CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. Trad. Roneide Venâncio Majer. 4. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999. A era da informação: economia, sociedade e cultura; v. 1. Resenha de João Mattar.
Criei um grupo de leitura com meus alunos de Ciências Sociais na Anhembi, neste semestre, para discutirmos este clássico. Utilizaremos esta edição pois é a que tem mais exemplares na biblioteca. Por aqui, registrarei a minha resenha e alguns flashs das discussões. A resenha está portanto em construção – quando esta observação sumir daqui, estará terminada.
Prefácio
Fernando Henrique Cardoso afirma que o livro é um marco nos esforços intelectuais para a compreensão de nossa época e de seus desafios, e uma contribuição notável à ciência social de nosso tempo. Os 2 volumes seguintes são: O Poder da Identidade e O Fim de Milênio.
Prólogo: a Rede e o Ser
Passamos no final do milênio por uma revisão geral do capitalismo e das relações sociais. Além dos aspectos positivos dessas mudanças, observamos também a consolidação de buracos negros de miséria humana na economia global, a exclusão e a fragmentação social, a globalização das atividades e organizações criminosas e do fundamentalismo religioso, dentre outras conseqüências negativas.
O livro parte da revolução da tecnologia da informação para analisar a nova economia. O Prólogo retorna ao Renascimento para comparar as culturas européia e chinesa, passa pelo Japão e pelo colapso da União Soviética para chegar aos anos 80, quando o capitalismo se modificou em função da revolução informacional. Apesar de podermos falar em capitalismo informacional, o livro separará, durante a análise, a reestruturação capitalista do informacionalismo. Esses e outros conceitos são abordados teoricamente durante o prólogo, da perspectiva da sociologia. Uma comparação importante:
“No modo de desenvolvimento industrial, a principal fonte de produtividade reside na introdução de novas fontes de energia e na capacidade de descentralização do uso de energia ao longo dos processos produtivo e de circulação. No novo modo informacional de desenvolvimento, a fonte de produtividade acha-se na tecnologia de geração de conhecimentos, de processamento da informação e de comunicação de símbolos.” (p. 35)
É importante ainda ressaltar que os países participam dessa revolução informacional global de maneiras distintas, com suas especificidades históricas e culturais. Um dos temas centrais do livro é justamente como se constitui a identidade dos grupos sociais e do sujeito numa cultura global da rede.
O Prólogo termina com uma rápida reflexão sobre o método utilizado nos 3 volumes. O vol. I trata da Rede, o vol. II da interação entre o Ser e a Rede, e o vol. III procura interpretar as transformações históricas recentes.
Capítulo 1. A Revolução da Tecnologia da Informação
No final do século XX, com a Revolução da Tecnologia da Informação, vivemos uma ruptura na história similar ao que se observou com a Revolução Industrial do século XVIII. Para Castells, a tecnologia da informação inclui, além de microeletrônica, computação, telecomunicações/radiodifusão e optoeletrônica (transmissão por fibra ótica e laser), também a engenharia genética.
Uma das características mais importantes da revolução da informação é a inovação constante. O capítulo traça um histórico de inovações tecnológicas como transistor, chips, circuito integrado, microprocessador, microcomputadores, softwares, telecomunicações (roteadores, comutadores eletrônicos e tecnologias de transmissão), Internet e Engenharia Genética. Com a crise econômica do início da década de 1970, houve uma tentativa de reorganização da sociedade através da apropriação dessas novas tecnologias.
O capítulo explora também por que a revolução teria se concentrado nos Estados Unidos, mais especificamente na Califórnia e no Vale do Silício, onde ocorreu uma combinação muito feliz entre espírito empreendedor, inovação e pesquisa.
O paradigma da tecnologia da informação é definido por algumas características: a informação é a matéria-prima; a penetrabilidade dos efeitos das novas tecnologias em todos os processos de nossa existência; a lógica de redes; flexibilidade e capacidade de reconfiguração; e a convergência de tecnologias. Tudo isso gerou uma nova epistemologia, baseada na idéia de complexidade.