Clive Thompson foi um profeta. Em um post em 06/2007, defendia que o Twitter cria um sexto sentido social, um senso tátil de comunidade, uma consciência quase telepática de nossos amigos e propriocepção social, metáforas que até hoje nos ajudam a compreender não apenas o Twitter, mas as redes sociais em geral.
Em 12/2007 escrevi um post tentando entender as diferenças entre blogs, redes sociais e microblogs, em que já mencionava o Twitter e apresentava a interessante imagem que Fred Wilson rascunhou para tentar representar o espaço do microblogging:

Em um post no mês seguinte, comecei a especular mais especificamente sobre o uso do Twitter em educação. Aí veio uma sequência: Twitter de novo, Easter Twitter, Twitter Bombando etc… Muita gente andou fazendo comentários nesses posts, ou em links a eles, dizendo lá atrás que o Twitter não era uma ferramenta adequada para debates nem para a educação. Mas parece que vingou: na votação realizada anualmente pelo Centre for Learning & Performance Technologies, por 3 anos consecutivos (2009 a 2011) foi eleita a melhor ferramenta para aprendizagem.
Um dos motivos para a desconfiança era o limite de 140 caracteres. É necessário usar o anti-acadêmico internetês e encurtar links (cf bitly, TinyURL e Ow.ly). Se 140 incomoda, você pode escrever no anti-twitter – Woofertime – o mínimo são 1.400 caracteres – e depois colocar o link no Twitter!
David Parry foi um dos pioneiros no uso educacional: o Twitter “mudou a dinâmica da sala de aula mais do que qualquer outra coisa que eu fiz enquanto professor”. A imediatez com que as mensagens são trocadas e a mistura com coisas mundanas ajudaram os alunos a se sentirem mais claramente como uma comunidade, quebrando as paredes entre a sala de aula e o mundo exterior. O vídeo é de 2008:
Mark Sample discute diferentes usos educacionais do twitter em um post muito interessante (2009), que mesmo depois de alguns anos ainda pode nos servir como referência. A matriz que ele apresenta é muito rica:

Segundo Sample, professores podem tuitar avisos, lembretes e informações sobre o programa e calendário do curso. Podem também solicitar feedback sobre o curso e oferecer atendimento aos alunos. Discussões podem ocorrer durante as aulas (em tempo real) ou depois, estendendo-se para além das paredes da sala, possibilitando assim o registro de diferentes pontos de vista. Podem ser discutidos textos e o professor pode propor questões. Os alunos podem postar relatórios avaliando sua aprendizagem, articulando suas dificuldades ou recapitulando a lição mais importante do dia. Como em outras redes sociais, o twitter possibilita a exposição dos alunos a uma audiência mais ampla, promovendo assim o senso crítico. Seu uso pode envolver os alunos mais tímidos e permite a construção de comunidades e a continuidade entre as aulas.
Desde 2009, inicialmente aos domingos (mas há bastante tempo todos os dias), uma comunidade de brasileiros, portugueses e falantes de outras línguas se reúne livremente no Twitter para discutir e postar links sobre EaD. Basta você fazer uma busca pela tag #eadsunday e se lançar na conversa!
A experiência já gerou até uma monografia de pós-graduação, de Antonia Alves Pereira:
A #eadsunday aparece, por exemplo, na lista de hashtags educacionais compilada por Cybrary Man.
Usamos também intensa e criativamente o Twitter no 7 Senaed, na Jovaed 2011 e na EaD: o futuro da arte.
O Twitter tornou-se também tema de dissertações de mestrado e teses de doutorado, como por exemplo:
McCOOL, Lynn Beth. The pedagogical use of Twitter in the university classroom. Dissertação (Mestrado), Iowa State University, 2011.
Já há publicações sobre os mais diversos usos do Twitter em educação. Alguns exemplos:
Formação em Enfermagem e Saúde
BRISTOL, Tim J. Twitter: Consider the Possibilities for Continuing Nursing Education. Journal of Continuing Education in Nursing, May 2010, v. 41, n. 5, p. 199-200.
Língua
MORK, Cathrine-Mette Trine. Using Twitter in EFL Education. The JALT CALL Journal 5, no. 3, 2009, p. 41-56.
BARCELLOS, Ana Carolina Kastein; PEREIRA, Fernando da Silva. Twitter na sala de aula: considerações sobre a ação pedagógica e o professor reflexivo. Anais do 17º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância, Manaus, 30 ago. a 02 set. 2011.
NAKASHIMA, Kohji. Text-based Pedagogy Using Twitter in Japanese English Education: A Pilot Study. Monograph on Foreign Language Education 2011. Japan: The University of Tokushima, 2011. p.56-58.
Orientação vocacional e treinamento
GROZDANIC, Rose. Using Twitter in vocational education and training. RTO Management, n. 5, Spring 2011: 12-14.
Um uso interessante do Twitter é feito pela atual Secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME-RJ), Claudia Costin (@ClaudiaCostin). Ela utiliza intensamente a ferramenta para passar informações e interagir com gestores e professores da maior rede pública de ensino da América Latina. Ao redor dela gravitam várias outras contas, de membros da equipe ou parceiros, e mesmo dos vários programas coordenados por Costin: Rafael Parente – SubSecretário de Novas Tecnologias Educacionais (@Rafael_Parente), Educopédia (@Educopedia), RioEduca (@Rioeduca), Escolas do Amanhã (@EscolasdoAmanha) e Bairro Educador (@BairroEducador), dentre outros.
Paulo Simões (@pgsimoes) é um português referência no uso do Twitter para postar links de tecnologia educacional e web em geral.
Há várias ferramentas acessórias para o uso do Twitter. É possível p.ex. acompanhar e administrar a profusão de tweets com o Tweetdeck ou o Hootsuite, e compartilhar fotos e vídeos com o twitpic.
Outros ex de microblogs: Jaiku e Identica, + orientados a multimídia: Coveritlive, Plurk e Tumblr (https://www.tumblr.com/), e privados: Yammer.
Enfim, 140 caracteres deram pano para manga!
Cf. How Twitter can be used as a powerful educational tool