Leituras de Verão

Tive um verão prolífico de leituras e – viva – consegui terminar as resenhas de todas elas por aqui. Como foram muitos posts nestes últimos dias, aqui vai a lista, para orientação:

Flow: the psychology of optimal experience

Web 2.0: New Tools, New Schools

Blogs, Wikis, Podcasts

RSS for Educators

Educator’s Podcast Guide

Making the Most of the Web in Your Classroom

Foi um trabalhão, mas missão cumprida! Agora, o desafio é desengavetar anotações de alguns eventos importantes de que participei no ano passado, mas que ainda não registrei por aqui. Espero conseguir terminar tudo ainda esta semana!

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Flow: the psychology of optimal experience

CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly. Flow: the psychology of optimal experience. New York: Harper Perennial, 2008. Resenha de João Mattar.

Mihaly Csikszentmihalyi é professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Chicago. A primeira versão deste clássico foi publicada em 1990. O livro, bibliografia complementar para o curso Educational Games and Simulations, defende que a felicidade está ligada a um estado de consciência denominado fluxo. Vejamos o que isso significa.

Preface, além de fazer os devidos os agradecimentos, explica que o objetivo do livro é apresentar, para uma audiência ampla, os resultados de décadas de pesquisa, sem, entretanto, se caracterizar como um livro de receitas.

1. Happiness Revisited apresenta as idéias centrais do livro. A felicidade não acontece por acaso, mas depende de nossa capacidade de controlar nossa experiência interna, nossa consciência. A experiência ótima é algo que nós fazemos acontecer, quando nossas mentes ou corpos chegam aos seus limites em esforços voluntários para alcançar um objetivo difícil e valioso. No estado de fluxo, há harmonia na consciência, o que ocorre quando a energia psíquica – ou atenção – é investida em objetivos realistas, e quando nossas habilidades estão num nível equivalente ao das oportunidades para a ação. Nesses momentos, crescemos e nos tornamos seres mais complexos. Esses estados não podem ser alcançados simplesmente através de fatores externos como a fé, nem pela pura maximização dos prazeres ligados a nossa programação genética, mas apenas pelo controle direto da experiência, da habilidade de fruir momento a momento tudo o que fazemos. O capítulo faz também uma longa reflexão sobre a felicidade. Precisamos nos libertar um pouco da expectativa pelo futuro e encontrar recompensas no presente.

2. The Anatomy of Consciousness discute como a consciência funciona e como ela é controlada, da perspectiva da teoria da informação e da fenomenologia. A atenção seleciona a informação que desejamos processar e, portanto, define o que vai aparecer ou não para a consciência, podendo ser considerada energia psíquica. “A marca de uma pessoa que está no controle da consciência é a habilidade de focar atenção voluntariamente, estar absorta de distrações e se concentrar quanto for necessário para atingir um objetivo, e não mais do que o necessário.” (p. 31) Nós nos criamos em função de como investimos essa energia, em função de nossos objetivos e intenções. O oposto da experiência ótima, que pressupõe concentração, é a entropia ou desordem psíquica. Muitas pessoas que participaram das pesquisas conduzidas pelo autor descreviam seus estados de experiência ótima como fluxo.

3. Enjoyment and the Quality of Life discute os momentos em que estamos em busca de objetivos e que nos trazem ordem na consciência, porque momentaneamente nos esquecemos de todo o resto, momentos que as pessoas consideram os mais prazerosos de suas vidas. O capítulo diferencia o prazer da fruição. Todos temos prazer em comer, p.ex., mas apreciar a comida é mais difícil. Podemos ter prazer sem nenhum investimento de energia psíquica, o que não ocorre nas experiências ótimas. Para obtermos controle pessoal sobre a qualidade da experiência, precisamos aprender como construir fruição sobre o que acontece no nosso dia-a-dia. Os estudos conduzidos pelo autor demonstraram que a fruição possui oito componentes essenciais: (1) realização de tarefas que temos condições de cumprir, mas que exigem habilidades na mesma proporção; (2) concentração; (3) objetivos claros; (4) feedback imediato (informando simbolicamente que eu obtive sucesso no meu objetivo); (5) envolvimento com uma tarefa que exclui da consciência as preocupações e frustrações da vida diária – negentropia; (6) exercício de sensação de controle sobre as ações, ou de falta de preocupação de perder o controle; (7) a auto-consciência, ou a preocupação com o self, desaparece durante a experiência, mas o self reaparece mais forte após ela; (8) o senso de duração do tempo é alterado. Esses elementos não ocorrem necessariamente em todas as situações, e há exceções, que o texto discute.

Gostaria de completar com algumas citações que procuram esclarecer a aparente contradição do item 7:

“Como atividades de fruição têm objetivos definidos, regras estáveis e desafios bem equilibrados em relação a habilidades, há pouca oportunidade para o self ser ameaçado” (p. 63)

“A perda da auto-consciência não envolve a perda do self, e certamente não a perda da consciência, mas antes, apenas a perda da consciência do self.” O que sai da consciência é o conceito do self, a informação que usamos para representar para nós quem somos. “E sermos capazes de esquecermos, por um tempo, quem somos, parece ser bastante prazeroso. Enquanto não estamos preocupados conosco, na verdade nós temos a oportunidade de expandir o conceito de quem nós somos. A perda da auto-consciência pode levar à auto-transcendência, a um sentimento de que as fronteiras do nosso ser foram ampliadas.” (p. 64).

“Em fluxo, a pessoa é desafiada a dar o melhor de si, e precisa constantemente aperfeiçoar suas habilidades. Naquele momento, ela não tem a oportunidade de refletir sobre o que isso significa em termos do self – se ela se permitisse se tornar auto-consciente, a experiência poderia não ter sido tão profunda. Mas depois, quando a atividade terminou e a auto-consciência tem a oportunidade de retornar, o self sobre o qual a pessoa reflete não é o mesmo self que existia antes da experiência de fluxo: é agora enriquecido por novas habilidades e realizações.” (p. 65-66)

A experiência de fluxo é autotélica, ou seja, não a realizamos com a expectativa de algum benefício futuro, mas simplesmente porque realizá-la já é uma recompensa. Em uma experiência autotélica, a pessoa presta atenção na experiência pela própria fruição, e não nas suas consequências. “Quando a experiência é recompensadora de maneira intrínseca, a vida é justificada no presente, em vez de ser prisioneira de um ganho futuro hipotético.” (p. 69)

E deve-se sempre estar consciente do poder viciante do fluxo, que pode nos levar a perder o controle da consciência.

4. The Conditions of Flow analisa as condições da experiência de fluxo em diversas atividades, muitas das quais podem ser denominadas atividades de fluxo, pois estão preparadas para produzir fruição, como jogos, arte, rituais, esportes etc. O capítulo analisa também as relações entre fluxo e cultura, assim como a capacidade de as pessoas sentirem fluxo. Algumas pessoas, como os esquizofrênicos, parecem menos propensos pela dificuldade de excluir coisas da mente e se concentrar. Outra limitação seria um excesso de auto-consciência, no caso de pessoas que se preocupam demais com o que os outros vão pensar delas, ou são excessivamente auto-centradas. “Desordens de atenção e estímulos de superinclusão previnem o fluxo porque a energia psíquica é muito fluida e errática. Auto-consciência e auto-centralização excessivas o previnem pela razão oposta: a atenção é muito rígida e apertada. Nenhum dos extremos permite que a pessoa controle a atenção. Aqueles que operam nesses extremos não podem gostar de si mesmos, têm dificuldades para aprender e perdem oportunidades para o crescimento do self.” (p. 85) Há também condições externas ao fluxo, naturais e sociais, como anomia (falta de regras) e alienação (o sistema nos obriga a agir contra seus objetivos). Os opostos que impedem o fluxo são, novamente, a fragmentação dos processos de atenção ou sua excessiva rigidez. Pode-se inclusive falar em uma vantagem neurológica para processar informações, assim como de um contexto familiar autotélico e de personalidade autotélica. Aqui o livro dá um exemplo que não engulo: prisioneiros que, mesmo em condições deploráveis, conseguiam encontrar prazer em situações em que criavam pequenos objetivos para si mesmos. Mas a mensagem é que, apesar de limitações neurológicas ou familiares, é possível treinar e desenvolver nossa personalidade para sentir fluxo.

5. The Body In Flow analisa as experiências de fluxo em que se utilizam habilidades físicas e sensoriais. Tudo o que o corpo pode fazer é potencialmente prazeroso, sempre com o envolvimento da mente, incluindo, esportes, movimentos, sexo, yoga, ver, ouvir música, paladar etc.

6. The Flow of Thought analisa as experiências de fluxo que envolvem o pensamento e suas habilidades simbólicas. São analisados a memória, símbolos e idéias, linguagem, história, ciências, filosofia e aprendizagem por toda a vida, movida não por motivações externas, mas intrínsecas.

7. Work as Flow discute como transformar o trabalho em uma experiência de fluxo. O capítulo fala do trabalhador autotélico e de trabalhos autotélicos, mas de novo derrapa na insistência exemplos maravilhosos, no caso culturas e pessoas que não chegam a diferenciar o trabalho do lazer. Mas a mensagem é interessante: um trabalho que tem variedade, desafios apropriados e flexíveis, objetivos claros e feedback imediato, pode ser fruído. Mas isso também dependerá do desenvolvimento de uma personalidade autotélica. E o capítulo discute também brevemente como desperdiçamos nosso tempo livre, em vez de fruí-lo.

8. Enjoying Solitude and Other People discute como tornar nossas relações com parentes e amigos mais prazerosas, e ao mesmo tempo como fruir a solidão. Os estudos desenvolvidos pelo autor mostraram que a qualidade de nossa vida depende principalmente do trabalho e de nossas relações com outras pessoas. Para possibilitar fluxo, uma família precisa de objetivos de longo e curto prazo para a sua existência. Além do círculo de amigos, o capítulo trabalha também a idéia da participação em uma comunidade mais ampla.

9. Cheating Chaos mostra como as pessoas podem aproveitar a vida mesmo em situações de adversidade, como nos casos de tragédias, stress, luto etc. O amadurecimento, que poucas pessoas atingem, gera a capacidade de transformar eventos negativos em novas soluções, desafios em oportunidades. Para isso, precisamos de unselfconscious self-assurance (autoconfiança sem autoconsciência – não sei se é a melhor tradução), estar abertos para o ambiente e envolvidos nele. O capítulo termina resumindo as regras para desenvolver um self autotélico: definir objetivos, desenvolver habilidades, ser sensitivo a feedbacks, concentrar-se, envolver-se e imergir na atividade, prestar atenção ao que está acontecendo e à interação (em vez de se preocupar com o self) e aprender a fruir a experiência imediata.

10. The Making of Meaning, por fim, procura mostrar como as pessoas podem juntar toda a experiência e transformá-la em um padrão significativo, transformando a vida em uma experiência de fluxo. Para isso, é preciso cultivar propósitos (baseados na razão e em escolhas), perpetuar uma dialética entre o self e o outro, a reflexão e a ação, integração e diferenciação, e evitar alterar constantemente os objetivos. Isso traz harmonia interior e um tema para a vida. Tudo isso é pensado, no capítulo, também em função da cultura.

As Notes têm as referências utilizadas para a construção do texto e uma série de comentários, e o livro termina com as References (bibliografia) e uma passagem sobre criatividade retirada de Creativity: flow and the psychology of discovery and invention.

Em alguns momentos, incomodou-me o fato de o livro exagerar (inclusive com exemplos) na idéia de que, mesmo em campos de concentrações, ou em condições de extrema pobreza, as pessoas podem ser muito felizes. Também fiquei em dúvida, muitas vezes, como pensar os nativos digitais multi-tasks em toda essa teoria. E como conciliar a idéia de senso crítico com a de fluxo? Mesmo com o capítulo final, resta a dúvida sobre quanto tempo dura um estado de fluxo, o que acontece antes e depois etc. Mas foi uma leitura muito agradável neste meu recesso de verão.

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Encontro sobre Podcasts

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Mais uma iniciativa inovadora da Universidade do Minho.

Os trabalhos para o Encontro sobre Podcasts podem ser enviados até 17 de Abril.

O evento tem um blog de apoio.

Recentemente resenhei por aqui o livro Educator’s Podcast Guide.

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Second Life completo para iniciantes

Estão abertas as inscrições para a quarta turma do curso (gratuito) Second Life completo para iniciantes, com aulas a partir de 10/02/09, sempre às terças-feiras, das 18 às 20 horas, e certificado emitido pelo Sebrae. São apenas 20 vagas, não bobeie!

Mais informações no blog do Rodrigo Gecelka ou na ilha do Empreendedor.

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Web 2.0: New Tools, New Schools

SOLOMON, Gwen; SCHRUM, Lynne. Web 2.0: new tools, new schools. Washington, DC: ISTE, 2007. Resenha de João Mattar.

Este livro é um best-seller do ISTE.

Introduction fala sobre a passagem da web 1.0 para a 2.0, e apresenta os capítulos e objetivos do livro.

Cap. 1 – new world, new web, new skills, que pode ser lido online, fala do novo mundo, da nova web, das novas habilidades necessárias para atuar nesses ambientes, como as escolas estão mudando e quais as novas ferramentas disponíveis.

Cap. 2 – students and learning fala dos novos alunos, sua relação com a tecnologia, como eles lidam com a informação e o que esperam das escolas. Temos uma geração acostumada com a customização, e como podemos utilizar isso em sala de aula? Deixar os alunos escolherem seus métodos de apresentação, onde querem ir para achar a informação, como que estilo desejam aprender, salas customizadas – em que os alunos podem encontrar e utilizar as ferramentas que desejam, professores customizáveis – que podem oferecer a cada aluno aquilo que ele precisa para ter sucesso. Ou seja, podemos pensar em dar aos alunos controle para que eles customizem sua educação. O capítulo discute ainda brevemente como ocorre o aprendizado, explorando a Taxonomia de Bloom, o construtivismo, o project-based learning e o conectivismo.

Cap. 3 – new tools retoma a explicação sobre o que é a web 2.0 e como ela funciona. Aborda temas como código aberto; uso de tags, RSS e agregadores; apresenta e cita exemplos em educação de ferramentas como blogs (mencionados Blogger, WordPress e Drupal, e fechados e mais seguros para escolas como Class Blogmeister e Gaggle Blogs), podcastas, wikis (mencionados Wikispaces, MediaWiki, Pbwiki e JotSpot), social bookmarking, compartilhamento e edição de fotos, vídeos (mencionado Video Furnace e, para edição, Jumpcut, Eyespot, Grouper e VideoEgg). São também mencionadas ferramentas Web 2.0 para desktops, como: processadores de textos (Google Docs & Spreadsheets, Zoho Writer, ajaxWrite e Whiteboard), planilhas (Google Docs & Spreadsheets e Zoho Sheet), apresentações (Zoho Show); ferramentas administrativas, como: dispositivos de busca, ePortfolios (ELGG), administradores de conteúdo (Moodle), calendários (Google Calendar); e outras: mapas (Google Earth), 3D (Google SketchUp), redes sociais (MySpace e Whyvillle – para alunos de 8 a 15 anos), organização de informação (Google Notebook), pesquisas (Zoho Polls), desenho (Tux Paint), mashups (listas disponíveis em Programmable Web), eHub, mensagem instantânea, VoIP, Think.com (plataforma de aprendizagem), Google for Educators. O capítulo apresenta ainda uma lista de ferramentas de código aberto por disciplinas, arrisca as ferramentas de educação para o futuro e fala rapidamente das experiências de Harvard no Second Life, como exemplo de experiências com ambientes imersivos – quem acompanha este blog e/ou meus escritos percebe que, aqui, o livro está bem bem desatualizado.

Cap. 4 – new tools in schools apresenta aplicações dessas ferramentas em sala de aula, como blogs, wikis, podcasting, digital storytelling com Flickr e diplomacia digital, e em áreas como língua e literatura, mídia, estudos sociais, jornalismo, rádio, produção de vídeo, matemática, geografia (menção ao My Wonderful World, do National Geographic), inglês e ciências.

Cap. 5 – professional development fala do treinamento dos professores, nos Estados Unidos, para o uso da tecnologia, e como incorporar essas ferramentas nesses treinamentos.

Cap. 6 – leadership and new tools discute a liderança necessária para os administradores de instituições educacionais nesse novo cenário. As mesmas ferramentas podem também ser utilizadas por esses administradores.

Cap. 7 – online safety and security discute legislação, direitos autorais e propriedade intelectual, ética, segurança e privacidade.

Cap. 8 – systemic issues questões gerais com o inglês na web, alunos com necessidades especiais, igualdade, avaliação (a contradição da necessidade da aplicação de testes nesse novo cenário e o uso de eportfólios são explorados),

Cap. 9 – new schools discute o cenário para as novas escolas. Baseado na idéia da cauda longa de Chris Anderson, pode-se prever um futuro em que haja inúmeras opções de materiais que podem ser utilizados por alunos e professores – a cauda longa de materiais educacionais. Um modelo próximo do “aututor”, que tanto tenho defendido, é apresentado de leve. E também deve-se pensar em alunos que produzam materiais que sobrevivam aos cursos e às escolas. Além de vários outros assuntos, o livro termina falado da escola 2.0 – School 2.0 é um site de apoio para a construção dessa escola.

Cap. 10 – tutorials traz tutoriais para diversas ferramentas, como: Zoho Writer, Num Sum (planilha), Tux Paint, Audacity, RSS feeds, del.icio.us, Photo Story for Windows, Wikispaces, Class Blogmeister, Google Earth, Google SketchUp e Google Reader.

Appendix A: web timeline apresentar uma linha do tempo para a web, de 1991 a 2006.

Appendix B: web 2.0 tools apresenta uma lista comentada de diversas ferramentas da web 2.0.

Appendix C: a day in the life of web 2.0 apresenta um dia na vida de professores, alunos e administradores usando a web 2.0.

Appendix D apresenta a bibliografia, Appendix E o National Educational Technology Standards par alunos, professores e administradores, e por fim um Índice.

Um texto diferente dos outros que abordam o mesmo assunto, porque está dividido não em função das ferramentas, mas do seu uso por públicos diferentes.

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Blogs, Wikis, Podcasts

RICHARDSON, Will. Blogs, Wikis, Podcasts, and other Powerful Web Tools for Classrooms. Thousand Oaks, CA: Corwin Press, 2006. Resenha de João Mattar.

Este foi outro livro que li agora nas férias, além dos que já venho resenhando por aqui nos últimos dias, e de mais 2 que devo resenhar na próxima semana.

Preface, que pode ser lido online, faz uma breve apresentação dos objetivos do texto.

Chapter 1 – The Read/Write Web, que também pode ser lido online, faz uma apresentação da Read/Write Web e seu uso em educação, fala dos nativos digitais e utiliza o conceito de caixa de ferramentas para o professor. Além disso, faz uma reflexão sobre as questões de segurança e privacidade em relação aos alunos.

Chapter 2 – Weblogs: Pedagogy and Practice define blogs e discute seu uso em educação. Blogs podem ser utilizados no lugar de LMSs por escolas, podem ser criados pelos alunos (que assim podem refletir sobre o desenvolvimento de seus estudos), funcionar como e-portfolios, como espaço colaborativo, como ferramenta de comunicação interna e mesmo como site da escola. O capítulo fala ainda de uma pedagogia dos blogs, ferramentas construtivistas por natureza, que expandem as paredes da sala de aula, arquivam o conhecimento, suportam diversos estilos de aprendizagem, podem ajudar no desenvolvimento de alguma habilidade específica e alfabetizam os alunos na linguagem da sociedade da informação. Os blogs fundaram um novo gênero de escrita, que o autor batiza de connective writing, que envolve ler, tomar decisões de edição, escrever e publicar. O capítulo sugere ainda alguns usos para blogs em sala de aula e cita alguns exemplos, todos infelizmente parados no tempo. Por fim, blogs podem ser consultados como repositórios de informação.

Chapter 3 – Weblogs: Get Started! dá orientação para a montagem de um blog utilizando o Blogger, mas menciona também Manila, WordPress e Movable Type, dentre outros, e uma lista de blogs de educadores.

Chapter 4 – Wikis: Easy Collaboration for All explica o que são e como funcionam wikis, e discute um pouco a qualidade da informação encontrada na wikipedia. Wikis têm sido utilizados por empresas e equipes para gerenciar informações. Os alunos podem ser incentivados a criar ou editar um tópico na wikipedia, por exemplo. O capítulo dá ainda sugestões de usos de wikis em escolas e orienta a criação de um wiki utilizando o PBWiki. Outras ferramentas mencionadas são: JotSpot (agora do Google), SeddWiki.com e Wikicities (hoje Wikia). Ferramentas no estilo wiki citadas são: WebNote, Web Collaborator e o plugin do Firefox Wikialong. Uma interessante lista de ferramentas para wikis é Wiki Engines.

Chapter 5 – RSS: Connecting the Content We Create explica o que é RSS e como montar seu leitor com Bloglines. Sugere também usos de RSSs em sala de aula: acompanhar os blogs dos alunos, orientar os alunos para montarem seus leitores etc. O capítulo dá também algumas dicas bastante interessantes de como criar fedds RSSs a partir de buscas no Google, alertas do Google, Watchlists no Technorati, newsgroups, com o Moreover, combiná-los com o Blogdigger.com ou RSSmix, e como criar com código um feed em seu blog. Vou testar algumas dessas ferramentas nos próximos dias, e registrar os resultados por aqui. Nestes dias, fiz uma resenha do livro RSS for Educators, que também pode interessar.

Chapter 6 – The Social Web: Learning Together fala de algumas ferramentas para aprender em conjunto na web. Em 43 Things, você define 43 coisas que quer aprender e automaticamente é conectado a outras pessoas com o mesmo interesse. Social Bookmarking permite que você compartilhe suas seleções na web, através de tags, e se conecte a pessoas com os mesmos interesses. Além do delicious, o capítulo fala bastante do Furl. Uma sugestão interessante é criar uma conta para uma classe, com pastas para cada grupo ou aluno, e adicionar links para eles sempre que você achar alguma coisa interessante, inserindo inclusive comentários e sugestões de atividades a cada link adicionado. Ou então criar uma conta para a qual todos os alunos possuam o login e senha, assim todos podem adicionar links durante um curso. Professores que ministram a mesma disciplina podem também usar o recurso criativamente. Outra ferramenta elogiada é Jots.com, que acho já era. ScuttlEDU e de.lirio.us permitem uso privado no seu próprio servidor.

Chapter 7 – Flickr: Digital Images for Everyone sugere idéias para o uso de fotos digitais em educação. Além de disponibilizar fotos online, pesquisar e utilizá-las em trabalhos (desde que a licença permita), é possível, p.ex., convidar pessoas de todo o mundo para comentá-las, fazer anotações, fazer parte de uma comunidade, acompanhá-las por RSS etc. O capítulo fala bastante sobre o Flickr. O capítulo apresenta ainda alguns exemplos de educadores que têm utilizado o Flickr em suas aulas, e cita também uma série de ferramentas de apoio ao Flickr.

Chapter 8 – Podcasting and Screencasting: Multimedia Publishing for the Masses fala sobre podcasting e screecasting, com sugestões e relatos de usos educacionais. A EPN – Education Podcast Network é mencionada. Há também uma orientação de como montar seu podcast, e são mencionados exemplos de sites como Teach42. Um screencast para o uso do Audacity é indicado, para música gratuita e de uso livre, Wikimedia Commons, e para hospedar seus podcasts, OurMedia.org. Caso você utilize um blog ou serviço que não permita que as pessoas sigam seus podcasts, você pode utilizar o Feeburner e criar um feed de RSS separado para sua audiência. A outra tecnologia apresentada é screencasting, gravação de screen, e um link interessante para compartilhar screencasts: Myscreencast. A ferramenta indicada é o Windows Media Encoder, e são fornecidas orientações de como usá-la, mas o livro está desatualizado neste ponto. A resenha que fiz nestes dias do livro Educator’s Podcast Guide completa este capítulo.

Chapter 9 – What It All Means conclui o livro com interessantes comentários gerais sobre o uso da web em educação. O conhecimento pode agora ser disponibilizado na web e é produzido colaborativamente. São necessárias novas alfabetizações. São então comentadas grandes mudanças: conteúdo aberto, muitos professores e aprendizado 24/7, construção significativa do conteúdo social e colaborativa, ensinar é conversação (não dar aulas), saber onde achar o conhecimento, leitores não são mais apenas leitores, a web é um notebook, escrever não está mais limitado a texto, a maestria está na criação de um produto para uma audiência mais ampla (não na prova) e contribuição, que significa que não precisamos mais pedir para nossos alunos entregar lições aos professores que viram arquivo morto, ou apresentar seus trabalhos para o professor, a classe ou a escola: mas para o mundo. A produção do aluno pode agora ser adicionada à conversação e potencialmente utilizada por outros professores e alunos. O atual sistema educacional, x dias de aulas etc., pode não ser mais o mais adequado para esse tipo de educação. Professores terão que ser capazes de conectar pessoas (trazendo-as “para” as classes e aulas), criar conteúdo e colaborar, inclusive com seus alunos, tornando-se coaches e aprendizes ao lado deles, e agente de mudança.

Epilogue – The Read/Write Classroom conta como Tom McHale, professor de inglês, se prepara na web para uma de suas aulas.

O livro termina com bibliografia e índice.

Um livro que, apesar de datado em algumas ferramentas e alguns conceitos, organiza muito bem a informação sobre o uso das ferramentas da web 2.0 em educação, e traz reflexões ainda hoje válidas.

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Ranking das Universidades do Mundo

Já está disponível, em um arquivo de Excel, a nova versão do Ranking Web of World Universities, da Webometrics, que o publica desde 2004, 2 vezes ao ano. O ranking procura mediar a presença e visibilidade das universidades na web, incluindo as publicações de seus professores.

As top 10: MIT, Stanford (onde estive como visiting scholar entre 1998 e 1999, e fiz meu pós-doutorado), Harvard, UC Berkeley (onde já cursei algumas disciplinas, à distância), Cornell, Michigan, California Institute of Technology, Minnesota, Illinois Urbana Champaign e University of Texas Austin.

Dignas de menção, entre as 500: Pennsylvania State University – que um interessante mestrado online de EaD (14), UCLA (18), University of Maryland (19), University of Florida (22), Indiana University (27), University of California San Diego (31), Princeton University (38), Yale University (41), University of Southern California – USC (43), University of Colorado Boulder (46), Florida State University (54), Texas Tech (194), University of Miami (195), Florida International University (231), San Diego State University (252), Universidade do Porto (271), Universidade do Minho (300) e Boise State University (483).

Do Brasil: USP (87), UNICAMP (159), UFRGS (285), UFRJ (299), Universidade Federal de Santa Catarina (304), Universidade Federal de Minas Gerais (356), Universidade de Brasilia (403), PUC-RJ (448) e UNESP (458).

Uma nova lista saiu em 07/2009.

Algumas outras listas:

O THE – QS World University Rankings 2008: Harvard, Yale, University of CAMBRIDGE, University of OXFORD, CALIFORNIA Institute of Technology (CalTech), IMPERIAL College London, UCL (University College London), University of CHICAGO, MIT e COLUMBIA University. Princeton fica em 12, Cornell em 15, Stanford 17, UC Berkeley 36 e Illinois 71.

No Academic Ranking of World Universities 2008, da Shanghai Jiao Tong University, temos: Harvard, Stanford, UC Berkeley, Cambridge, MIT, CalTech, Columbia, Princeton, Chicago, Oxford, Yale, Cornell, UCLA, UC San Diego e Univ. Pennsylvania. A USP aparece entre 101/151, a Unicamp 201/302, a UFMG e a UFRJ 303/401, a UNESP e a UFRGS 402/503. Penn State University 42, Indiana Univ – Bloomington 92, Florida State University e University of Maryland 152/200, San Diego State University – 303/401 e a University of Miami 152/200. Porto aparece em 402/503.

Como dá para ver, sempre rondam as listas das top 10: MIT, Harvard, CalTech, Princeton, Yale, Cornell, Stanford, Oxford, Un. California Berkeley (e outros campi), Columbia e Chicago. E as mais bem classificadas do Brasil também não costumam mudar.

O MIT oferece, dentre inúmeras opções, o Professional Institute Short Courses, cursos rápidos, em geral no verão, de Engenharia e Tecnologia; e o CMS – Comparative Media Studies, com curso de graduação e pós-graduação.

Harvard possui uma Summer School, com a oferta de diversos cursos de verão, que vão de 22 de Junho a 07 de Agosto. Alguns exemplos: From Cold War to Global Terror: World History from 1945 to the Present, Internet and Integrated Productivity Software for Managers, The Evolution of Modern Jazz through Jazz-Rock and Fusion, Introduction to Psychology, Behaviorism and Behavior Modification e World Religions.

Outras instituições de destaque que oferecem Cursos de Verão: Cornell, Chicago (que tem uma sequência de 3 cursos sobre História das Civilizações, um sobre a Interpretação dos Sonhos do Freud), Stanford (que oferece, p.ex., Client Side Internet Technologies, Cognitive Psychology e Applying Psychology to Modern Life).

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Técnica Vocal: –o uso correto da voz falada

Assisti ontem, durante a II Semana Acadêmica Anhembi Morumbi, à oficina Técnica Vocal: o uso correto da voz falada, ministrada pelo professor Ricardo Nogueira de Castro Monteiro.

Ele abordou temas como Preparação Vocal (incluindo relaxamento muscular, aquecimento vocal, respiração e exercícios práticos), Estilística Vocal (incluindo entoação – modulações e acentos, ritmo, timbre e respiração) e Regiões Vocais, dentre outros. A oficina foi bastante prática, com a realização de vários exercícios, inclusive para descobrir a região de conforto na fala de cada um.

Ricardo deu várias dicas, como tomar sempre uma garrafa de água durante cada aula, usar sempre microfone (independente do tamanho da classe, principalmente para os professores que dão mais de 20 horas de aula por semana), procurar variar a modulação da voz durante a aula (evitando, portanto, a monotonia), fazer pausas na fala durante as aulas etc.

Terminamos ouvindo alguns sopranos e tenores cantando.

Foi daquelas atividades que prende a atenção de todos – deveria durar 2 horas, mas quase meia hora depois do final previsto, ninguém queria ir embora. Toda instituição que emprega professores que usam muito a fala deveria fazer, periodicamente, oficinas como essa.

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Desenvolvimento de Apresentações em Flash

Ontem fiz o curso: Desenvolvimento de Apresentações em Flash, com a professora Mércia de Assis Albuquerque, durante a II Semana Acadêmica Anhembi Morumbi.

Algumas lembranças e dicas:

CTRL J – alterar documento – muitas vezes, o primeiro atalho.

No final do painel de Tools, há opções específicas para modificar cada uma das ferramentas.

Na ferramenta na parte de baixo, Stroke Color, pode tirar a borda.

Modify, Shape, Convert Line to Fills – posso começar a brincar com o desenho – atenção aos ícones quando você passa por cima do objeto.

CTRL B – desagrupa objeto (inclusive texto)
CTRL G – agrupa objeto

Filtros não são aplicados a tinta fresca.

Criar movie clips – começar com mc_

No lado direito superior da Timeline, dá para mudar o padrão de visualização de frames.

Control, Loop Playback, Enter – fica dando playback nos frames.

F5 Insert Frame – inclui frame, SHIFT F5 – excluir.

File, New, Flash Presentation – prepara uma apresentação como se fosse em PowerPoint.

File, Publish – Windows Project – quem não tem Flash pode assistir a animação.

Window, Common Libraries, Buttons.

CTRL D – duplica um objeto.

Seleciona Objeto, Insert, Timeline Effects, para fazer uma opção rápida.

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Artigo na Revista Fonte

No número 08 da Revista Fonte (Ano 5, Dezembro de 2008, ISSN 1808-0715, Belo Horizonte), editada pela Prodemge – Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais, saiu um artigo meu: O uso do Second Life como ambiente virtual de aprendizagem (p. 88-95). É um remake com várias novidades em relação ao que venho apresentando sobre o tema.

No mesmo número há também entrevistas e artigos de José Manuel Moran, Carmem Maia, Marco Silva e Paulo Blikstein, dentre outros professores e pesquisadores.

Divirtam-se!

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