me norteia.

  15. Ivan Assolant Vencato disse:

    Encontrei essa página procurando alguma coisa sobre o professor Tore Niels.
    Também não sei se minha mensagem vai chegar a alguém, mas eu não tive aulas com o professor Johnson, nasci em 90 e provavelmente nunca teria ouvido falar dele não fosse ter topado com alguns livros dele na biblioteca da minha cidade.
    De longe os melhores livros brasileiros de física, pelo menos para ensino médio, concorrência pesadíssima até para os livros da editora MIR, me abriram as portas para um universo novo de livros.
    Eram livros bem elaborados, elegantes e davam uma base excelente com apenas poucas horas de estudo.
    O único ponto ruim é que eu absolutamente NÃO ouvi falar nem dele, nem de Roberto Salmeron, nem de Gleb Wataghin, nem de Caliolli, nem de Carlos Marmo nem de Alésio de Callioli, nem de João Usberco, nem de Geraldo Camargo de Carvalho, nem de Castrucci, nem dos livros de Robortella, Avelino e Edson, nem da coleção Noções de Matemática, nem de L.P. Maia, nem de Victor Mirshawka, nem de muitos outros grandes nomes dos livros didáticos, muitos que eu nem sequer ouvi falar.
    Nâo ouvi falar nem de Oscar Sala e Roberto Damy, não fosse um memorial realizado no IF-USP ano passado nunca teria sabido do trabalho pioneiríssimo deles com a física nuclear no Brasil, certamente deixei de ouvir falar de muitos outros.
    É um verdadeiro pecado que esses nomes e o conhecimento de seus feitos e suas obras não sejam dados como inspiração para os alunos de ensino médio ou mesmo de ensino superior em muitos casos, o IF da UNICAMP se chama Gleb Wataghin e quase ninguém sabe direito quem ele foi, a maioria nunca teve o prazer de ver uma das apostilas dele, no que eu ouvi das palavras do professor José Goldemberg: as melhores apostilas que ele já viu.
    Nos anos 60/70 tinha um monte de revistinhas e livrinhos de divulgação científica que eram populares, falavam da história da ciência, propunham experimentos, “davam asas à imaginação” e inspiravam crianças no caminho do conhecimento.
    Nota especial à coleção “Lecciones Populares de Matemáticas Elementales” da MIR e às revistas da (suponho que esteja) extinta FunBEC.
    A educação no Brasil está despedaçada, eu e milhões de pessoas mais novas e mais velhas que eu não temos uma formação tão boa quanto gostaríamos ou deveríamos.
    O avanço da qualidade da educação seria exponencial se tivessemos escolas em que houvesse algum incentivo a experimentos em ciências e preocupação com a história da mesma. Por mais que muitos professores sejam ruins (e não estou sendo fresco, professores merecem tanto respeito quanto nossos pais e avós), especialmente em se tratando de educação básica.
    Acho que com uma espécie de material básico mínimo e padronizado para o Brasil todo e quem sabe Latino-América, que levasse em conta a história e a importância do experimento e do pioneirismo, propondo exercícios incríveis como os do professor Johnson daria para alavancar tudo independente de quem ensina, desde que haja um esforço mínimo em ensinar.
    (Quem tiver a oportunidade recomendo conhecer a livraria Livro Ibero-Americano e a editora Lumbreras)
    Eu sei que bons cientistas são aqueles que correm atrás, mas é impossível correr atrás sem inspiração ou sem nem mesmo saber atrás do que se está correndo, na minha condição atual fica complicado para eu fazer isso pois não tenho nenhum cargo e sou só um estudante por enquanto, além de ficar com um grande peso na consciência de sustentar minha família no futuro com um salário de professor sabendo exatamente o que isso significa, mas defendo fortemente uma retomada a partir dos exemplos dos grandes pioneiros e mestres das ciências brasileiros e do exterior.
    Como esforço mínimo deixo meu e-mail para quem estiver interessado ou tiver idéias interessantes nesse aspecto:
    ivencato@gmail.com

  16. Ruy Chicaco disse:

    Boa noite Sílvia Morgan,

    Também fui aluno de seu pai em 1977 e fiquei muito emocionado ao ver o nome do Prof. Johnson quando fazia pesquisas na Internet.
    Tive o privilégio de ser aluno de brilhantes professores tais como Décio de Zagottis, Kokei Uehara, Hamilton Guidorizzi, Ivan de Camargo, Falcão Bauer, Heródoto Barbeiro e Paulo Kobayashi, mas foi seu pai quem me marcou profundamente pois foi um gênio ensinando-nos todos os fundamentos da Física com simplicidade e dedicação.
    Ele me ensinou o prazer do estudo pela Física, tanto que adquiri todos os volumes da sua magnífica coleção de livros.
    Lembro-me de uma ocasião em que estava distraido conversando com um amigo e fui repreendido por ele, quando perguntou-me se estava prestando atenção à aula.
    Eu confirmei, daí ele me chamou à lousa e pediu para escrever o que tinha explicado.
    Como eu era um aluno bastante aplicado e interessado em sua matéria, consegui descrever e explicar a última fórmula que ele tinha apresentado.
    Fui aplaudido pelos colegas, mas o que mais me marcou foi o olhar de aprovação e orgulho de seu pai para com seus alunos.
    Também sinto falta da divulgação da vida e brilhante carreira do Prof. Tore Nils Olof Folmer Johnson.
    Espero que um dia nos presenteie com a sua biografia.

  17. Roberto Hamilton Cruz disse:

    Como o Ivan Assolant, tambem encontrei essa página (muito bem elaborada) por acaso, pois também queria saber do meu caro Prof. Johnson. Como devo ser bem mais velho do que a maioria de vocès (fui colega de turma do Prof. Decio de Zagottis, uma das pessoas mais brilhantes com quem convivi), conheci ou fui aluno de algumas celebridades citadas pelo Ivan. O Prof. Johnson foi meu melhor professor de física, pois tinha sempre a preocupação de tornar os fenomenos físicos realmente fisicos, isto é, não se limitava às fórmulas matemáticas que os expressavam, mas usava analogias do dia a dia e experimentos para que os entendessemos melhor. Lembro-me que descrevia um solenoide como uma espécie de salchiça e que usou certa vez uma bacia com água para explicar a interferência de ondas. Por outro lado, era perfeccionista e sistemático. Certa vez, tendo o seu carro sofrido uma batida, não aceitou a sugestão do outro motorista para deixarem o seguro arcar com o prejuizo, dizendo que preferia que um policial do trânsito determinasse quem tinha razão. Tendo o outro alegado que isso demandaria a manhã inteira, respondeu que esperaria até à tarde, se necessário. Por isso e outras excelentes lembranças, também espero que a Silvia e sua familia nos dê um dia a sua biografia.

  18. Silvia, como já foi escrito por aqui anteriormente, não sei se esta mensagem chergará até você. Mas eu sou mais um felizardo por ter recebido a honra de ser aluno de seu pai no início da década de 90. Lembrome com muito orgulho das aulas dele e dos ensinamentos, a ponto de contar detalhes para meu filho que hoje inicia seus estudos no ensino médio. Tenho vívidas algumas passagens com ele: quando nos chamava de escribas, por não emitir opinião alguma sobre o que aprendíamos. Outra ocasião, quando nos disse que era uma grnade bobagem usar papel pautado para anotarmos as aulas, pois uma folha em branco era um universo em si, a ser verdadeiramente explorado por que desejava aprender. mas a imagem que tenho de seu pai em minha mente é a de ve-lo observar os alunos entrando em sala com um sorriso no rosto e um olhar penetrante. Ficou claro para mim que ele analisava cada aluno que entrava na sala, sem julgá-lo pela aparência ou postura. para ele, bastava a nota como forma de julgamento. Isso marcou para mim um caráter que hoje tento chegar perto, com um esforço enorme. Eu também espero que você nos presenteie com uma biografia um dia.

  19. JOÃO IUNES disse:

    Sou ainda aluno do Prof. Johnson, ás vezes lembro de suas aulas, do jeito de pegar no gogó, no olhar penetrante, da vontade de ensinar.
    Lembro da pontualidade, coitado aquele que chegasse com um minuto de atraso. Eram suas palavras:
    -Sabe porque cachorro entra na igreja?
    -Porque a porta está aberta, pode sair.
    Ai se dirigia a todos:
    -Não sei se vocês tomam só café, ou comem pão com manteiga, mas engenheiro não chega atrasado.
    Me formei, viajei pelo mundo, trabalhei em multinacionais, e um dia o encontrei na frente do antigo Banespa, dentro de uma Brasília, há muito tempo atrás, acho que sua esposa estava retirando seus proventos.
    Ele me reconheceu alegremente, e fiquei muito emocionado, perguntou, falei de mim, e sinceramente ficou muito feliz.
    Poderia ser milionário, mas resolveu ser professor, penso eu.
    Sílvia, não deixe seus livros, principalmente os “vetores” se perderem.
    Só tenho a dizer que me chamavam de “Jonhsinho”, e nesta época não gostava disto.
    Porém a êle que tinha um sorriso franco e tanta luz….
    O amor de um pai, de um homem, meu amor eterno.
    João Iunes

  20. Maria Cristina Folmer-Johnson disse:

    Também sou filha de Tore Nils. A terceira de seis.
    Não sei se somos, os seis juntos, capazes de construir uma biografia decente de nosso pai. Sem nem pensar muito, posso afirmar que ele, como ser humano e pai, autor e professor, mudou muito ao longo de sua vida, superando modelos anteriores, aprimorando-se, atualizando-se, tornando-se mais amoroso.

    Na infância, papai nos acompanhava à escola (Colégio Visconde de Porto Seguro), de ônibus. Andávamos muito, parávamos na viação cometa para tomar um café da manhã, parávamos no dentista, meu padrinho, para tratar dos dentes de um de nós – e seguíamos para a escola, que iniciava às 7h15! Da praça Roosevelt, ele seguia, a pé, até a Liberdade, para dar aulas no Cursinho Di Tulio – ou outra escola. No almoço, o inverso, vinha até nós e nos conduzia de volta até em casa, em Santana. Todos os dias!
    E conversávamos! A pé e de ônibus. Só no final da minha infância papai comprou um carro: uma perua DKW.

    À noite, papai chegava tarde, depois das aulas noturnas. Muitas vezes nós os esperávamos, para um lanche, um papo – às vezes a pretexto de um probleminha de física – só para o ouvirmos. E ele tinha toda a paciência e atenção, sempre. Uma vez escreveu no meu caderno – uma relíquia! O professor viu e olhou admirado, dizendo que eu poderia deixar ali mesmo.

    Sinto muito orgulho de ser filha do meu pai, como pai e professor. Sinto falta dele.

    Uma biografia? Difícil coletar dados de colegas, editores, amigos, familiares, alunos – muitos já falecidos.
    Temos, os filhos, os livros dele, que ajudávamos a elaborar – tão criticados por alguns, que pediam um livro “gostosinho” e a quem ele respondia que uma mosca, quando perde patas, asas, … não foi simplificada, mas mutilada – como queriam que fizesse com a física!
    Além disso temos cartas, anotações.
    Além disso temos nossas lembranças – algumas muito, muito queridas.
    Sei que ele quis mesmo ser professor e a essa carreira dedicou-se de corpo e alma.

    Cristina

    • Ronald Cintra Shellard disse:

      Caras Senhoras Maria Cristina Folmer-Johnson e Sílvia Morgan,

      Passear de forma aleatória pela Web traz resultados às vezes surpreendentes e assim esbarrei com referências ao Prof. Johnson.
      Sou físico, e hoje dirijo o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, no Rio de Janeiro. Fui alunos de seu pai no terceiro científico do Colégio Santo Américo, em 1966, ou seja mais de meio século atrás! Fui seu aluno também no Anglo-Latino e na Escola Politécnica. Lembro de pegar carona com ele saindo do Santo Américo, no seu DKW!
      Conheço outros cientistas que foram seus alunos. Prof. Johnson é parte da história da Ciência em nosso país
      Um grande abraço e tenham orgulho da memória de seu pai,
      Ronald Shellard

  21. Alessandro Contessa disse:

    São Paulo, 26 AGO 2017

    Prezadas Sílvia Morgan e Maria Cristina Folmer-Johnson

    Sou um dos muitos ex-alunos (curso Anglo Latino e Escola Politécnica) do seu grande e saudoso pai

    Caso as Sras. tomem conhecimento deste comentário, queiram por favor informar seu(s) endereço(s) de e-mail para que eu possa lhe(s) enviar uma cópia da minha “Ode ao Prof. Johnson” que compus em um [raro] momento de inspiração poética de engenheiro.

    Atenciosamente
    Prof. Dr. Engº Alessandro Berti CONTESSA
    e-mail: alex.b.contessa@terra.com.br

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