Semântica

Quando uma criança conhece cachorro por au-au e gato por miau, e vê pela primeira vez um esquilo, sua tendência inicial é tentar classificá-lo como au-au ou miau.

Quando ela aprende, aos poucos, que existe um significante ‘esquilo’, não só aprende uma nova palavra, mas no seu sistema semântico constrói-se simultaneamente uma nova categoria (um novo signo), independente de ‘cachorro’ e ‘gato’, ou seja, conjuntamente ela aprende um novo significante e um novo significado (o conceito de ‘esquilo’).

É claro que o esquilo enquanto animal, objeto, continua a ter a mesma existência. Mas para a criança, só então ele passa a existir como signo, podendo agora ser representado de forma diferente do que cachorros e os gatos.

Selecionei alguns vídeos que mostram o aprendizado de palavras que representam animais. Palavras são signos, portanto um novo significante e um novo significado.

Aqui, o Bambi aprende a falar bird, chama uma borboleta de pássaro, chama uma flor de borboleta, e então chama um novo animalizinho de flor. O vídeo é muito ilustrativo porque o significante aprendido vai sendo usado para coisas parecidas, ou que se encontram no mesmo lugar, e o aprendizado de uma nova palavra (um novo signo) é, simultaneamente, o aprendizado de uma nova porção da realidade, uma novidade no mundo do Bambi:

Mais alguma sugestão, que represente bem essa ideia de que uma nova palavra constrói também um novo significado?

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6 respostas a Semântica

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  2. Ferdinand disse:

    De Mattar
    Sei que não tinhas esta intenção mas, não vejo esta relação direta entre palavra e significado. O significado das palavras depende muito também do contexto. E depois a palavra ( falada ou escrita), representa a intenção do emissor da comunicação. Já o receptor ( ouvinte, leitor), pode não entender nada, parte ou tudo, ou mesmo tudo ao contrário em diversos graus. O significado é reconstruído na mente do receptor, e esta reconstrução depende de um monte de variáveis.

  3. João Mattar disse:

    Sem dúvida, Ferdinand, o contexto, a intenção do emissor etc. acabam influenciando na reconstrução do significado pelo receptor. Mas aqui, estou explorando casos em que um novo significante, acompanhado de um novo significado, é criado na mente do receptor. Independente de como se dá essa construção, há uma modificação na estrutura semântica do receptor, porque ele agora tem que arrumar lugar para um conceito onde, antes, existia(m) outro(s).

  4. T disse:

    Mas João, necessita ser uma nova palavra para que se possa construir um novo significado?
    Por favor responda!

    Muitas vezes posso através de um símbolo construir, na mesma palavra que o representa, na linguagem que o determina, um novo significado!

    Por exemplo, morei na Argélia, e os árabes não possuíam na linguagem o nome de geladeiras em árabe, por isso se apossaram da palavra na língua francesa e anexaram.

    Outro exemplo, “abajour”, poderemos denominar de outra forma em Português. Pior é que esqueci no momento :)

    não cabe no exemplo?

  5. João Mattar disse:

    Novos significados podem ser construídos sem novas palavras ou novos símbolos, mas o movimento descrito aqui é o da criação de um novo significante associado a um novo significado. Como um novo significante (associado a um novo significado) força uma reorganização do campo semântico de quem está aprendendo.

  6. T disse:

    hum, ok.
    Agora sei distinguir o que vc fala no campo da semântica e o encontro de significados se pensarmos na via neuronal…… Acho! acho q sim.
    Bem, mas mesmo assim, o forçar a barra reorganizando o campo semântico passa por lá tbem.. :-P
    obrigadinho

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