UCA Peru

Technology and Child Development: Evidence from the One Laptop per Child Program, publicado recentemente, autodenomina-se a primeira avaliação randomizada em larga escala dos impactos do programa OLP (One Laptop per Child) ou UCA (Um Computador por Aluno).

O estudo foi realizado em 319 escolas primárias públicas em comunidades rurais pequenas e pobres no Peru, durante os 15 primeiros meses de implementação do programa. As escolas foram divididas em 2 grupos: de tratamento (209 escolas em que o UCA foi implementado) e de controle (110 escolas que não receberam os laptops).

Houve naturalmente um aumento considerável tanto no acesso quanto no uso de computadores pelos alunos do grupo de tratamento, tanto nas escolas quanto em casa.

Entretanto, não foram encontradas evidências de que o programa tenha melhorado a aprendizagem dos alunos nem em matemática, nem em linguagem. Nessa direção, um resultado interessante do estudo foi que, apesar de os laptops virem com 200 livros, enquanto os alunos do grupo de controle possuíam apenas alguns livros em casa, não houve evidências de que o programa tenha influenciado os hábitos de leitura dos alunos.

Além disso, o programa não afetou as matrículas, nem a frequência às aulas, nem a motivação para a aprendizagem, nem o tempo dedicado ao estudo em casa.

O programa tampouco parece ter afetado a qualidade da instrução nas aulas, tendo produzido, no máximo, modestas mudanças nas práticas pedagógicas.

Como resultado positivo, o programa parece ter gerado alguns benefícios em habilidades cognitivas gerais, além de ter naturalmente desenvolvido habilidades de uso de computador.

O estudo reforça que o foco na tecnologia, associado à falta de formação adequada dos professores para a incorporação dessas tecnologias à educação, com objetivos alinhados ao currículo, não geram automaticamente resultados positivos para a aprendizagem dos alunos.

O relatório traz ainda discussões sobre uma série de outros resultados e apresenta um grande número de tabelas e dados – vale a pena dar uma olhada. Um detalhe importante: em praticamente nenhuma escola havia acesso à Internet.

Cf. a apresentação do relatório no Educational Technology Debate, de onde foram linkadas as fotos deste post, que vai discuti-lo nas próximas semanas.

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4 respostas a UCA Peru

  1. Simão Pedro Marinho disse:

    Querer enxergar coincidência entre o projeto OLPC e o UCA não é adequado. não convém. Um Computador por Criança, a proposta da ONG criada por Nicholas Negroponte, não significa um computador por aluno. Quem conhece a história do laptop de US$ 100, hoje chamado de educacional, desde o seu início deve se lembrar que no site daquela ONG estava explícito o seu objetivo : “To provide children around the world with new opportunities to explore, experiment and express themselves”. Não se falava em escola, em integração curricular da tecnologia.
    Ao levar o laptop para a criança na/da escola, o aluno, a proposta do governo brasileiro se afastou da proposta da OLPC.

  2. João Mattar disse:

    Simão, o estudo comentado aqui focou no programa OLPC em escolas no Peru e não traçou relações diretas com o UCA no Brasil.

  3. Simão Pedro disse:

    Meu caro, mas UCA está desde o título do post, provocando uma associação imediata. O acrônimo é repetido. Você sabe que UCA é UCA, OLPC é OLPC. Mas quem garante que o leitor do seu blog saberá?

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