Tendências no uso de Tecnologia em Educação

No Core Data Service Fiscal Year 2007 Summary Report, um relatório de 104 páginas, a Educause (grupo de tecnologia em educação superior) pesquisou 994 instituições, examinando questões organizacionais, de orçamento, rede, segurança e uso de tecnologia por professores e alunos.

No capítulo A Harvest Too Large? A Framework for Educational Abundance, no livro Opening Up Education The Collective Advancement of Education through Open Technology, Open Content, and Open Knowledge, Trent Batson, Neeru Paharia e M. S. Vijay Kumar discutem o uso de conteúdo aberto e aprendizado ativo em educação.

Uma pesquisa realizada pelo CDW-G, um fornecedor de tecnologia, indica que 39% dos alunos desejam participar de chats online regulares com seus professores.

Apesar de boa parte dos professores considerar o chat chato, eu tenho utilizado chats de texto com muito sucesso em EaD, alcançando um nível de envolvimento dos alunos com o tema, os colegas e o professor que é difícil alcançar com outras ferramentas.

Em Using Chat To Move the Thinking Process Forward, Ruth Reynard discute o uso do chat para desenvolver o pensamento, e não apenas para discutir problemas dos alunos, fornecer tutoriais, avisos etc. Em Designing a Working Space for Chat, continuação do artigo anterior, são apresentadas estratégias para construir um espaço adequado para o uso do chat em educação.

O relatório Insights regarding undergraduate preference for lecture capture, realizado pela University of Wisconsin-Madison, discute como boa parte dos alunos demanda hoje que aulas sejam gravadas e disponibilizadas online, embora as instituições de ensino não estejam preparadas para isso, nem do ponto de vista tecnológico, nem do ponto de vista de políticas de propriedade intelectual. Além disso, uma parte considerável dos alunos requer também que o material de estudo fique disponível para eles também após a conclusão dos cursos, para que possam utilizá-lo em sua vida profissional.

No vídeo abaixo, professores presentes na League for Innovation in the Community College falam como eles usam pequenas video camêras, shows de games online e wikis para envolver os alunos em aulas presenciais e à distância.

FacebookTwitterGoogle+Compartilhar
Publicado em Computação, EaD, Educação | 1 comentário

InfoDicas

Em Como importar dados de um documento PDF para o Excel facilmente, há uma orientação de como extrair uma tabela de um arquivo PDF e passá-la para um arquivo de Excel, usando o Word como ponte.

Um blog que eu acompanho faz tempo é o Skate of the Web, do Antonio Vantaggiato, de quem assisti a uma palestra no Congresso do ICDE/ABED, em 2006, no Rio de Janeiro.

Em A Few Tools to Create (Web) Tutorials, ele apresenta algumas ferramentas para criar tutoriais, com áudio e gravação de tela.

Em Micro-charts and infographing, dá algumas dicas interessantes sobre a criação de micro-gráficos no Excel.

E de lá também saiu a indicação do blog Information Aesthetics, sobre a visualização de dados e informações. Muito legal!

E o Bruno Correa, leitor deste blog, enviou há um tempo por email uma dica (e inclusive fez um comentário neste blog) sobre o Camspace, que utiliza cores e webcam para interagir em diversas interfaces. Como ele diz, é um Wii de papel, plásitco, corpo etc.

Publicado em Computação | 1 comentário

A Tecnologia e a nossa Mente

Gary Small, neurocientista da UCLA, e sua esposa Gigi Vorgan, atriz e escritora de televisão, publicaram recentemente iBrain: Surviving the Technological Alteration of the Modern Mind. O livro mostra como o uso da tecnologia, pelas gerações mais novas, altera suas relações sociais e inclusive suas mentes.

Em Online Literacy is a Lesser Kind: slow reading counterbalances web skimming, um artigo disponível apenas para assinantes do Chronicle of Higher Education (que assinei por 1 ano recentemente), Mark Bauerlein desenvolve uma discussão similar, defendendo a necessidade de espaços para ler e escrever mais lentamente (slow-reading e slow-writing). Os educadores precisariam preservar parte da experiência do estudo desconectada, desplugada e deslogada. Lápis, lousas e livros não são mais os principais instrumentos de aprendizado, mas eles ainda desempenham um papel crítico na formação da inteligência, como contraponto à velocidade da informação digital. Essa seria uma nova missão dos educadores, que pode parecer reacionária e retrógrada, mas que na verdade serviria para manter as mentes dos estudantes abertas. Os alunos precisam desacelerar, e eles não conseguem fazer isso por conta própria. Parece-me um pouco estranha essa idéia de que o educador deva ser o guardião da relação do jovem com a tecnologia, porque ele não teria condições, sozinho, de dosá-la.

No longo Brave New World of Digital Intimacy, Clive Thompson discute o conceito de intimidade digital. A seguir, resumo alguns dos pontos principais do artigo.

Em 2006, 2 anos depois de fundar o Facebook, Mark Zuckerberg introduziu o News Feed, um serviço (que hoje encontramos também no Orkut) que passou a mostrar as alterações nas páginas dos nossos amigos virtuais. No início, houve muito protesto porque a intimidade dos participantes do Facebook estaria sendo quebrada, então logo foi introduzida uma opção para deixar as alterações na sua página privadas. Mas a resistência logo foi superada pela oportunidade de se sentir mais ligado aos amigos.

Essa sensação pode ser chamada de ambient awareness ou online awareness, algo que passou a ser experimentado também, por exemplo, em ferramentas de microblogging, como o Twitter. Com essas ferramentas, podemos hoje sentir o ritmo da vida de vários de nossos amigos, o que antes não era possível. Depois, quando encontramos nossos amigos cara-a-cara, parece que não estivemos tão distantes deles.

Esse é um fenômeno difícil de compreender se você não o experiencia. Olhar o perfil de alguém no Facebook ou dar uma olhadinha no Twitter de outra pessoa não funciona.

Mas muitos perguntam: como é possível acompanhar a vida de tantas pessoas? Acontece que essas ferramentas não são tão exigentes, do ponto de vista cognitivo, quanto um e-mail. Em geral, você precisa abrir um email, parar e dedicar boa parte da sua atenção a ele, pois ele está direcionado a você, pedindo uma resposta ou uma solução. Já as mensagens no Facebook ou Twitter não são direcionadas para você. Assim, você pode decidir lê-las ou não, e passar rapidamente por elas, como no caso de manchetes de jornais.

Essas ferramentas criaram o que podemos chamar de weak ties – laços fracos. Muitas pessoas mantêm inclusive duas contas separadas – uma para os laços mais fortes, familiares etc., e outra para os laços fracos.

Mas essa profusão de laços fracos pode também se tornar um problema. Você pode gastar energia demais com eles, restando então menos energia para as relações pessoais verdadeiras, mas íntimas. Você tem agora mais amigos, mas dedica menos atenção e energia a cada um deles. Seguir nossos amigos online pode também nos tornar preguiçosos para visitá-los pessoalmente.

No início da Internet, dizia-se que podíamos milagrosamente reinventar a nossa identidade. Hoje, ao contrário, podemos dizer que assistimos a uma limitação da nossa identidade, já que todo mundo pode nos seguir, falar de nós publicamente, disponibilizar fotos e vídeos em que aparecemos etc.

De outro lado, o fato de pararmos mais de uma vez ao dia para registrar como nos sentimos, e observar o que os outros têm a dizer sobre nós, acaba funcionando como um tipo de auto-análise, um exercício filosófico e psicológico que pode ter um efeito positivo.

***

Esses textos mostram que há diversas perspectivas, muitas vezes bastante opostas, com que o uso da tecnologia pode ser estudado, psicológica e socialmente. Não vou fazer aqui nenhum tipo de fechamento. No meu Filosofia da Computação e da Informação, que faz tempo está na chapa mas acho que em 2009 finalmente sai, discuto todos esses pontos em detalhes. Ficam lançadas essas várias leituras para vocês, como alimento para as reflexões e discussões.

Publicado em Ciências, Computação, Educação | Deixar um comentário

Educação & Tecnologia – curtinhas

No ano que vem, pretendo ir à Conferência da Educause, instituição dedicada ao Ensino Superior. A Conferência deste ano, que terminou hoje em Orlando, reuniu mais de 7.300 pessoas, e vídeos de algumas apresentações estão disponíveis online.

Em Is Higher Ed Technology Keeping Up with Student Demand?, David Nagel discute as exigências dos alunos em relação a tecnologia, quando eles escolhem as universidades que vão cursar. Sabem qual é a exigência número 1 dos alunos? A possibilidade de realizar chat com os professores, mais uma prova de que há uma tendência para a revitalização da EaD Síncrona.

Matt Villano, em Technology Forever, cobre as interessantes experiências do uso de tecnologia para a educação da terceira idade, baseadas na idéia de aprendizado por toda a vida.

E Trent Batson, em The Institutional Path for Change in This Age: Andragogy, not Pedagogy, discute a mudança do foco da educação, da pedagogia (ensinar crianças) para a andragogia (mediar o aprendizado de adultos).

Todos esses artigos apontam para a tendência da utilização das ferramentas da Web 2.0 em educação, que é praticamente o mote deste blog.

Publicado em Computação, EaD, Educação | 2 comentários

Home Schooling e Unschooling

O Home Schooling é bastante comum nos países de língua inglesa. Muitas famílias preferem educar seus filhos em casa, e podem inclusive organizar grupos de crianças para serem educadas pelos pais ou tutores. Em alguns países, o currículo precisa ser legalmente aprovado. Uma das instituições de home schooling de destaque nos Estados Unidos é a Calvert School.

No Brasil, a educação em casa é proibida, apesar de o Projeto de Lei 3518/2008 propor a sua regulamentação. Temos acompanhado o caso dos irmãos David e Jonatas, de Timóteo-MG, que têm sido educados em casa pelos pais, que por causa disso estão sendo processados cível e criminalmente na justiça, como se tivessem abandonado intelectualmente seus filhos. Os irmãos tiveram recentemente que realizar uma maratona de provas para provar que estavam sendo bem educados pelos pais, em que alcançaram resultados positivos. Veja também reportagem na Folha. Entretanto, o caso ainda vai longe. Os comentários que tenho lido de educadores são em geral excessivamente simples, de que os meninos precisam ir para a escola para desenvolver relações sociais. Penso que este caso deve se tornar um marco na educação brasileira. Eu apóio completamente a atitude dos pais. Montei uma Playlist com vídeos sobre o caso:

Quem quiser enviar uma mensagem de apoio à família, o email é:

cleberdeandrade@pop.com.br

Eu acabei de mandar um email, e gostaria muito de fazer um vídeo com eles.

Mas este não é o primeiro caso no Brasil. Josué e Darcilia Bueno também tentaram educar seus 9 filhos em casa, em Jardim (MS), mas se mudaram para o Paraguai quando foram denunciados pela Promotoria Pública. Acho que este vídeo é deles (no canal da Darcília dá para ver mais):

O unschooling é um movimento ainda mais radical, baseado nas idéias do educador norte-americano John Holt, que nos anos 1970 foi editor da revista Growing without Schooling. Holt faleceu em 1985, e sua assistente Susannah Scheffer continuou como editora da revista, que parou de ser publicada em 2001, mas alguns números antigos podem ainda ser encontrados no Fun Books. Há também um site: HoltGWS. O unschooling questiona os métodos da educação tradicionais, como o uso de um currículo padrão, e defende que a criança deva aprender por suas experiências de vida naturais.

Aqui neste blog, já resenhei Fomos Maus Alunos, Escola sem Sala de Aula e A Escola com que sempre sonhei sem que imaginar que pudesse existir, que criticam a educação nas escolas. E o post anterior é Rock the Academy. Quem me acompanha, sabe o quanto eu defendo experiências que fujam do convencional em educação.

Por que não apresentar essas opções e filosofias da educação para as crianças? Por que não dar uma chance para elas escolherem como querem ser educadas? Por que não mostrar para elas que as coisas poderiam ser diferentes – que, aliás, já são diferentes, em muitos lugares? Por que não entregar parte do controle do processo educacional para as crianças? Ou por que, pelo menos, não misturar a educação tradicional, na escola, com atividades menos convencionais, à distância?

Publicado em EaD, Educação | 28 comentários

Rock the Academy

De 04 a 06 de Novembro, no Conference Center do NMC – New Media Consortium no Second Life, ocorrerá o Rock the Academy: Radical Teaching, Unbounded Learning, o vigésimo dos NMC Series of Virtual Symposia. O objetivo é explorar as idéias e atividades que estão mudando o panorama da educação.

Repare no título do livro – Teaching as a Subversive Activity:

Novas práticas estão destruindo antigos modelos de ensinar e aprender; os alunos estão utilizando novas ferramentas para construir significado e contribuir para o design da sua própria educação; professores estão compartilhando o poder que tradicionalmente foi deles, mas apenas individualmente; etc. Exemplos de métodos de ensino e aprendizagem não-convencionais, embora altamente efetivos, podem ser encontrados em vários lugares do mundo, e em todos os níveis de educação. Quando esses exemplos são agrupados, começamos a sentir uma profunda mudança que vai alterar nosso próprio conceito de educação.

O Simpósio vai abordar temas como: educação e recursos abertos; redes sociais e conexões globais; aprendizado de guerrilha, games e aprendizado ativista; os próximos aplicativos revolucionários para a educação; alternativas para ambientes de aprendizagem; dados em tempo-real, mapas e mobiles; backchannels e ferramentas de comunicação alternativas; alunos que pesquisam nos seus campos; e qualquer tecnologia ou prática que apresenta uma promessa para envolver os alunos e suportar o ensino e a aprendizagem subversivos. Como ocorrerá no Second Life, o Simpósio pretende também explorar as fronteiras da conectividade em 3D. Mas quem não quiser entrar no Second Life, stream de vídeo ao vivo será transmitido também para uma página na web.

Assista a um vídeo promocional do evento:

e leia uma explicação de como ele foi montado: Rock the Academy The Video.

Enfim, temas, e um evento, que calham exatamente com o que este blog tem discutido, desde o seu nascimento.

A professora Vani Kenski disse, na sua apresentação na ANPEd, que no Brasil damos importância demais ao Second Life, que não passaria de um representante do capitalismo (não foram exatamente essas as palavras, mas esse o sentido), enquanto pelo mundo existem dezenas de mundos virtuais.

Ainda vou falar disso com muito mais calma, no resumo que fizer do evento da ANPEd, mas, em primeiro lugar, se propomos tanto o Situated Learning, o aprendizado contextualizado, por que tanto receio em brincar em um mundo que imita parte da realidade, em que há dinheiro envolvido? Por que temos que educar nossos alunos em ambientes tão distantes da realidade?

Agora, além da Unisinos, no Brasil quem tem estudado e pesquisado o uso do Second Life em educação? Ou mesmo de outros mundos virtuais? Na SLED – lista que reúne centenas de educadores do mundo todo, que exploram o Second Life e outros mundos virtuais em educação, nunca vi um professor ou pesquisador brasileiro aparecer por lá.

Este evento é uma prova, também, de como o Second Life tem sido utilizado em educação, pelo mundo. O NMC decidiu, há alguns anos, que precisava explorar com intensidade o potencial pedagógico dos mundos virtuais. Depois de uma criteriosa avaliação, escolheu o Second Life, e eles são um dos grupos que mais agita com educação no Second Life. Do NMC, fazem parte instituições distribuídas pelos Estados Unidos, Canadá, Europa, Ásia e Austrália, incluindo universidades de peso (Harvard, MIT, Stanford, UC Berkeley, UCLA, Illinois at Urbana-Champaign, Yale etc.), museus, centros de pesquisa, fundações e empresas.

Quais são os outros mundos virtuais em que têm sido realizadas experiências tão ou mais interessantes que no Second Life, que têm reunido mais educadores pelo mundo? Para entender o que está acontecendo no Second Life, é preciso realmente perder tempo, aprender a usar o software, se conectar com as pessoas que estão fazendo experiências pelo mundo etc. Mas o esforço não é em vão: você sai transformado, pedagogicamente. Este evento é apenas um dos exemplos de para onde a coisa está indo. De fora, é difícil sentir para onde sopra o vento virtual em 3D!

E, é claro, a questão não é o Second Life, mesmo que ele seja hoje talvez o mundo virtual mais adequado e utilizado para fazermos experiências com educação – apesar de não ter sido produzido com esse propósito – a questão é experimentar, de dentro, o que é possível fazer em educação nos mundos virtuais online 3D. E também perceber como essas experiências estão alinhadas com outras experiências subversivas.

Publicado em EaD, Educação, Second Life | 9 comentários

Normas para Apresentação Tabular

IBGE. Normas de apresentação tabular. 3. ed. Rio de Janeiro, 1993.

Apesar de obviamente desatualizada, a orientação mencionada pela ABNT para a apresentação de dados numéricos em tabelas encontra-se disponível online.

[photopress:Normas_para_Apresenta____o_Tabular.jpg,full,vazio]

Publicado em Educação, Metodologia | 1 comentário

Education is Changing

O AJ Kelton, que muitos já conhecem por aqui, como avatar ou mesmo pessoalmente, acaba de escrever um novo artigo, Education is Changing.

Ouça também uma conversa dele com Michael Riccards, sobre o artigo.

Publicado em Educação | 1 comentário

De volta…

Caros e caras, já estou de volta! No ônibus, li com atenção vários capítulos do Educação a Distância: o Estado da Arte. Numa primeira olhada geral no livro, não tinha gostado tanto. Logo logo abro uma página com a resenha dos 61 capítulos.

Amanhã e sábado, dou a primeira aula de um curso de pós-graduação para professores de um colégio. Serão 4 módulos, e o meu módulo, que começa o curso, é sobre Tecnologias aplicadas à Educação. Vai ser uma senhora experiência, que logo conto por aqui também.

O Congresso foi nota 10, muitas coisas interessantes para conversar. Preparem-se então para ler muitos posts nos próximos dias!

Filmei também bastante em Caxambu e na estrada, logo também tem vídeo por aí!

Publicado em Educação | 5 comentários

Semeando desertos…

Ontem à noite teve arraiá!

Hoje fiz a minha apresentação sobre o Second Life como ambiente de aprendizagem para uma platéia seleta – só gente muito boa. Vou, é claro, escrever com calma na volta tanto sobre a rodada de hoje, quanto sobre o evento todo, que realmente tem sido muito muito legal. Mas queria registrar um detalhe de hoje.

Na platéia, estava o Marco Silva, autor do clássico Sala de Aula Interativa. Conversamos quando nos encontramos na Unisinos, depois no Endipe, e ele participou do capítulo do curso Second Life na Educação no Rio de Janeiro. Tem se mostrado sempre muitíssimo interessado no uso do Second Life em educação – afinal, ele não é bobo, sempre antenado!

Ele fez uma pergunta no final: disse que se sente desnorteado quando me ouve dizer que os nossos alunos não vão freqüentar os Ambientes de Aprendizagem tradicionais que estamos preparando para eles – que bem agora que estaríamos aprendendo a usar fóruns, chats etc., tudo estaria ruindo. Quando um educador estaria começando a arrumar a bagunça, vem alguém para bagunçar de novo. Eu disse para ele que percebo claramente esse desnorteamento no olhar dele, todas as vezes em que nos encontramos pessoalmente, e que esse olhar aliás me traz bastante gás para as pesquisas com o Second Life em educação!

Ele perguntou também qual a diferença entre ministrar um curso no Second Life e no Moodle – não é possível usar textos, sons, vídeos etc. no Moodle, e então reproduzir a mesma experiência que no Second Life?

A segunda pergunta vou fazer por email para todos aqueles que participaram da primeira e segunda versão do nosso curso ABC da EaD no SL, e abrir um post separado só para ela. Ela adquire uma conotação especial, pois é feita pelo nosso teórico da interatividade online, que inclusive tem se mostrado muito aberto e interessado nas experiências em mundos virtuais 3D. Vamos ter então que responder à altura.

Agora queria falar do primeiro comentário, na verdade desenvolvê-lo um pouco mais.

Estamos semeando desertos, porque os ambientes de aprendizagem que estamos supostamente preparando para os nossos alunos, não serão habitados. Eles não se sentirão bem neles, pois são muito diferentes dos ambientes que eles utilizam na Internet hoje, para se comunicar. São muito diferentes dos vídeo-games, que eles jogam. Serão habitados apenas por obrigação, mantendo de novo a idéia de que a escola é chata, o estudo tem que ser penoso, nunca lúdico.

O entusiasmo que vemos por aí com os AVAs, em congressos e publicações, são na verdade o registro do entusiasmo dos migrantes digitais que encontram um lar nessa bagunça que é o mundo online e virtual. Mas estamos preparando com entusiasmo um território que não será habitado pelos nossos alunos, pois eles não serão lares para eles. Ficarão desertos. Chame um jovem para um congresso, para dizer o que ele acha do Moodle, do Blackboard etc.

As experiências pedagógicas no Second Life, em mundos virtuais em geral, ou mesmo com games em educação, são tentativas de explorar um território que terá sentido para os nossos alunos, onde será possível desenvolver a educação do futuro – futuro bem próximo. Trata-se de nos prepararmos para os nossos alunos – em vez de celebrar o nosso encontro com o virtual. Da mesma maneira que a IBM tem explorado vorazmente o Second Life, para se preparar para os seus futuros funcionários.

Estamos na verdade preparando um terreno para a diversão dos migrantes digitais – nós, professores, mas não para os nossos alunos. Estamos de novo preparando o campo do ensino, não do aprendizado.

Escolas vazias e AVAs desertos – esse é o cenário da educação, se não experimentarmos.

Publicado em Computação, EaD, Educação, Second Life | 10 comentários