Em 06 de Maio de 2008 eu presidi o 1º Seminário EAD – Ensino a Distância, realizado no Mercure São Paulo Paulista e organizado pelo IBC – International Business Communications. Eu já tinha coberto por aqui a Conferência Tecnologia para IES Privadas, também organizada pelo IBC em 2007.
Hélio Chaves Filho, Diretor de Regulação e Supervisão em EaD da SEED – Secretaria de Educação a Distância, abriu o evento com a palestra: Acompanhe as Perspectivas do Governo, Desafios Futuros e Taxas de Crescimento do Ensino a Distância no Brasil.

Segundo Hélio Chaves, temos um grupo pequeno e pouco qualificado que pensa a EaD no Brasil. Nosso país tem também uma baixa % da população adulta com educação superior, mas pelo otimismo dele, a EaD vai corrigir em pouco espaço de tempo essa defasagem, já que poucos municípios oferecem educação superior. Além disso, temos um problema grave de falta de professores. Em física e química, p.ex., mesmo que todos os licenciados nos últimos anos dessem aula no ensino médio, ainda teríamos um enorme déficit. Em física a demanda é de 3x os licenciados, e em química mais de 2x. Mas o problema é ainda mais grave porque os licenciados não vão todos para a sala de aula – há mais licenciados do que professores, além da falta de qualificação de quem já atua, e a qualificação de professores seria um dos pilares para o desenvolvimento científico e tecnológico do nosso país. Há também uma diferença na qualificação e produção científica no ensino superior x na educação básica. Hélio apresentou números do crescimento de cursos de EaD em graduação, mas ressaltou que a expansão não é garantia de qualidade. Apresentou ainda alguns números da UAB – Universidade Aberta do Brasil assim como do ENADE, em que os alunos de alguns cursos à distância tiveram notas iguais ou melhores que os alunos presenciais. Em História e Geografia, p.ex., os alunos presenciais foram muito melhor que os alunos à distância, enquanto em Ciências Sociais os alunos à distância foram muito melhor que os alunos presenciais. Segundo Hélio, o ingressante em EaD, ao contrário do que se pensa, é jovem e com formação e experiência similares ao aluno da educação presencial, e não muito mais experientes e maduros que os alunos presenciais, portanto esses resultados seriam ainda mais significativos. Eu fico sempre me perguntando se não deveríamos explorar um pouco mais a maneira pela qual esses dados foram coletados e trabalhados, antes de sair cantando vitória. Segundo Hélio, a função do governo é regular e supervisionar o sistema de EaD, no ensino básico em parceria com os CES, e no ensino superior com a SEED (antes em conjunto com a SESu), responsável pelo credenciamento para EaD de todas as IEs, pelo credenciamento dos pólos regionais de todas as IES, pela autorização dos cursos das faculdades, pelo reconhecimento dos cursos de todas as IES e pelo acompanhamento dos cursos de todas as IES. Passos recentes: publicação e discussão com a comunidade de referenciais de qualidade para a EaD, elaboração de instrumentos para o credenciamento de instituições e pólos regionais, autorização e reconhecimento de cursos adequados às portarias 1 e 2 (revogada). Há um setor na SEED para receber reclamações. Há resistência dos Conselhos de Educação, que são autônomos – se os Conselhos não referendarem as decisões federais teremos problemas de litígio no futuro, como o não reconhecimento de diplomas. O modelo de EaD no Brasil pressupõe momentos presenciais obrigatórios, ou seja, a EaD no Brasil não é educação totalmente virtual (online), em que o aluno é simplesmente um autodidata que se senta em frente a um computador para aprender. Justificativas: não há laboratórios virtuais suficientes e o povo brasileiro gosta do cara-a-cara. Segundo Hélio, a UNED tinha um alto nível de evasão e acabou reformulando seus modelos introduzindo os pólos. Com o mapa da exclusão digital no país, não seria possível pensar em ensino 100% virtual. Temos no Brasil 17% de usuários regulares na Net (dados de 2005), o que exige coerência entre as decisões de regulação e a realidade do país. Ele citou ainda vários programas, como Proformação, Ação pela Escola e Proinfo, dentre outros, e UAB1 – 291 pólos, 49 IESs, 151 cursos, 1.366 alunos e 52.315 vagas, e UAB2, que envolve a entrada da rede municipal e estadual. A UAB usa Moodle. O orçamento é de R$ 1 bilhão para 3 anos. O e-TEC – Educação Técnica Aberta do Brasil usa o mesmo modelo para a educação básica. Após a sua apresentação, Hélio teve que enfrentar perguntas sobre a lentidão e burocracia para a avaliação de projetos de EaD por parte do MEC. Ele respondeu falando sobre a qualificação dos avaliadores de EaD – o BADES – Banco de avaliadores passará (passaria) por um programa de reavaliação e capacitação. Havia inclusive a previsão da abertura de novos editais para novos avaliadores. Alguém argumentou que o modelo de avaliação da SESu é já se mostrou historicamente falho e deveria ser considerado pelo governo fracassado, pois não é possível enviar avaliadores curso a curso, treinar tantos avaliadores etc. – haveria inúmeros processos parados no MEC por falta de comissões de avaliação. Houve outro debate interessante no final: segundo Hélio Chaves, a exclusão digital do país justifica as políticas de EaD da SEED; segundo o professor Carlos Rivera, que falou em seguida, a necessidade de inclusão digital justificaria a EaD online.
Em seguida meus queridos Marcia Augusta Marinho Petrone e Carlos Rivera, da Triunfus & Triunfus Virtual, apresentaram: Saiba Como Atender, Mediar e Reter o Participante de um Curso na Modalidade de EAD, nos Processos de Aprendizagem e Sociabilização. Quais Medidas Podem ser Eficazes para esse Acompanhamento?.

Os dados apresentados pela Triunfus sobre inclusão/exclusão digital no Brasil foram divergentes em relação aos apresentados pela SEED, mostrando que estamos no caminho da inclusão digital. Márcia e Rivera ressaltaram a importância de uma equipe de tutoria, contra a figura do professor isolado. Apresentaram também um slide interessante com o ciclo de aprendizagem e o inventário dos estilos de aprendizagem de David A. Kolb – aqui uma versão um pouco diferente e em inglês:
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Apresentaram também as 44 questões de Richard Felder e Barbara Salamon para definir estilos de aprendizagem: você responde as questões e imediatamente recebe a sua classificação – vejam a minha:
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Sou mais reflexivo que ativo (esperado), sou bem mais intuitivo que sensorial (esperado, mas é preciso ler as explicações para compreender as diferenças), sou equilibrado entre o visual e o verbal (sempre achei que fosse muito mais verbal que visual, inclusive pela minha formação, mas nos últimos anos tenho batalhado muito para desenvolver meu lado visual, então talvez aí se explique o resultado), e sou mais global que sequencial (também esperado). Muito legal, faça você o teste!
Continuando com a Triunfus, as memórias eletrônicas hipertextuais funcionam como próteses externas do agente cognitivo humano, deixando então espaço livre para o desenvolvimento de uma memória vivencial autônoma, personalizada e criativa. Foi mencionado o TIDIA Ae, utilizado na USP. É necessário capacitar toda a instituição para trabalhar à distância – desde o envio do boleto, secretaria etc., caso contrário o aluno percebe rapidamente que a instituição não está preparada para oferecer o que promete. Falou-se também do crescimento das universidades corporativas. Foi discutido ainda o problema da ingerência sobre cursos de EaD: quem manda – o coordenador do curso ou a coordenação de EaD? Dados demográficos apontam uma população com mais mulheres, mais casais sem filhos, mais pessoas morando sozinhas, mais pessoas de meia idade, mais pessoas na melhor idade etc. Pode-se então pensar em diferentes modelos de EaD em função de diferentes públicos-alvo.
Marta de Campos Maia, da FVG-SP, apresentou: A Compreensão do Ensino a Distância Enquanto Negócio e as Perspectivas deste Modelo para as IES Brasileiras.

Desde 1994 a GV atua na EaD, inicialmente com CDs. Um dos desafios para Marta, hoje, seria utilizar a EaD na educação presencial. O mercado assiste à entrada dos players internacionais. Devemos pensar na construção do conhecimento compartilhado. Foram comparadas as características dos nativos e imigrantes digitais, envolvendo inclusive mudanças neurológicas (o que cobri na resenha do cap. 2 de Digital Game-Based Learning). O mundo todo é hoje seu cliente potencial de EaD. O mercado corporativo é grande e pode financiar seus projetos mais acadêmicos. Marta destacou a importância dos centros avançados de ensino para novas tecnologias e tecnologias da aprendizagem. Na GV, são utilizados o chat, vídeo e outras estratégias para interação. Falando sobre a Web 2.0, Marta disse que a Anhembi Morumbi estaria avançada nesse quesito – mas ela estava se referindo ao Tubarão, um sistema baseado no Orkut que foi adotado pela Anhembi a partir de 2005 (reparem na data), case inclusive que apresentei com Carmem Maia na 22 Conferência mundial de Educação a Distância do ICDE. Mas vejam a ironia – o projeto foi abandonado há bastante tempo, como cobri em Second Life e Web 2.0 na Educação. Ou seja – um reconhecimento ou elogio póstumo, um epitáfio a uma inovação! Marta falou também rapidamente do Second Life. E terminou afirmando que um desafio seria institucionalizar o uso das ferramentas da web 2.0.
Depois do almoço no próprio hotel, Elisa Wolynec, diretora da Techne Sistemas, apresentou: Identifique os Fatores Críticos de Sucesso para a Implantação do EAD sob o Ponto de Vista da Liderança.

Tele-aula não é EaD, é uma das modalidades de ensino presencial (tele-presencial). Elisa destacou a evolução dos LMSs, que hoje englobam, p.ex., a avaliação dos alunos pelos próprios alunos, comunidades etc. Ela lembrou ainda que o “de graça” pode sair caro – um programador senior sairia mais caro do que um LMS para 50.000 alunos, p.ex. Ela ressaltou também a importância de definir os objetivos institucionais e o público-alvo em projetos de EaD: ampliar os serviços para adultos que já se encontram no mercado de trabalho? ampliar o número de estudantes atendidos, oferecendo horários flexíveis e custos acessíveis sem necessidade de ampliar espaços físicos? fornecer uma experiência de aprendizagem mais rica e personalizada aos estudantes? ter vantagem competitiva frente à concorrência? Não dá para começar com projeto piloto etc. etc. – o negócio é grande! Um pequeno com visão é mais fácil de transformar do que uma rede (aqueles que compram mas não sabem integrar) – nem todos os consolidadores vão dar certo. Leva uma década para o mercado formar opinião sobre uma instituição, um aluno etc. Pequenos com diferencial sobreviverão. Elisa ressaltou também que centros de aprendizagem precisam ter pelo menos 1 pessoa com bom nível, e é preciso redirecionar o pessoal de tecnologia para apoiar os docentes no ensino – como no desenvolvimento de objetos de aprendizagem. Ela destacou ainda os objetos de aprendizagem do Merlot, brilhantes em física p.ex., simuladores que ensinam toda a óptica. Abordando novamente estratégias, lembro que em cursos presenciais o e-learning pode ser usado para melhores resultados na aprendizagem, desenvolvimento de habilidades valorizadas pelo mercado de trabalho e diminuição de custos. Hoje as aulas são colocadas no YouTube, e quando são ruins o mundo todo vê – isso pesa na avaliação das instituições por parte dos alunos. No meio da palestra ela disse: direito autoral para professor não existe mais – acabou esse negócio de Direitos Autorais (nos Estados Unidos, e logo por aqui). Ora, mas a história é exatamente o contrário – direitos autorais têm se tornado um tema cada vez mais importante com a Internet e em educação, tanto que os Estados Unidos já desenvolveram leis específicas para Direitos Autorais em EaD, tanto que as salas sobre o tema são as que têm ficado mais lotadas nos congressos da ABED, tanto que o capítulo sobre Direitos Autorais no ABC da EaD tem sido um dos mais comentados pelos leitores. Eu lembrei disso no final do evento – pena que ela não estava presente na sala – não seria adequado sair de um evento de estratégia em EaD com essa frase soando. Elisa ressaltou ainda os riscos trabalhistas da leitura de emails à noite pelos professores, p.ex., mas emendou: em todas as profissões o trabalho mudou – então o professor também tem que mudar. Ou seja, todo o sofrimento para o professor! Aliás, não há mais nem necessidade de professor – o impostutor resolve tudo!! Muitos dirão que por corporativismo, mas eu tenho me colocado quase sempre do lado do professor, em nome da educação – e contra o puro negócio.
José Augusto Pereira Brito, Gerente Geral de TI da Universidade Presbiteriana Mackenzie, continuou com: Conheça uma Experiência Voltada ao Atendimento da Demanda em Conformidade com os Critérios de Mercado, e que Garante Mais Recursos para o Aluno e Melhor Capacitação para o Professor, a experiência do Mackenzie.

Novamente a Web 2.0 e a educação dos nativos digitais foram tema da palestra, e foram mencionados 2 ebooks da Educause disponíveis online e gratuitos, editados por Diana e James Oblinger: Learning Spaces, que discute o que torna um espaço de aprendizagem efetivo, e Educating the Next Generation, que explora a educação da Geração Net. Foi recomendado o curso de Gestão em EaD ministrado pela GV. E novamente a bomba caiu sobre os professores: a resistência para a implementação dos projetos de EaD. O Mackenzie tinha 825 professores certificados até 18/04/2008. Foi também mencionada a necessidade de outra instituição passar a organizar o MoodleMoot, aliás com este pique carnavalesco devo conseguir também postar por aqui um resumo do MoodleMoot do ano passado. Novamente foi falado sobre o Second Life, mas com uma afirmação estranha: o Second Life não se aplica ainda à educação. Ops – mas e a página Second Life & Educação – que tem muita coisa de antes de 2008, ou o Second Life e Web 2.0 na Educação (de 2007, que traça o panorama do uso do Second Life em educação até então), o Virtual Worlds Best Practices in Education (praticamente uma continuação do Second Life Best Practices in Education, que contou com a participação de 1.300 educadores em 2007), a SLED (também já muito antiga), o trabalho do GPE-DU da Unisinos – que já vem de antes do Second Life, e por aí vai? Foi também ressaltado o aumento do uso de notebooks e smartphones por parte dos alunos. No Mackenzie foi também adotada em larga escala a Pasta do Professor, sobre o que ainda gostaria de refletir por aqui em um post separado. No Mackenzie teria também ocorrido o primeiro case das Américas de clusterização dos servidores para o uso do Moodle. E, por fim, no Mackenzie, assim como na GV, o aluno se matricula e está automaticamente associado a IESs fora do país.
O Prof. Paulo Ricardo T. Diniz, coordenador de atividades corporativas da UNOPAR – Universidade Norte do Paraná, continuou com: A Experiência da Unopar no Modelo de Ensino a Distância e a Compreensão da IES deste Formato como Negócio. Como Trabalhar a Cultura do Aluno e Inibir a Evasão?

O Hospital São Vicente da Gávea é cliente da Unopar. Há 5 anos o primeiro curso já tinha sido implantado. O sistema é bimodal. No início se pensou na Net, seguindo modelos baseados em outras realidades, mas o brasileiro tem as características do latino. O mesmo corpo da EaD é do presencial, e a equipe de apoio multimídia prepara aulas também para o presencial. É utilizado um sistema de avaliação continuada, e também de capacitação continuada, com os devidos procedimentos de acompanhamento. A Unopar possui (possuía) 424 pólos em todo o Brasil. O índice de evasão é de 4 a 5%, mais concentrado no primeiro módulo, quando o aluno percebe que tem que trabalhar. Há um encontro semanal presencial, além de outras atividades presenciais. 98% dos tutores em sala têm no mínimo especialização e são formados na área do curso em que trabalham. Foram apontados os seguintes fatores de sucesso: visão e ação empreendedora da mantenedora; tecnologia própria e de ponta; propostas pedagógicas inovadoras; integração pedagógico/tecnológica; equipes multidisciplinares integradas; gestão participativa colegiada; sistemas informacionais integrados; controles acadêmicos; rede conveniada; e sistema de avaliação contínua e abrangente. Eles já estão hoje na terceira plataforma de satélite, e a comunicação com os pólos se dá por ramal. São 7 pós lato sensu, 117.000 alunos de EaD e pólos em todos os Estados. Pela palestra parece tudo uma maravilha, mas sabemos que a instituição enfrentou recentemente problemas com avaliações baixas por parte do MEC e inclusive um processo de direitos autorais que tirou seu site do ar por vários dias, por terem escaneado o acervo da biblioteca e o disponibilizado na web. Alguma coisa tem que ter também saído errado, o que teria sido interessante também abordar.
Aécio Freitas Lira, Vice-Presidente Acadêmico da Kroton Educacional, apresentou em seguida: Os Diferentes Usos do EAD e seus Benefícios para uma Instituição com Atuação Nacional e Internacional.

Aécio foi bastante crítico em relação ao MEC em toda a sua fala. Deve-se tomar cuidado com a legislação. Levando em consideração todas as exigências, o custo da EaD não é inferior ao da educação presencial, se não for mais caro. O Projeto da Kroton não é voltado para a elite. No caso do ensino superior, as instituições são 100% do grupo. Eles possuem 200.000 alunos em todo o Brasil, 602 escolas de educação básica (+ 6 no Japão), 15 faculdades Pitágoras e 9 faculdades INED. Segundo Aécio, a avaliação das escolas de educação básica em nosso país é dramática. O Kroton contrata os melhores professores para produzir materiais, é também uma editora que produz livros-texto para o ensino presencial e à distância. Utilizam o Blackboard – sistemas gratuitos nem testam. Todos os professores participam da avaliação e do aprimoramento das disciplinas. Os cursos de EaD do Kroton incluem 3 encontros presenciais por semestre, com 2 disciplinas simultâneas de 5 semanas, num total de 8 disciplinas por semestre. Há aulas ao vivo via satélite, atividades em grupo, estudo em material impresso e atividades individuais no ambiente Web (Blackboard).
O Prof. Jeferson Ferreira Fagundes, Diretor de EaD do Instituto de Ensino Superior COC em Ribeirão Preto, finalizou com: A Experiência do COC em EaD. Uma solução de destaque na tecnologia para capacitação de profissionais, projeto pedagógico e atendimento às expectativas do alunos. O SEB – Sistema Educacional Brasileiro tem o capital aberto. O grupo possui também a editora COC e uma ilha no Second Life. A implantação da tecnologia à distância procurou, dentre outras coisas, evitar os conflitos entre profissionais de tecnologia com profissionais da área pedagógica. Atualmente a tecnologia COC atende parceiros da educação infantil, ensino fundamental, médio, pré-vestibular, graduação e pós-graduação, além de prefeituras parceiras. Na época, tinham adquirido o sistema Dom Bosco de ensino, no Paraná. As aulas são transmitidas ao vivo via satélite, em tempo real, possibilitando interação plena (aúdio e vídeo) entre professor e aluno. Os cursos de EaD estão estruturados por módulos, possibilitando 4 entradas por ano. A tutoria eletrônica é realizada pelos professores autores, algo que parece fora dos padrões da EaD no Brasil. O LMS é desenvolvido pela instituição. Na época, eles tinham 173 pólos ativos, 261 tele-salas, presença nacional em 20 Estados + Distrito Federal e 20.600 alunos matriculados (com crescimento de 900% em 18 meses). A EaD é encarada para o grupo como um grande negócio, de massa.
Na discussão que se seguiu às 2 palestras, alguns questionamentos: a obrigatoriedade de bibliotecas físicas com bibliotecárias nos pólos, as exigências para números de exemplares para bibliografia básica nas bibliotecas e por que a bibliografia complementar não poderia ser virtual. A UAB – Universidade Aberta do Brasil e a burocracia para aprovação de cursos foram classificadas como estratégia do governo para segurar o mercado. Foi requerida modificação das exigências quantitativas nos documentos de avaliação dos projetos de EaD. Se forem cumpridas todas as exigências, um curso de EaD será mais alto que um curso presencial. E aí a UAB pagando R$ 600,00 para um tutor estabeleceria uma concorrência desleal!
Para encerrar, fiz uma breve reflexão sobre o evento. Como um participante já tinha brincado, não era o caso de pedir o dinheiro do curso de volta, mas a conclusão do evento, cujo subtítulo era: “Saiba Como Tornar o EAD um Negócio Rentável para a IES”, foi paradoxal: se forem seguidas todas as exigências legais, não é possível tornar a EaD um negócio rentável! O curso talvez tenha funcionado então como um alerta – não adianta ir com tanta sede ao pote! Falei também um pouco da importância de resistirmos à banalização dos professores em EaD e da importância de as instituições de classe, como a ABED, se envolverem mais ativamente nessa questão. Sugeri também que na próxima versão do curso seja contemplado mais tempo para os debates, pois com um público pequeno e tão seleto é possível atingir um nível de profundidade nas discussões que não é possível, p.ex., em congressos com várias pessoas. Agradeci também aos palestrantes, principalmente os 2 últimos, que aceitaram diminuir o tempo original de suas apresentações, e finalizei desejando que o seminário se tornasse uma Conferência no ano seguinte, que duram 2 dias – ainda não ouvi falar dos planos para este ano.
Como em todos os eventos sempre muito bem organizados pelo IBC, os participantes receberam uma pasta com o material impresso e, após o evento, acesso temporário a um espaço online com mais material.