A Essência e a Aparência

Para Saramago, em Ensaio sobre a Cegueira, a visão nos cega, pois prestamos atenção apenas às aparências, que nos afastam da essência. Presos na Caverna de Platão, acreditamos que as sombras sejam a realidade.

Para Nietzsche, a realidade é a aparência, e a essência é uma mentira, uma ilusão inventada pelo ser humano (pela filosofia, pelo cristianismo etc.), porque é muito difícil encarar a efemeridade, multiplicidade e constante mutação do real. O artigo A Afirmação da Existência, em Nietzsche, de José Amorim de Oliveira Júnior, discute a visão de Nietzsche sobre a dualidade aparência/essência.

Para William James, o pensamento está sempre em movimento. Nenhum estado pode voltar a ocorrer e ser idêntico ao que foi antes. Não temos a mesma sensação corporal duas vezes. A vida e as sensações são um rio, e seria mais certo dizer, como Heráclito, que nunca nos banhamos duas vezes na mesma corrente.

Além de as sensações estarem sempre em mutação, seguindo as mutações de nossa capacidade de sentir, podemos lembrar que o cérebro também está em constante modificação. Toda sensação corresponde a alguma ação cerebral. Para uma sensação idêntica voltar a acontecer, teria que ocorrer uma segunda vez em um cérebro não modificado, o que é impossível do ponto de vista fisiológico

Para Howard Gardner, temos múltiplas inteligências. Para Freud e Jung, a consciência é um fino véu que cobre a mente humana, mergulhada no oceano do inconsciente. Temos todos múltiplas personalidades. Somos todos, em maior ou menor grau, Sybils.

Não somos unos; ao contrário, somos um fluxo, assim como a realidade. E é justamente para lidar com esse fluxo que nunca pára, que inventamos a idéia da unidade por trás de uma pessoa, de um mundo sólido por trás da realidade, da essência por trás da aparência. Que criamos uma mentira por trás da realidade, e transformamos a aparência em mentira.

Como se classifica a moda nessa confusão? Ela estaria do lado da aparência, e por isso nos afastando da verdadeira essência? Ou ela estaria justamente acompanhando esse fluxo que caracteriza a realidade e a nossa percepção? A moda tem alguma profundidade?

Como seria um desfile na Caverna de Platão? Como seria maquiar uma sombra?

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12 respostas a A Essência e a Aparência

  1. Marcello disse:

    Maquiar uma sombra seria uma tarefa simples, bastaria aplicar na dose certa, a luz necessária.

    Aparência e essência são duas faces da mesma moeda, apenas não devemos olhar sempre para “cara” ou para a “coroa”. Devemos surfar, sempre de um lado ao outro e manter o equilibrio, ser essência e ser aparência num fluxo continuo.

    Marcello

  2. danissa disse:

    muito bom esse texto! adorei !

  3. serpente disse:

    filosofia essencia e aparencia…………………………. xD

    abrsssss

    Deus te pague

  4. anaconda disse:

    filosofia essencia e aparencia……………
    antonio nunes……………
    kkkkkkk……..
    xD…….

  5. serpente disse:

    Antoniiiiiiiiiiiiiiiiioooooooooooo Nunes

  6. Débora disse:

    hum muti legal mesmo

  7. daiany disse:

    otimo conteudo e muito bem explicado

  8. where my post go? ain’t writing it out again lol

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  10. Mylenna disse:

    Então para Nietzsche é mais fácil acreditar na aparência do que enfrentar a realidade ?

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