Professores do Brasil

Cláudia Costin, Diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da FGV, escreveu um breve texto em sua coluna na Folha de S. Paulo em 17 de maio de 2019, intitulado “Professores do Brasil”.

Inicialmente, ela faz menção a um “estudo recente”, mas sem indicar o link. Na verdade, não se trata de um estudo recente, mas de uma edição atualizada e revisada de um estudo publicado originalmente em 2009.

Costin aponta “boas notícias” da nova edição do estudo: “uma maior variedade entre os mestres e um número maior de inscritos em cursos de formação inicial”. Mas aponta também para o desafio de que esse aumento nas inscrições não refletiria maior prestígio na carreira, pois apenas 2,9% dos jovens brasileiros com idade de 15 anos desejam ser professores da educação básica. Além de que, “ao que tudo indica”, o aumento no número de inscritos seria devido à menor competitividade no acesso e ao desejo de ter um diploma de ensino superior.

A partir daí, Costin faz em sua matéria críticas à formação de professores a distância, que reproduzimos na íntegra para, em seguida, comentar:

Na publicação, ressalta-se ainda que 46% das matrículas se deram na modalidade de ensino a distância, o que é claramente inadequado para uma profissão que exige intensa conexão com a prática.
Um professor precisa cada vez mais saber atuar em atividades que demandam constantes interações com alunos, por meio de metodologias ativas e ativação cognitiva, num processo que, de acordo com a OCDE, requer pensamento de ordem mais elevada e resolução colaborativa de problemas.
Ora, as competências para esse trabalho dificilmente podem ser desenvolvidas em um curso a distância. Seria o mesmo que esperar que um médico aprendesse a operar pacientes em cursos puramente teóricos e online.
Muitos dos cursos oferecidos o são por instituições privadas que não produzem pesquisas e contam com currículos dissociados da realidade da escola.

Na verdade, o estudo (GATTI et al, 2019) utiliza a expressão “educação a distância” 91 vezes e a sigla EaD 17 vezes, sendo que a expressão “ensino a distância” aparece apenas 6 vezes no documento. A legislação brasileira tampouco privilegia a expressão. A Portaria 1.428 (BRASIL, MEC, 2018), por exemplo, fala de “modalidade a distância”, enquanto as Portarias 11 (BRASIL, MEC, 2017) e 275 (BRASIL, Capes, 2019) e o Decreto 9.057 (Brasil, Casa Civil, 2017) utilizam a expressão “educação a distância”. Mas além de “ensino a distância” não ter amparo na nossa legislação (nem no documento que Costin comenta), do ponto de vista pedagógico a expressão nos remete à educação bancária que Paulo Freire (1982) tão bem caracterizou, à qual ele opunha uma educação humanista e problematizadora. Chamar algo de “ensino a distância”, além de tecnicamente incorreto, já avalia negativamente, de antemão, a modalidade.

Mas continuemos pressupondo que Costin esteja falando de educação a distância (EaD). Para ela, a formação por EaD “é claramente inadequada para uma profissão que exige intensa conexão com a prática” e as competências para o trabalho de que o professor precisa “dificilmente podem ser desenvolvidas em um curso a distância”. Cabe perguntar, então, se os cursos da FGV online, instituição à qual a articulista está vinculada, não são direcionados a formar um profissional que precisa de intensa conexão com a prática? Ou não são capazes de desenvolver competências para o trabalho nesses profissionais?

Em primeiro lugar, importante lembrar que um curso a distância, no Brasil, nunca é 100% a distância. Ou seja, parte da sua carga horária é oferecida a distância, mas parte é oferecida presencialmente, em polos de apoio presencial e ambientes profissionais:

Art. 21 – Para fins desta Portaria, são considerados ambientes profissionais: empresas públicas ou privadas, indústrias, estabelecimentos comerciais ou de serviços, agências públicas e organismos governamentais, destinados a integrarem os processos formativos de cursos superiores a distância, como a realização de atividades presenciais ou estágios supervisionados, com justificada relevância descrita no PPC. (BRASIL, 2017a).

A educação a distância no Brasil se construiu baseada na ideia de atividades presenciais realizadas em polos. Assim, a argumentação de Costin já cairia por terra, porque um curso de EaD não prescinde necessariamente da formação prática, muito menos de interações. Aliás, há um número inteiro da TECCOGS – Revista Digital de Tecnologias Cognitivas, nº 9, Jan-Jun 2014, do Programa de pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD) / PUC-SP, para discutir esse fascinante tema das interações na educação a distância.

Um ambiente profissional pode, por exemplo, ser uma escola. É difícil compreender que um aluno de Pedagogia precise estar o tempo todo sentado em uma cadeira de uma sala de aula para discutir teorias de aprendizagem, legislação, história da educação etc. e que não possa realizar atividades práticas em polos de apoio presencial e em ambientes profissionais. E que, se não fizer isso, não será um bom professor. É difícil também aceitar que tudo o que vem realizando a UAB — Universidade Aberta do Brasil, que nasceu justamente focada nesse profissional, não tenha utilidade para o país: “A meta prioritária do Sistema UAB é contribuir para a Política Nacional de Formação de Professores do Ministério da Educação, por isso, as ofertas de vagas são prioritariamente voltadas para a formação inicial de professores da educação básica.”

Por outro lado, venho estudando com muito interesse e entusiasmo o uso de metodologias ativas em cursos a distância, e o consequente desenvolvimento dessas habilidades nos alunos a distância. Há uma bibliografia linda sobre o tema, da qual seleciono apenas alguns exemplos a seguir:

ANDERSON, Terry; ROURKE, Liam. Using web-based, group communication systems to support case study learning at a distance. The International Review of Research in Open and Distributed Learning, v. 3, n. 2, 2002.

CHEN, Charlie C.; SHANG, Rong-An; HARRIS, Albert. The efficacy of case method teaching in an online asynchronous learning environment. International Journal of Distance Education Technologies, v. 4, n. 2, p. 72–86, 2006.

CHOI, Ikseon; LEE, Sang Joon; KANG, Jeongwan. Implementing a case‐based e‐learning environment in a lecture‐oriented anaesthesiology class: do learning styles matter in complex problem solving over time? British Journal of Educational Technology, v. 40, n. 5, p. 933–947, 2009.

EUFRASIO JUNIOR, Nelson Luis. Do design instrucional ao design thinking: desafios e possibilidades para a inovação na educação corporativa na modalidade online: o caso SENACRS. 2015. Dissertação (Mestrado em Educação)—Unisinos, 2015.

FRANSSON, Martha; CHASE, Robin. Effects on student achievement of converting a case method MBA course to distance education: an exploratory study. In: ACADEMY OF MARKETING SCIENCE (AMS) ANNUAL CONFERENCE, 1999, Coral Gables, FL. NOBLE, Charles H. (Ed.). Proceedings of the… Springer International Publishing, 2015. p. 163–168.

GARTLAND, Marsha; FIELD, Teresa. Case method learning: online exploration and collaboration for multicultural education. Multicultural perspectives, v. 6, n. 1, p. 30–35, 2004.

KASLOFF, Peggy. Active online learning: implementing the case study/personal portfolio method. In: KIRSTEIN, Kurt D.; HINRICHS, Judy M.; OLSWANG, Steven G. (Ed.). Authentic instruction and online delivery: proven practices in higher education. CreateSpace Independent Publishing Platform, 2011. p. 283–304.

KRAUSE, Markus et al. A playful game changer: fostering student retention in online education with social gamification. In: ACM CONFERENCE ON LEARNING@ SCALE, 2., 2015, Vancouver. Proceedings… ACM, 2015. p. 95–102.

SCHNEIDER, M. D. ; ZANETTE, E. N. ; CECHELLA, N. C. T. P. Relato de experiência: metodologia de aprendizagem baseada em projeto, em curso de graduação a distância. Criar Educação, 2016. Edição Especial II Congresso Ibero-Americano de Humanidades, Ciências e Educação.

WEBB, Harold W.; GILL, Grandon; POE, Gary. Teaching with the case method online: pure versus hybrid approaches. Decision Sciences Journal of Innovative Education, v. 3, n. 2, p. 223–250, 2005.

Ou seja, Cláudia Costin: há incontáveis experiências que mostram o sucesso da utilização de metodologias ativas na educação a distância. Sala de aula invertida, peer instruction, método do caso, aprendizagem baseada em problemas, aprendizagem baseada em projetos, aprendizagem baseada em games, gamificação, design thinking, aprendizagem colaborativa e em grupo podem sim ser utilizadas em EaD, e para desenvolver competências e habilidades nos alunos.

Yang, Newby e Bill (2005), por exemplo, demonstraram que o uso da maiêutica socrática aprimorou as habilidades de pensamento crítico em alunos em fóruns de discussão assíncronos em cursos superiores a distância, o que, para Costin, parece difícil. E Johnson (2010) demonstrou que a educação a distância contribuiu para o desenvolvimento de habilidades de literacia da informação em alunos do ensino superior. Os resultados da literatura nessa direção são muitos.

Uma já clássica meta-análise, encomendada pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos, comparou estudos empíricos sobre aprendizagem presencial e online (MEANS et al, 2010). Os estudos selecionados mediam os resultados de aprendizagem dos estudantes, utilizaram um design de pesquisa rigoroso e forneceram informações adequadas para realizar cálculos dos resultados. A meta-análise concluiu que, em média, os alunos que estudaram online tiveram um desempenho modestamente melhor do que aqueles que estudaram presencialmente. Mas interessante notar que os melhores resultados ocorreram justamente nas experiências que mesclavam elementos online e presenciais, o que chamamos hoje de blended learning, que no final caracteriza a educação a distância no Brasil. Blended learning é, aliás, o tema do CIAED — Congresso Internacional ABED de Educação a Distância: “Abordagens Híbridas no Ensino-Aprendizagem na EaD”, ao qual Costin já está então convidada, pois assim, certamente, terá a oportunidade de ampliar sua visão sobre a modalidade.

Em sua argumentação contra a EaD, Costin afirma ainda que: “Muitos dos cursos oferecidos o são por instituições privadas que não produzem pesquisas e contam com currículos dissociados da realidade da escola.” Ora, em primeiro lugar, o são por instituições privadas porque a oferta de cursos de formação por instituições de ensino públicas não tem atendido à demanda. Então deveríamos, como país, formar menos, bem menos professores, restringindo sua formação à iniciativa pública? Há de antemão, no seu discurso, um preconceito em relação às instituições de ensino superior privadas, uma das quais, aliás, ela está vinculada? Seus currículos estariam dissociados da realidade da escola — mas os das instituições públicas não estariam?

A EaD é uma modalidade de educação consolidada no ensino superior do nosso país, do ponto de vista legal e prático, e não se justifica desqualificar todo o trabalho feito por legisladores, instituições de ensino superior, professores, avaliadores do MEC e outros atores, mesmo porque muitos cursos de EaD de Pedagogia e/ou formação de professores foram avaliados com notas máximas pelo MEC. Alunos já formados em cursos de Pedagogia e áreas afins, oferecidos a distância inclusive por instituições privadas, estão adequadamente posicionados em escolas e colaborando com o país, o que comprova que a EaD tem valiosas contribuições a dar à formação de professores, especialmente àqueles que seriam incapazes de abandonar as cidades do interior onde residem para estudar. As notas do Enade de alunos formados em curso de EaD, muitas vezes superiores às de alunos formados em cursos presenciais, atestam também a validade social desses cursos e sua capacidade de desenvolver habilidades e competências, mesmo para profissionais que tenham que interagir com seus alunos.

A educação a distância não é a solução para os problemas da educação brasileira. Mas breves matérias em colunas em jornais de tamanho impacto e importância, como a Folha de S. Paulo, que tratem a modalidade sem fundamentação adequada e com afirmações levianas, certamente não contribuirão para o desenvolvimento da nossa educação.

Referências

BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Portaria nº 1.428, de 28 de dezembro de 2018. Dispõe sobre a oferta, por Instituições de Educação Superior – IES, de disciplinas na modalidade a distância em cursos de graduação presencial.

BRASIL. Ministério da Educação (MEC). Portaria Normativa nº 11, de 20 de junho de 2017a. Estabelece normas para o credenciamento de instituições e a oferta de cursos superiores a distância, em conformidade com o Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017.

BRASIL. Ministério da Educação/Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Portaria nº 275, de 18 de dezembro de 2018. Dispõe sobre os programas de pós-graduação stricto sensu na modalidade a distância.

BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto nº 9.057, de 25 de maio de 2017b. Regulamenta o art. 80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 11. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.

GATTI, Bernadete A.; BARRETTO, Elba Siqueira de Sá; ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo Afonso de; ALMEIDA, Patrícia Cristina Albieri de. Professores do Brasil: novos cenários de formação. Brasília: UNESCO, 2019.

JOHNSTON, Nicole. Is an online learning module an effective way to develop information literacy skills? Australian Academic & Research Libraries, v. 41, n. 3, p. 207-218, 2010.

MEANS, Barbara; TOYAMA, Yukie; MURPHY Robert; BAKIA Marianne; JONES Karla. Evaluation of evidence-based practices in online learning: a meta-analysis and review of online learning studies. U.S. Department of Education Office of Planning, Evaluation, and Policy Development Policy and Program Studies Service, 2010.

YANG, Ya-Ting C.; NEWBY, Timothy J.; BILL, Robert L. Using Socratic questioning to promote critical thinking skills through asynchronous discussion forums in distance learning environments. The American Journal of Distance Education, v. 19, n. 3, p. 163-181, 2005.

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Fomento a Pesquisas

Faço neste post um apenhado de fontes de financiamento para pesquisa em agência de fomento. Vou atualizando dinamicamente o post, inclusive a partir dos seus comentários.

FAPESP

Regular
Até 24 meses, com a possibilidade de prorrogação por até 6 meses adicionais em condições excepcionais.
fluxo contínuo

Projeto Temático
duração de até cinco anos com a possibilidade de prorrogação por até 12 meses adicionais em condições excepcionais
fluxo contínuo

Organização de Reunião Científica e/ou Tecnológica
Solicitação em qualquer época do ano

Participação em Reunião Científica e/ou Tecnológica
Solicitação em qualquer época do ano

Publicações
artigos só de pesquisas financiadas pela FAPESP
livros financiados pela FAPESP

Reparo de Equipamento

Pesquisador Visitante

Bolsa de Iniciação Científica

Bolsa de Mestrado

Bolsa de Doutorado

Bolsa de Pós-Doutorado

CNPq

Bolsas

Auxílios

Projeto Individual de Pesquisa
A duração do projeto individual de pesquisa será estabelecida na chamada específica.

Chamada CNPq Nº 04/2019 – Auxílio à Promoção de Eventos Científicos, Tecnológicos e/ou de Inovação – ARC

Chamadas Públicas

CAPES

AUXPE

Fundação Araucária

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Psicologia Internacional

Você sabe o que é Psicologia Internacional? É possível ensinar e estudar Psicologia a distância?

A Professora Doutora Viviane de Castro Pecanha, Chair do Departmento de International Psychology da The Chicago School of Professional Psychology apresenta os cursos online de Psicologia Internacional da instituição, incluindo: Certificado, Mestrado e Doutorado.

Confira também o prêmio internacional que o Doutorado ganhou.

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CS 162

Estou agora cursando CS 162: Introduction to Computer Science II.

Vou registrando por aqui alguns recursos.

C++ Programming no Wikibooks.

Bucky’s C++ Tutorials on Youtube (Links to an external site.)Links to an external site.

This series of videos are introduction level of C++ and easy to follow. He explains the concept with code examples.

Bucky’s C++ Tutorials Playlist

C++ Language Tutorial (Juan Soulié) – famoso tutorial de C++, tem também um fórum

LearnCpp.com – tutoriais

An Introduction to the Imperative Part of C++ (Rob Miller, 1996, completado por outros) – aulas (escritas) e exercícios de um curso introdutório de Computação ministrado no Imperial College London

How to think like a computer scientist (Allen B. Downey, 2012) – livro licenciado com Creative Commons Attribution-NonCommercial 3.0 Unported License

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Grupos que pesquisam Games no Brasil

Uma busca no Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil, do CNPq, retorna os seguintes grupos que têm game ou jogo (o que acaba valendo na busca também para os plurais) no nome dos Grupos (a busca poderia ser ampliada incluindo uma dessas palavras no Nome da linha de pesquisa e Palavra-chave da linha de pesquisa e com o uso de outras palavras).

1. CEGI – Centro de Estudos em Games e Internet
2. Educomgames
3. FacomGames
4. G.A.M.I.N.G – Grupo de Estudos Avançados, Métodos e Inovação em Games
5. Games, Educação, Tecnologia e Sociedade (GETS)
6. Grupo de Pesquisa GEMS – Games, Educação, Mídia e Sentido
7. Interação e Games – UFGD
8. EGOS – Laboratório de Engenharia de Software, Games, Ontologia e Sistemas
9. Mídias Digitais, Interatividade, Games e Educação
10. Núcleo de Games, Atividades e Metodologia de Ensino
11. CAJES – Computação Aplicada a Jogos Educação e Saúde
12. Design de Jogos, Processo Decisório e Cenários Prospectivos
13. Espaço, Poética, Jogo
14. Esportídia – Estudos Analíticos de Esporte, Jogos e Mídia
15. Grupo de Estudos e Pesquisas em Lazer, Educação e Jogo – GEPLEJ
16. Grupo de Jogos para o Ensino de Ciências e História
17. Grupo de Pesquisa em Economia Política e Teoria dos Jogos
18. Grupo de Pesquisa em Jogos Digitais
19. Grupo de Visualização, Simulação e Jogos Digitais
20. Impacto de jogos em contextos sócio-educativos
21. Jogos Digitais no Ensino Superior
22. Jogos Digitais para Auxiliar Crianças com Diabetes sobre Orientações Básicas de Rotina Diária
23. Jogos e Saúde

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Educação a Distância no Ensino Superior no Brasil: Metodologias e Tecnologias

Este é o meu projeto de pesquisa atual no PPGENT – Programa de Pós-Graduação em Educação e Novas Tecnologias da Uninter

Educação a Distância no Ensino Superior no Brasil: Metodologias e Tecnologias
João Augusto Mattar Neto

Este projeto de pesquisa (2017-2020) busca mapear os usos de algumas metodologias e tecnologias utilizadas no ensino superior a distância em nosso país, especificamente em cursos de graduação. Da perspectiva metodológica, pretende-se diferenciar e analisar os modelos de design educacional que guiam esses cursos, além de investigar como metodologias ativas, tais como método de caso, aprendizagem baseada em problemas, aprendizagem baseada em projetos e gamificação, estão incorporadas ao planejamento de cursos, disciplinas e atividades de EaD. Da perspectiva tecnológica, pretende-se analisar como Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), games e aplicativos para dispositivos móveis são utilizados na educação a distância em nosso país. O campo da pesquisa inclui a organização, a estrutura, a gestão e as atividades realizadas nos polos de apoio presencial das Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras. Importante ressaltar que as boas práticas da educação a distância no exterior interessam diretamente à pesquisa, funcionando como sua fundamentação.

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A aprendizagem baseada em projetos na cultura digital

Este é o meu projeto de pesquisa atual no TIDD – Programa de Estudos Pós-Graduados em Tecnologias da Inteligência e Design Digital na PUC-SP

A aprendizagem baseada em projetos na cultura digital
Ana Maria Di Grado Hessel, Claudio André e João Mattar

Este projeto de pesquisa pretende explorar o potencial da aprendizagem baseada em projetos (ABP) na cultura digital, associando-a com o uso de tecnologias na educação, a educação a distância e a formação online.

Bender (2014) prevê que a aprendizagem baseada em projetos se tornará o principal modelo de ensino deste século. A ABP é uma metodologia pela qual os alunos constroem conhecimento e adquirem habilidades ao trabalharem por um longo período na investigação de problemas, questões e/ou desafios autênticos, envolventes e complexos (BUCK INSTITUTE FOR EDUCATION, 2008). Em geral, os projetos emergem a partir de um contexto autêntico, abordam questões controversas ou importantes na comunidade e se desdobram de modos imprevistos. Assim, a aprendizagem baseada em projetos leva os alunos a criarem, colaborativamente, significado a partir do caos da superabundância de informações, a fim de articularem e apresentarem soluções eficazes para problemas.

Neste projeto, a teoria da complexidade é um dos referenciais teóricos para a reflexão sobre a construção do conhecimento e a cognição na ABP. O pensamento complexo contribui para o entendimento do contexto atual do ciberespaço. No cenário das redes, a construção de conhecimento reconfigura-se em relações sistêmicas, tornando-se necessário transcender o enfoque cognitivo ancorado na linearidade e na fragmentação. Teorias de aprendizagem e metodologias ativas (como problemas, games e gamificação) são também referências para o projeto.

Um dos elementos essenciais do design de projetos para o BIE é um produto público: os alunos tornam público seu trabalho, explicando, exibindo e/ou apresentando-o a pessoas além da sala de aula. Nesse sentido, o objetivo deste projeto é elaborar diversos produtos e disponibilizá-los gratuitamente online.

Cultura e Letramento Digital é uma das competências propostas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do MEC (http://basenacionalcomum.mec.gov.br/), cujo objetivo é compreender, utilizar e criar tecnologias de forma crítica, significativa e ética, para que os alunos possam comunicar-se, acessar e produzir informações e conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria. O letramento digital envolve o uso confiante e crítico das Tecnologias da Informação e Comunicação (TDICs) para o trabalho, a educação, o lazer e a comunicação. É sustentado por habilidades básicas, como, por exemplo: o uso de computadores e celulares para recuperar, avaliar, armazenar, produzir, apresentar e trocar informações, e para se comunicar e participar de redes colaborativas através da Internet. Assim, os produtos elaborados no âmbito deste projeto propõem-se a colaborar para a cultura e o letramento digital.

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Softwares para Análise

Há importantes softwares de análise quantitativa (CAQDAS – Computer-assisted qualitative data analysis software) e qualitativa. Listo alguns aqui e vou atualizando dinamicamente, até em função dos comentários de vocês. Então comentem os que vocês usam.

ATLAS.ti

HyperRESEARCH

MAXQDA

NVivo

webQDA

Análise Quantitativa:

Analytica

R

SPSS

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Viagem Europa

Fiz uma viagem maravilhosa para a Europa entre dezembro de 2018 e fevereiro de 2019, que durou 47 dias e vou tentar resumir dinamicamente por aqui. Viajei representando o Centro Universitário Internacional Uninter, onde leciono no Mestrado em Educação e Novas Tecnologias, e a ABED – Associação Brasileira de Educação a Distância.

09/01 participei de um LE@D´Talk na UAb (Universidade Aberta de Portugal), coordenado pela querida Lina Morgado, falando sobre os Desafios Atuais da Educação a Distância. Os LE@D´Talks são coordenados pelo Laboratório de Educação a Distância e E-Learning (LE@D) da UAb.

De 10 a 11/01 participei do VIII Congresso Internacional de Tecnología, Ciencia y Sociedad na Universidade Nova de Lisboa. Apresentei 2 trabalhos:
- Gamificação da disciplina Metodologia da Pesquisa no ensino superior no Brasil: estudo de caso, resultado de pesquisa com minha aluna de Mestrado na Uninter Patrícia da Silva Tristão
- A educação a distância no ensino superior no Brasil, resultado de pesquisa com minhas alunas de Mestrado na Uninter Francieli Carvalho Castro e Oriana Gaio.

12/01 conduzi (manhã e tarde) o workshop BYOD Metodologias Ativas de Ensino e Aprendizagem, a convite da querida Ana Loureiro, coordenadora do Mestrado em Recursos Digitais em Educação na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Santarém.

14/01 ministrei a palestra Metodologias Ativas para a Educação Presencial, Blended e a Distância na Universidade de Coimbra, a convite da querida Teresa Pessoa, em um evento na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação chamado de Partilha de Práticas Pedagógicas Inovadoras, promovido em conjunto com a Faculdade de Economia.

15/01 reunião com o grupo de e-learning da Universidade de Coimbra.

19/01 participei do encont[RA]r – Encontro Internacional de Tecnologia de Realidade Aumentada na Educação, na Escola Secundária Tomaz Pelayo em Santo Tirso, coordenado por Ricardo Monteiro, Manuel Flores António e os queridos Quintas-Mendes e Teresa Cardoso.

21/01 reunião com João Filipe Matos, Nuno Ricardo Oliveira e equipe da Reitoria da Universidade de Lisboa sobre possíveis parcerias em Educação a Distância e Tecnologia Educacional.

De 23 a 26/01 participei da Bett Show em Londres, onde assisti por exemplo à apresentação do Mitchel Resnick, do Media Lab do MIT, Lifelong kindergarten: cultivating creativity through projects, passion, peers and play,

29/01 almocei com o reitor da Universidade Aberta de Portugal, Paulo Dias, para falar sobre Educação a Distância, parcerias e a participação de instituições de ensino brasileiras na Associação de Educação a Distância dos Países de Língua Portuguesa, constituída por iniciativa da Universidade Aberta de Portugal com patrocínio da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Depois do almoço tive uma reunião com equipe de investigadores do LE@D – Laboratório de Educação a Distância e E-Learning (LE@D) da Universidade Aberta de Portugal – coordenadora científica, Doutora Lina Morgado, Doutora Lúcia Amante, Doutor António Quintas, Doutora Maria do Carmo T. Pinto e Doutora Claúdia Neves – para o stabelecimento de parcerias, na área da pesquisa científica em Educação a Distância, entre o LE@D, a ABED – Associação Brasileira de Educação a Distância do Brasil e a Uninter.

30/01 conduzi o Workshop Metodologias Ativas, gamificação e bLearning em contextos práticos, no Lab Aberto Fab Lab em Torres Vedas, a convite do querido António Gonçalves.

De 31/01 a 01/02 participei do XXVI Colóquio da AFIRSE Portugal, com os seguintes trabalhos apresentados:
- “A contradição do tempo na educação à distância – flexibilidade ou dificuldade? Um estudo com alunos
brasileiros”
- “Produção de material didático para a educação a distância no Brasil”, por minha orientanda na PUC-SP, Viviane Marques Goi
e apresentei o trabalho
- “A contribuição dos MOOCs para a educação não formal”, produzido em conjunto com minhas orientandas na PUC-SP Josiane Laurentino e Rosimeire Vizentim e meu aluno Mauro Berimbau.

01/02 assinei com o reitor Paulo Dias importante acordo de cooperação entre a UAb (Universidade Aberta de Portugal) e a ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância). Destaco a visão e o trabalho da Daniela Melaré Vieira Barros e do António Moreira Teixeira para que o convênio fosse assinado.

04/02 foi um dia agitado na viagem. Assinei convênio entre a Uninter e o Instituto Politécnico de Santarém (com o apoio da Ana Loureiro) e convênios entre Instituto Politécnico de Leiria (com o apoio da professora Isabel Pereira), a Uninter e a ABED. No final de tarde, reunião na Universidade de Aveiro com membros do DeCA (Departamento de Comunicação e Arte) – seu Diretor, Rui Raposo, e os professores Fernando Manuel dos Santos Ramos, Carlos Manuel das Neves Santos e Luís Francisco Mendes Gabriel Pedro, para projetar possíveis parcerias de pesquisa. E de noite o conversas2.BEER, organizado pelo Departamento de Comunicação e Arte DeCA da Universidade de Aveiro, com muita gente bacana para discutir Games, Gamificação e Aprendizagem.

05/02 participei da comissão organizadora do I Encontro Luso-Brasileiro de Educação e Tecnologias (ELBET), atividade do CIDTFF – Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores da Universidade de Aveiro. Da Universidade participaram também da organização os professores Rui Marques Vieira, António Moreira e Luis Pedro. Tive os seguintes trabalhos apresentados:
- A percepção dos estudantes sobre o uso de tecnologias no blended learning, resultado da pesquisa de Nathália Savione Machado na Uninter
- Design de um MOOC para Formação de Gestores de Polos de Educação a Distância, resultado da pesquisa de Francieli Castro e Oriana Gaio também na Uninter
- Docência orientada em um curso online: relato de experiência, resultado da pesquisa de Wanderlucy Czeszak e Oriana Gaio na Uninter e na Artesanato Educacional
Fiz também uma abertura com uma Síntese da Investigação do grupo do Brasil e uma síntese final com o professor António Moreira.

06/02 participei de 2 bancas (júris, em Portugal) na Universidade do Porto, a convite do querido Leonel Morgado. De tarde fiz uma visita à unidade de e-learning e inovação pedagógica do Politécnico do Porto, conduzida pela querida Paula Peres, e nos reunimos também na reitoria para discutir parcerias com a ABED e a Uninter.

E para fechar, entre 07 e 08/02 participei de 2 eventos.
Congresso Internacional sobre Avaliação no Ensino Superior, na Universidade do Minho em Braga, com os seguintes trabalhos apresentados:
- Avaliação na educação à distância e possíveis correlações: estudo em um curso a distância de extensão ofertado no Brasil
- Autoavaliação como uma Estratégia Pedagógica em um Curso Online de Formação de Professores: estudo de caso, em parceria com Wanderlucy Czeszak
- Universidade do Minho, Instituto de Educação
Centro de Investigação em Estudos da Criança, resultado da pesquisa de Viviane Marques Goi na PUC-SP
V Conferência Ibérica de Inovação na Educação com Tecnologias da Informação e Comunicação (ieTIC2019), no Instituto Politécnico de Bragança, com os seguintes trabalhos apresentados:
- Desafios que influenciam na implementação do blended learning, resultado da pesquisa da Nathália Machado na Uninter
- MOOC para formação de gestores de polos de educação a distância, resultado da pesquisa de Oriana Gaio e Francieli Castro na Uninter

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DISCRETE STRUCTURES IN CS (CS 225)

Esta é a segunda disciplina que estou cursando na graduação em Computer Science na Oregon State University. Reproduzo aqui alguns links etc.

Bibliografia requerida
Discrete Mathematics with Applications (4th Edition), Susanna S. Epp.

Bibliografia sugerida
Discrete Mathematics and Its Applications (7th Edition), Kenneth Rosen.

Using the Equation Editor In Microsoft Word 2010

Revisão para o curso:

Types of numbers and their properties
Associative, commutative and distributive properties of number
Factoring polynomials (mainly quadratics)
Algebraic formulas (binomial theorems (squares and cubes), difference of squares etc. )
Factorial
Laws of exponents
Laws of fractional exponents
Arithmetic and geometric progressions
Inequalities

Símbolos lógicos:
≥ ≤ ≠ ¬ ∧ ∨ ⊕ ≡ → ↔ ∃ ∀ (pode-se usar tanto ~ quanto ¬ como símbolo negativo)

Translations in Monadic Predicate Logic – capítulo 6 de Hardegree, Symbolic Logic

Sugestão de leitura: Gödel, Escher, Bach: um entrelaçamento de Gênios Brilhantes

Mathematical proof
List of types of numbers
Natural numbers (N): {0, 1, 2, 3, …}
Integers (Z) {…, −3, −2, −1, 0, 1, 2, 3, …}
Rational numbers (Q): numbers that can be expressed as a ratio of an integer to a non-zero integer
Irrational numbers (I): real numbers that are not rational; among irrational numbers are the ratio π of a circle’s circumference to its diameter, Euler’s number e, the golden ratio φ, and all square roots of natural numbers, other than of perfect squares
Real numbers (R): includes all the rational and irrational numbers

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